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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

No dia pós-greve geral...

...deixem-me que vos pergunte uma coisita: afinal, o que mudou? É só impressão minha ou está tudo na mesma?

 

 

E agora venham daí esses comentários originais do tipo "falas de barriga cheia porque não te falta nada." É verdade, não me falta nada. Nem um emprego. Sou mesmo uma sortuda que não se sabe lamentar pelo que tem...

Este emprego leva-me à falência

 

   "Áh e tal queriamos convidá-la para a Ceia de Natal da Instituição, com a presença de todos os colaboradores e bla, bla, bla..."

 

   Pois claro que sim, muito obrigada e lá estarei.

  

   E não é que só depois é que alguém, por acaso, me informo que a tal ceia é mais um daqueles jantares "de gala" com toda a gente empinocada nos seus melhores fatos e fatiotas??

   Está claro que tenho já, já de ir comprar um vestido maravilhoso!

Porque os opostos se atraem...

 
   Eu gosto do silêncio, do nada dizer, do nada ouvir. Gosto de ficar a escutar outros sons que não os meus. Gosto de escrever em silêncio, de ler em silêncio, de arrumar em silêncio, de me deitar no silêncio. Gosto de não ligar a televisão, de não ligar o rádio e de tirar o som ao telemóvel. E gosto de estar sozinho no meu silêncio, nem que seja por um bocadinho todos os dias. Gosto disto. Preciso disto.
 
   Ele não suporta o silêncio, não sabe estar em silêncio, sente-se mal no silêncio e interpreta mal os silêncios. Ele gosta de escutar sempre e sempre, os sons dele e os sons dos outros. Gosta de fazer tudo com música de fundo. Gosta de ligar a televisão e deixá-la ligada. Ele não gosta de estar sozinho, não sabe estar sozinho. Ele gosta de sentir e saber que está lá mais alguém e que há algo mais por lá. E ele precisa disso, dessa ausência de silêncio.
 
   Estes somos nós, tão diferentes, mas capazes de conjugar o meu silêncio com os sons dele. A dois, é muito mais fácil aprender.  

Gosto...

 
...de agendas! Não muito grandes, não muito grossas, práticas, para rabiscar e apontar compromissos, horas, nomes, números de telefone, to do things, whatever. Não gosto dessas modernices das agendas nos telemóveis e afins, é frio, impessoal, falível. Eu gosto mesmo é de abrir uma agenda, sentir-lhe o cheiro das primeiras páginas vazias e enchê-la de tudo aquilo que me preenche a vida.  

Histórias com gente dentro

 

   O Sr. A. é um dos nossos utentes de apoio domiciliário e uma daquelas pessoas com que podemos passar hoooras a conversar sobre tudo e mais alguma coisa. Do alto dos seus quase 93 anos, discursa sobre o que quer que seja com uma eloquência que nos deixa...sem palavras. Estamos a falar de alguém que frequentou a universidade em Oxford e que viveu uma vida privilegiada e, sem dúvidas, cheia, mas nem por isso menos valiosa e interessante. Mas quando a velhice chega não escolhe classes sociais e hoje o sofrimento do Sr. A. pela solidão em que vive partiu-me o coração. A esposa faleceu há menos de 5 meses e o processo de luto ainda está muito, muito verde, mas pior que isso, ou a juntar a isso, é a solidão que o mata, é aquela casa que, nas suas palavras, já foi tão agitada, e que hoje é apenas silêncio. E o Sr. A. não sabe como se vai adaptar àquela prisão, agora que a validade da sua carta de condução está a terminar e não vai poder conduzir até ao Passeio Alegre ou até ao supermercado para comprar um chocolatinho. É por isso que o Sr. A. me pede, semana após semana, "por favor, venha-me visitar, eu preciso de conversar consigo" e eu saio sempre de lá, semana após semana, com o coração apertado e muita vontade de voltar para conversar com aquele senhor que vive de recordações.

É esta a minha fé

 

   Sou católica, é um facto, sem essas coisas do praticante, não praticante ou assim-assim. Não vou à missa, é outro facto, para além de casamentos ou baptizados. Não rezo, nem peço coisas a Deus, mais um facto. Às vezes agradeco-Lhe por determinada coisa que me acontece ou aos meus. Porquê não sei, mas penso que devemos acreditar em algo e de entre aquilo em que acredito, às vezes, toca-Lhe qualquer coisa.

   Ainda assim, uma das coisas que mais confusão me faz diz respeito ao que é suposto fazermos quando nos encontramos numa igreja, se é que é mesmo suposto fazermos algo. Como disse, não rezo. Mesmo tendo andado na catequese e cumprido todos os passos religiosos e trabalhar numa instituição católica-apostólica-romana onde se reza o terço semanalmente, eu não rezo e nunca rezei, muito menos em voz alta. É por isso que sempre que entro numa igreja, e eu gosto de entrar em igrejas, nunca me sinto totalmente à vontade porque estou para ali perdida em pensamentos, a olhar para aquelas imagens todas (e eu sou contra a adoração de imagens também!), a ver toda aquela devoção e a ouvir todos aqueles sussurros e dou por mim a pensar em...nada! Simplesmente porque não sei o que pensar, por não saber se consigo acreditar que alguém ou algo me esteja a ouvir.

   Por isso, sempre que entro numa, não me sinto capaz de dizer mais nada a não ser um Obrigada sincero, seja lá quem Tu fores, Estejas ou não a ouvir-me. Crenças à parte, terei sempre de agradecer pelo facto de estar ali, de bem com a vida, sabendo que todos aqueles que me são queridos estão igualmente bem. É esta a minha estranha fé, a que me faz discordar de tanta e tanta coisa a ela associada (da maioria, de facto!), mas que me leva sempre a dizer Obrigada. Não interessa perceber se alguém me está a ouvir. Certo é que até ao dia de hoje não posso deixar de agradecer. Sinceramente.

Oh no, it´s monday again

 

 

   Todos os dias o filme é o mesmo, para mim e para milhões de pessoas por esse mundão fora: sair da cama de manhã parece a maior das atrocidades e é sempre "tão cedo para nos pormos a pé" e "nunca mais é fim-de-semana para poder dormir até tarde". E depois de muitas lamentações eis que o fim-de-semana está aí e o que é que acontece? Isso mesmo. Assim como se fosse a coisa mais natural do mundo saltamos da cama de madrugada, a horas realmente insultuosas para um fim-de-semana. E depois disso o que acontece? Mesmo isso outra vez! Num instante é segunda-feira e, mais do que nunca, lá estamos nós a barafustar que foi fim-de-semana e não descansamos nada.

   E eu começo a achar que odeio fins-de-semana porque nunca consigo dormir até tarde e à segunda acordo mais piurça do que nunca.