Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

O primeiro mês

 

   Há um mês que viajo por este meu novo desafio profissional. Ultrapassadas as grandes barreiras da adaptação inicial, começo a sentir-me como um peixe na água. O facto de fazer o que realmente gosto: trabalhar com idosos, ajuda e muito! Sair da cama já não custa (ok, custa sempre um pouquinho, mas isso custa a todos, certo?) e trabalhar deixou de ser uma obrigação financeira em prol de um novo par de sapatos. Hoje trabalho por gosto e no que gosto e começo a poder preparar o meu futuro e ainda sobra para um ou dois pares de sapatos (já que no que respeita a vestidos está visto que estou condenada).

   Hoje, cada dia de trabalho é uma nova história para contar e no regresso a casa trago a certeza de dever cumprido, juntamente com um grande, enorme, enriquecimento pessoal, por poder partilhar a minha existência com cada um daqueles seres humanos e, de alguma forma, fazer parte das suas histórias.

   Um mês depois, tenho a certeza que haverá ainda muito para aprender e muito para crescer. Só assim consigo adormecer (cedo!) com a certeza de que o dia de amanhã não vai ser só mais um dia.

 

Da vida...

 

 

   De longe a longe lá volto ao meu antigo local de trabalho para umas consultitas. À parte da forma calorosa como sempre sou recebida, o meu regresso àquele lugar desperta o pior de mim, no que a sentimentos diz respeito. O simples facto de saber que tenho agendadas idas até lá é suficiente para me encobrir o sorriso durante dias, em jeito de episódio de stress pós-traumático. Mas e tu alguma vez foste lá mal tratada, perguntam vocês. Não senhora. Simplesmente aquele local relembra-me daqueles dias em que sair da cama e ir trabalhar era uma obrigação e os dias terminavam sempre com aquela sensação de "eu nunca mais quero cá voltar" e/ou "eu não aguento mais isto". Talvez por defeito meu, talvez, a verdade é que nunca consegui lidar bem com o facto de durante 2 anos e meio ter feito algo que detestava, em condições que só serviam para agravar o meu desânimo. E agora que felizmente de lá sair, pude perceber que sou muito melhor pessoa do que julgava e que a vida é bem mais doce. E daqui a uns meses até posso estar desempregada, mas todos os dias, todos, o pensamento é o mesmo: prefiro trabalhar numa loja do que ter de voltar para lá.

   Desculpem a prepotência, mas o sentimento sempre foi este. E a distância só me fez perceber que ali não era o meu lugar.

Histórias com gente dentro #5

 

   Quando a Sra. P. me disse que eu nunca mais a veria, estava certa.

   A Sra. P. foi hoje sepultada, depois de duas semanas de coma por ingestão de soda caústica.

   Fica a certeza de que não era essa a sua vontade.

   Que descanse em paz.

É coisa para me chatear, e muito!

 

 

   Uma pessoa leva o seu tempo mas toma a decisão: "Vou ali à Zara mimar-me", que é como quem diz, "vou finalmente comprar aquele vestidinho lindo que ando a namorar há meses na Zara". Vai daí, toca a deslocar-se ao dito local de perdição. Primeiro desgosto: aquele em verdinho lindo que me encheu os olhos desde o primeiro contacto, já era em XS. Mas a esperança é a última a morrer, por isso experimenta-se o M e já que vamos tirar a roupa e vamos, experimentamos também este e aquele e o outro e ainda levámos umas calças em tons rosa (!). Experimenta este, enorme; experimenta aquele, grande; experimenta o outro, gigante; experimenta as calças, levam a merenda junto. Conclusão: a Zara não tem roupa para mim e a única explicação que lhe encontro é eu ser baixa demais, já que nunnca poderei dizer que sou magra demais para os vestidos S (eles é que são largos demais para mim!). A verdade é que, fazendo uma retrospectiva, vestidos e calças Zara são elementos raros no meu guarda-roupa. Segunda conclusão: estou para aqui triste e deprimida que eu sei lá.

Pág. 5/5