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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Talvez uma das melhores músicas de sempre (pf, ouçam até ao fim)

 
The Gift
Always better if you wait for the sunrise
 

Turn the TV on and things there are so fine
Summer's here and the weather is alright
I feel so light

A cup of coffee and I count the days go by
Had a listen to your voice again last night
Just seemed right

And I travelled from so far to see these sights
Left my life behind
I´m dancing with the stars
They seem so bright

Moonwalk
Don't talk

Breathe the gas again and thought I heard you laugh
Ran to nowhere for another thousand miles
Just take me home

Watched the window and I saw myself outside
Watched the screen to see what hides deep down inside
There'll still be me

Want to bring you here but space now is too tight
There's no room in here for two of the same kind
There'll still be me, still be me

I can't decide if things should go away
I can't decide now when, the sunrise
Sometimes

Want to tell you once again
Perhaps the stars are not so bright
I want to take you back in time
Want to hold you once again
I want to show you there´s no lies
I want to have you by my side

Would you mind if I lay you down at night?
Would you cry if I hold you one more time?
I want to go but I know there's something wrong

To die is something I cannot disclaim
Something I cannot explain
Tonight
Stay with me

Going on the same old song again
Stay with me
You're going on, the same old song again
Stay with me tonight
Stay with me tonight, until the sunrise

Moonwalk
Don't talk
Stop

 
 

 

Não, a solidão (ainda) não me assusta

 

   Talvez seja este um dos meus maiores defeitos: gosto demasiado de estar sozinha.

   Gosto de chegar a casa e não encontrar nada para além do silêncio que não questiona nem reclama, porque é disto que preciso para me desligar do modo trabalho e ligar o modo família/caseiro. Preciso do meu tempo, do meu espaço, dos meus vazios de tudo tão cheio de tudo.

   E há dias terríveis, em que tudo nos incomoda e qualquer pergunta serve para nos pôr num estado tal de nervosismo que só nos resta o isolamento. Eu tenho muitos desses dias e esses dias são terríveis para quem gosta de mim, porque encontram-me distante, fechada e nada disponível. E nós queremos contorná-los, mas tudo o que sentimos é: eu preciso de estar sozinha. E eu preciso muito de estar sozinha, muitas vezes. Vezes demais. Preciso dos meus momentos de esvaziamento da mente, preciso de me deitar apenas com os meus livros e as suas palavras, preciso do telemóvel em silêncio, do computador desligado e da televisão longe do quarto. Tenho dias assim, em que preciso absolutamente de nada...

   Talvez seja um defeito, mas estes dias de silêncios têm sido perfeitos para mim.

Do amor

 

 

   "Em todo o caso, pensando bem, conviria que nos deixássemos ficar por aqui, é visível que há demasiada tensão entre nós, saltam faíscas a cada frase que nos sai da boca, Não era essa a minha intenção, Nem a minha, Mas assim aconteceu, Sim, assim aconteceu, Por isso vamos despedir-nos como bons meninos que somos, desejar-nos boas noites e felizes sonhos, até um dia destes, Liga-me quando quiseres, Assim farei, Maria da Paz, Continuo a ser eu, Gosto de ti, Já mo havias dito."

 

«O Homem Duplicado», José Saramago

O (um) ano da morte de José Saramago

 

"Mas não subiu aos céus, se à terra pertencia."

 

   Um ano já sem Saramago. Como é possível, perguntar-se-ão alguns, se continua a publicar livros, se está nas conversas dos analistas políticos, se os jovens saem à rua com as suas frases escritas em cartazes ou em t-shirts, se há concertos de rock onde o aplaudem ou se organizam outros de música erudita em seu nome? Que estranha ausência é essa? Mas é estranha apenas para quem não compreendera o espírito transgressor de José Saramago, homem tímido e retraído que, no entanto, era audaz nas suas abordagens vitais, literárias e intelectuais, destemido até, que nunca baixou a cabeça, que sempre seguiu o seu caminho sem se preocupar com costumes ou modas, sem medir as consequências dos seus actos desde que estes não afectassem terceiros porque o respeito pelo outro, tratando-se de Saramago, era um dado adquirido. Sim, era um transgressor de todas as normas e convenções, por isso também o seu funeral seria diferente, porque diferente foi a sua vida.

 

Palavras de Pilar del Rio

 

 

   A falta que as suas palavras nos fazem...