Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Férias de Verão 2011

 

   Pois então a coisa será bem simples: férias de Verão 2011, não existem! Pela primeira vez em 25 anos não terei férias de Verão, por motivos profissionais. Desengane-se quem pensa que me estou a lamentar. Ainda não estou. Ainda. Aliás, pareço até bem conformada com o facto, embora acredite que lá para Julho e Agosto este bom espírito todo se vá com as brisas marítimas que soprarão durante o meu horário de trabalho.

 

   Mas como nem tudo pode ser mau, santos e santinhos uniram-se para na próxima semana nos proporcionarem 4 dias de descanso, com feriados a 23 e 24 (para os portuenses) seguidos de sábado e domingo. Vai daí e uma vez que os papás rumam a terras algravias já este fim-de-semana e a Ryanar tem voos bem baratos para Faro, quarta-feira da próxima semana, à noite, lá irei eu "voar" até eles, que é como quem diz, até ao esperado sol e calor algarvio, para aquilo que gosto de chamar "os meus 3 dias e meio de férias de Verão". Obrigada S. João!

 

 

Um local chamado bairro social

imagem retirada da internet

 

 

   O meu actual trabalho tem me permitido conviver e conhecer a realidade dos tão falados bairros sociais. A verdade é que nestes assuntos não podemos cair em generalizações e, muito menos, partir com estereotipos ou ideias pré-concebidas. De facto, um bairro social possui uma dinâmica muito particular, que nos conduz à ideia de uma certa "cultura de bairro" da qual, uma vez lá inserido, é muito difícil se desligarem. Nestes locais há uma série de comportamentos e formas de viver comuns que, por lá, são socialmente aceites e convenientes para uma completa integração. Para os que lá chegam vondos do "exterior" a confrontação com a vida in locu pode não ser fácil, principalmente porque tudo o que nos chega relativamente a esses meios tende a ser negativo e sempre negro, o que não reflecte de todo a verdadeira realidade.

   Há, de facto, bairros onde não nos conseguimos sentir seguros. Lembro-me de no meu primeiro dia de trabalho ter ido fazer uma visita domiciliária. Como era o meu primeiro dia acompanharam-me até à dita casa, mas o regresso ao centro social fi-lo sozinha, atravessando a pé um dos piores bairros da cidade no que a consumo e tráfico de droga diz respeito. Fi-lo olhando sempre em frente, pois olhar para trás era demosntrar insegurança, com os ouvidos em estado máximo de alerta e identificação bem visível, afinal é isso que nos vai "protegendo" nestes locais.

   Depois desse primeiro dia muitos outros se sucederam e cada um com um à vontade cada vez maior, que não significa nunca sentimento de segurança. Simplesmente vamos aprendendo a saber estar naqueles locais, mesmo que isso implique andar sempre com a chave do carro num bolso e o telemóvel no outro, ou trabar o carro para idas da mala à porta do passageiro e desta ao lugar do condutor. Hoje não me amedronta ir para aquele centro social onde à porta se está consumir e a vender droga. Aliás, não passo por lá sem um "Olá, boa tarde, como estão?". Não fico a olhar para o ar sempre que ouço alguém gritar "água", pois não há risco de levar com um balde dela na cabeça. No máximo poderei levar com alguma rajada de tiros ou algumas doses dos mais diversos produtos, já que ouvir gritar "água" é o mesmo que ouvir "bófia a entrar no bairro". Na verdade, incomoda-me muito mais saber que ali no bairro que era tão mau que acabou por ser destruido e onde agora só estamos nós, meia dúzia de casa e muitas recordações, tem sido visto uma cobra com corpo para mais de 150 cm.

   No fundo, ter a oportunidade de "entrar" na dinâmica de um bairro social é uma oportunidade única. Em conversas com pessoas que já trabalham nestes mundos há anos vou ouvindo sempre o mesmo género de comentários: "nunca houve problemas connosco", "todos nos respeitam" ou "é um trabalho extremamente enriquecedor". E a regra é esta: quanto mais "perigoso" e "pior" o bairro, maior o nosso enriquecimento, pois é ali que mais precisam de nós.

   Quase 3 meses depois do primeiro dia é precisamente isto que sinto a cada regresso a casa; aquelas 7 horas naqueles locais foram tão cheias de tudo o que é a vida, ensinaram-te tanto do que nunca se aprende nos livros ou na televisão, que só posso sorrir ao pensar que amanhã lá estarei: um bairro diferente, gentes diferentes, histórias diferentes, perigos diferentes, mas sempre com a certeza de que nessa noite dormirei muito mais plena.

Histórias com gente dentro #9

 

   Sra. M., 80 e muitos anos, muitos tremeliques causados pelo Parkinson e sempre palavras bonitas para nos alegrarem os dias. Hoje foi assim:

 

   "(...) Sabe o que eu lhe digo? Be quiet, please! Ai, desculpe-me o please..."

 

   Só pela gragalhada que dei, está mais do que desculpada!

  

Dos bons filmes

 

Most people live life on the path we set for them. Too afraid to explore any other. But once in a while people like you come along and knock down all the obstacles we put in your way. People who realize free will is a gift, you'll never know how to use until you fight for it. I think that's The Chairman's real plan. And maybe, one day, we won't write the plan. You will.

 

   Definitivamente, um dos melhore filmes que vi até hoje, que nos coloca velhas questões da fronteira entre destino, acaso e livre arbítrio.

  

   Será que, afinal, está mesmo tudo "escrito" desde o início? E que será afinal o nosso destino?



 

 

One of these days...

 

   De quando em vez gosto de esvaziar o meu guarda-roupa e as minhas gavetas, atirar com a roupa toda cá para fora, "livrar-me" daquilo que não uso e voltar arrumar tudo com nova organização. Normalmente este comportamento reflecte aqueles dias de estado hormonal alterado, que é como quem diz, aqueles dias em que tudo nos incomoda, até mesmo os trapinhos de que tanto gostamos, e nada nos satisfaz. Ainda assim, no final conseguimos sentir-nos ligeiramente mais leves (cá dentro, não no guarda-roupa). E não, isto não é só uma desculpa para arranjar espaço para os saldos que aí vêm, embora também dê algum jeito...

   Hoje foi one of these days...

Nem sei o que dizer...

 

   Correndo o risco de ser açoitada virtualmente, aqui me confesso muito pouco apreciadora deste filme. Sem dúvida que foi a sala de cinema mais silenciosa de todos os tempos, durante o filme e depois de este terminar (ok! ouvimos duas vezes os roncos da velhinha da fila da frente!). Não sei se foi pelo facto de todos estarem tão desiludidos como eu, se pelo facto de todos estarem um pouco perturbados e incomodados com não sei bem o quê que o filme encerra em si. Talvez sejam todas aquelas questões totalmente pertinentes, mas que, na realidade, não nos trazem nada de novo, já que todos nós nos questionamos diversas vezes o porquê de tanta coisa, dirigindo-nos directamente a Ele. É verdade que as imagens chegam a ser melodiosamente belas, perfeitas para um albúm fotográfico, todas juntas desadequadas para um filme de que tanto se tem ouvido falar.

   Confesso que, ainda agora não consegui perceber aquele final, embora tenha achado a ideia de terminar com a imagem de uma ponte realmente prometedora. Aquela fase inicial musical e de imagens intensas mas ligeiramente aborrecidas para uma sala de cinema também me fez algum sentido. A perte "de filme" em si, com personagens e tudo a que um filme costuma ter direito, roçou o banal e o dejá vu. O final foi o que se viu e que eu não percebi. Ou talvez aqueles 130 minutos sejam demasiado artísticos, filosóficos ou alternativos para mim, mas se me quiserem ajudar a percebê-los agradecia imenso.

   Se vale a pena vê-lo? Sinceramente...não era capaz de o ver outra vez...e mais não digo porque a falha pode ser minha.

Memórias da minha infância #1

 

 

   De visita à Feira do Livro do Porto dei de caras com diversos exemplares destes livros e não consegui deixar de exprimir um "AH! Lembro-me tão bem do Pequenu. Era eu pequenina...". E de facto, lembro-me muito bem do Pequenu, embora se não tivesse visto os livros naquela banca ele continuasse num qualquer recanto da minha memória. Recordo-me especialmente deste, que tive e não sei por onde andará nem como veio parar às minhas mãos, mas que gostava mesmo de ter guardado.

   Das pequenas coisas que nos fazem lembrar que a infância é para sempre.

Ontem, na casa da música

 

 

   Os The Gift apresentaram o seu último e delicioso albúm "Explode", para uma sala Suggia a rebentar pelas costuras e arrancaram-nos a todos das cadeiras, num frenesim de palmas, saltos e passinhos de dança. E ao ouvirmos o vozeirão da Sónia ao vivo e sentirmos a sua tremenda presença em palco percebemos porquê que esta tem de ser uma das melhores bandas portuguesas.

   Quanto a mim, quero mais!

 

   Fica um vídeo, roubado do youtube, com o final do concerto, que nos deixou a todos com vontade de carregar no replay.

 

 

 

Histórias com gente dentro #8

 

   A Sra. M. 95 anos e 10 meses, como a própria faz questão de dizer. É licenciada em direito, exerceu a vida inteira e até há 2 anos atrás ainda era ela quem tratava das burocracias lá de casa. Fala espanhol, francês e alemão. Hoje ainda chora a morte do marido há 24 anos atrás, porque há o amor do corpo e o amor do coração e o dela era e é o do coração.

   Aos 95 anos e 10 meses, a Sra. M. tem uma cabecinha de fazer inveja até aos meus 25 anos e 6 meses. É católica praticante e devota a Nossa Senhora de Fátima, pois acredita que ela já lhe concedeu muitos milagres. Admira os muçulmanos porque fazem tudo o que dizem, em vez de dizerem e não fazerem. Não consegue ler Saramago pois acha-o pouco vivido. Os tempos actuais fazem-lhe confusão, porque nada é sério, não há esforço ou dedicação. Costuma dizer que antigamente tinhamos de subir pelas escadas e agora existem elevadores que nos levam ao topo depressa demais. Conservadora e exigente, diz destes novos tempos que os aceita, mas não concorda. Diz o mesmo da educação que os seus netos tiveram. Especialmente um, o único que não está formado e que aos 16 anos decidiu que queria ser músico. "Conhece o meu Tiago, não conhece?". Conhecemos, pois. Basta-lhe juntar um Bettencourt e todos conhecemos o neto da Sra. M. que deveria ter estudado em vez de ser músico. Ela lá saberá o que diz...afinal, são 95 anos e 10 meses.