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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

No reinado do Ruka

 

 

   O meu gato toma um suplemento vitamínico para lhe abrir o apetite, já que com a chegada do calor o pequenote parece uma linguiça de tão magro que fica. Disse a senhora da petshop que podiamos misturar o xarope com a água ou a comida, já que os animais tendem a rejeitá-lo. Experimentei dar-lhe "ao natural" e o resultado foi de tal modo assustador que agora tenho de esconder o frasco das vitaminas porque o Rukinha não se controla quando o vê. Acho que só não come o frasco porque ele é de vidro.

Não gosto de eventos destes em finais de dias de trabalho

  

 

   Logo tenho o tal jantar de beneficiência e parecendo que não, sendo a um dia de semana, uma pessoa anda todo o dia a pensar que não se pode atrasar a sair do trabalho porque não se pode atrasar para o jantar. Isto e mais os preparativos que têm de começar uns dias antes, porque não posso esperar sair do trabalho 2 horas antes do início do jantar e ter tempo para arranjar as unhas dos pês e das mãos, depilar o buço e as sobrancelhas, esticar o cabelo, pensar em como levar o cabelo, pensar na maquilhagem, pensar nos complementos ao vestuário, pensar se nos últimos instantes vamos descobrir um defeito qualquer no vestido ou perceber que os sapatos este ano nos magoam. Tenho para mim que devia ter seguido o exemplo de algumas colegas que pediram alteração do horário "por motivos de arranjo para jantar de beneficiência 2012".

 

 

Obviamente este post foi agendado que hoje, entre trabalhos, reuniões, datas limite e jantares chiques não há sequer tempo para pensar em comer um tremoço.

Ainda o Pingo Doce (genial!)

Da crónica de João Quadros no Negócio On-Line:

 

 "Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstram que o Pingo Doce (da Jerónimo Martins) e o Modelo Continente (do grupo Sonae) estão entre os maiores importadores portugueses.

   Porque é que estes dados não me causam admiração? Talvez porque, esta semana, tive a oportunidade de verificar que a zona de frescos dos supermercados parece uns jogos sem fronteiras de pescado e marisco. Uma ONU do ultra-congelado. Eu explico. Por alto, vi: camarão do Equador, burrié da Irlanda, perca egípcia, sapateira de Madagáscar, polvo marroquino, berbigão das Fidji, abrótea do Haiti... Uma pessoa chega a sentir vergonha por haver marisco mais viajado que nós. Eu não tenho vontade de comer uma abrótea que veio do Haiti ou um berbigão que veio das exóticas Fidji. Para mim, tudo o que fica a mais de 2.000 quilómetros de casa é exótico. Eu sou curioso, tenho vontade de falar com o berbigão, tenho curiosidade de saber como é que é o país dele, se a água é quente, se tem irmãs, etc. Vamos lá ver. Uma pessoa vai ao supermercado comprar duas cabeças de pescada, não tem de sentir que não conhece o mundo. Não é saudável ter inveja de uma gamba. Uma dona de casa vai fazer compras e fica a chorar junto do linguado de Cuba, porque se lembra que foi tão feliz na lua-de-mel em Havana e agora já nem a Badajoz vai. Não se faz. E é desagradável constatar que o tamboril (da Escócia) fez mais quilómetros para ali chegar que os que vamos fazer durante todo o ano. Há quem acabe por levar peixe-espada do Quénia só para ter alguém interessante e viajado lá em casa. Eu vi perca egípcia em Telheiras... fica estranho. Perca egípcia soa a Hercule Poirot e Morte no Nilo. A minha mãe olha para uma perca egípcia e esquece que está num supermercado e imagina-se no Museu do Cairo e esquece-se das compras. Fica ali a sonhar, no gelo, capaz de se constipar. Deixei para o fim o polvo marroquino. É complicado pedir polvo marroquino, assim às claras. Eu não consigo perguntar: "tem polvo marroquino?", sem olhar à volta a ver se vem lá polícia. "Queria
quinhentos de polvo marroquino" - tem de ser dito em voz mais baixa e rouca. Acabei por optar por robalo de Chernobyl para o almoço. Não há
nada como umas coxinhas de robalo de Chernobyl. Eu, às vezes penso: o que não poupávamos se Portugal tivesse mar.

Diz que quarta-feira é o dia mais depressivo da semana...

 

 

   E eu, acérrima "odiadora" das quartas-feiras, estou totalmente de acordo. Julgo que já aqui falei disto, mas sempre detestei as quartas-feiras, nos tempos da escola, da faculdade e do trabalho. Sempre foi o dia com as piores aulas, o dia mais longo ou o dia com mais trabalho. Hoje não foi uma quarta feira de excepção. Se não, vejamos:

   Custou-me escolher o que vestir, fui buzinada logo de manhã por conduzir a 70km/h na circunvalação quando, imagine-se a loucura que eu ia a cometer, o limite são os 50km/h, tive uma tarde pesada de horas e horas sentada em atendimentos a colaboradores da instituição, sendo que os mesmos são marcados para horários bem depois da minha hora de saída, tentei entrar no parque de estacionamento pela saída, esqueci-me de onde estacionei o carro, como se não chegassem as figuras tristes naquele parque ainda ocnsegui não chegar à maquineta para introduzir o talão para sair do parque e é ver um dos funcionários correr para mim e para terminar ainda me lembrei de passar ali na bomba de gasolina para lavar, eu mesma, o carro com aquelas mangueiras de pressão (isto depois de uma das nossas utentes me ter visto entrar no carro e ter dito "tem o carro tão sujo! Não o lava?") e foi ver-me numa luta de mangueiras, pressões, espumas e saltos altos.

   Por hoje, chega e pelo sim, pelo não, depois de me ter empanturrado de cerejas e me ter dado a paranóia das arrumações na cozinha, acho melhor dedicar-me à leitura e dormir.