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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

As férias, as comidas, as bebidas e as dietas

   Um dos "problemas" das férias, especialmente quando vamos em regime TI, é a comida e a bebida sem fim com que nos deparamos. Pessoalmente, não sou de sair por aí a devorar tudo o que é comida, só porque já está tudo pago. Mas o certo é que me é difícil manter-me na linha durante a semana de férias quando a oferta é tanta. Basicamente, perco-me com as massas (acho que não houve uma refeição em que não comesse uma qualquer qualidade de massa), as pizzas (uma fatia por dia era certinha) e os gelados, categoria em que este ano estive muito controlada já que comia apenas 3 bolinhas de gelado de banana. Depois há os cocktails, que sabem sempre bem durante o dia, principalmente quando são servidos no meio da piscina(!).

   Os meus pecados alimentares nesta semana de férias foram mesmo estes. Zero de fritos, batatas fritas, hamburguers e familiares, uma ou outra miniatura de tartes de fruta, uma fatia de pizza por dia e muita massa. De resto, muito peixinho grelhado e muitas saladas. E entre as refeições, muita fruta. Não sendo um exagero alimentar, preocupou-me um eventual aumento de peso. Vai daí, logo à chegada descobri que tinhamos 3 formas de queimar eventuais calorias excessivas: ginástica na praia às 10h, agua gym às 12h e step às 16h30. Durante 7 dias, fizeram parte da minha rotina díária e já não passava sem eles (o desporto feito à beira-mar e com vista para a piscina tem outro sabor), ao ponto de os animadores do hotel já me conhecerem como "a nossa portuguesinha, sempre participativa, sempre activa".

   Conclusão: pesei-me às 5h30m da manhã do dia 16 de Julho, antes de sair de casa e a balança ofereceu-me 48,4kg. Pesei-me às 21h do dia 23 de Julho, menos de uma hora depois de chegar a casa e a balança brindou-me com uns 48,6kg. Podendo pôr-lhe aqui algum inchaço de final de dia e de muitas horas sentada em voo, acho que posso considerar que a missão manter o peso nas férias foi cumprida com sucesso! Ainda assim, uma semanita de alimentação mais clean e muito chá verde vão-me fazer bem para depurar um organismo carregado de massas e pinas coladas sem álcool! Isso e regressar ao ginásio já hoje!

Umas horitas em Portugal são suficientes para já sentir saudades de Cabo Verde!

   Estou de volta a Portugal e absolutamente rendida aquele país e às suas gentes. Assim num repente e em modo "desfazer malas" apetece-me dizer e acreditar que trouxe de lá aquela que eles assumem como a maior riqueza deles: a morabeza, que é como quem diz, a boa disposição daquele povo, que durante 7 dias me contagiou por inteiro com tantos sorrisos, tanta boa disposição e tanta simpatia! E tanta dança, tanta alegria, tanto calor, humano incluido! E tanto que haveria para dizer daquele país e daquelas gentes, mas para já fica apenas um ADOREI e um sincero: Ilha da Boa Vista e hotel Riu Karamboa, eu vou voltar! Entretanto vou repetindo as vossas palavras favoritas por cá: No stress; Hakuna matata; Takataka...

Em modo férias

   O maior desafio, que é fazer a mala e fechá-la com menos de 20kg, está cumprido. E não, não levo nada desnecessário. Ou talvez sim...vou mesmo dar uso às sapatilhas???
   De maneira que agora vou descansar que às 5h salto da cama e já começo a sentir o nervoso de ficar 4h fechado num avião, no ar!
   De resto, quero muito descanso, muita leitura, muito bronzeado, muitos mergulhos e muito pouco que fazer.  

Eu & o Afilhado #1

   Isto de ser madrinha até é capaz de ser giro.

   Hoje o pequenote veio-me visitar e com 8 dias de vida "ensinou-me" um pouquito do que é o mundo dos bebés. Para mim que sempre fugi deles com 4 pés, tudo é novidade. Até mesmo pegar nele ao colo. Hoje pela primeira vez em 26 anos e meio tive um bébe no colo. A sensação é estranha, porque parece tudo mole demais, frágil demais e ele parece estar sempre na posição errada. Tomei-lhe o gosto e já pedia para o pôr a arrotar (embora, de facto, não tenha ouvido nem um arroto) e ainda fui capaz de o adormecer no colo. Isto do dormir aflige-me um pouco porque parece sempre que ele de repente para de respirar, quando na verdade está só satisfeito da vida a dormir de barriguinha cheia. Também assisti à muda da fralda, mas parece-me cedo demais para enveredar por esses caminhos!

   Mas não pensam que subitamente me rendi à maternidade. Quando me perguntaram: então, custa alguma coisa cuidar de um bébe? a minha resposta foi automática: "não custa nada, porque agora tu vais levá-lo embora". Acho que nem um afilhado me vai mudar os instintos. Ou a falta deles.

Todos terão o seu 11 de Setembro

 

«Seminal, como planta de reprodução rápida cujas raízes penetram na carne para se alimentar, o medo já se apoderará de Teresa. De todos, com efeito, porque todos terão o seu 11 de setembro, não importa se este, se outro. Quando souberem, todos em todo o lado tomarão para si um momento, um breve momento, antes de continuarem a sua caminhada. Com a excepção de alguns lugares sem mundo (onde mesmo assim os pobres de espírito pressentirão a brisa gelada que arrepia as almas), o terror alastrará para dentro de todos os homens.»

"A manhã do mundo", Pedro Guilherme-Moreira

Ora então é assim...

A semana foi de loucos e fui atacada por uma maldita crise de rinite/sinusite/constipação que me acompanha desde Domingo à noite e me pôs em estado zombie toda a semana tal a quantidade de antihistamínicos que tomei. Mas agora a verdade é só uma: 
Estou de férias durante duas semaninhas.
Não me interessa que estejam a começar com chuva, porque a primeira semana vai ser aproveitada noutras terras, noutros sóis, noutras areias e noutros mares. De outro continente. E a partida é já daqui a pouco mais de 48h e já só consigo pensar no pesadelo que é fazer uma mala. E, mais uma vez, prometo a mim mesma que é este ano que não levo coisas desnecessárias e quilos de roupa na mala. Prometo mais um ano que é este ano!
Entretanto, quero muito descanso e nada de trabalho. Nada, nada!

«A manhã do mundo», Pedro Guilherme-Moreira

 

E se alguém que assistiu a tudo pudesse, de repente, acordar a tempo de evitar a tragédia?

No dia 12 de Setembro de 2001, Ayda encontrou-se com Teresa num café de Allentown e, com o jornal aberto sobre a mesa, foi implacável com os que tinham saltado das Torres Gémeas, chamando-lhes cobardes; mas não disse à amiga que, na verdade, o que sentia era outra coisa, uma grande frustração por o marido e o filho a terem abandonado e rumado a Nova Iorque num momento em que ela se recusava a tomar a medicação e lhes tornava a vida um Inferno – e de não ter coragem de fazer o que esses tinham feito. Entre os que saltaram, estavam Thea, Millard, Mark, Alice e Solomon – todos personagens fascinantes, com histórias de vida simultaneamente banais e extraordinárias –, que o acaso reuniu no 106.º piso da Torre Norte do World Trade Center naquela fatídica manhã. Se Ayda, por hipótese, conhecesse essas histórias e o drama que eles enfrentaram, decerto não os teria insultado tão levianamente. Mas poderá o destino dar-lhe uma oportunidade de rever a História? Este é um romance admirável sobre o medo e a coragem, o desespero e a lucidez, a culpa e a expiação; mas é também um livro sobre Einstein e os universos paralelos, sobre o que foi e o que podia não ter sido. No décimo aniversário do 11 de Setembro, a memória não basta, é preciso combater o esquecimento indo para junto dos heróis que viveram o horror e compreender cada um dos seus actos – se necessário, saltar com eles, conhecer aquela que foi a manhã do Mundo.

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   Adorei este livro. Há muito tempo que andava curiosa por lê-lo e procurei-o na Feira do Livro do Porto este ano. Dá-nos uma outra perspectiva do que foi o 11/9, pela lente daqueles que saltaram das torres. Claro que é uma perspectiva ficcionada, mas não deixa de ser interessante tentar pensar como aquelas pessoas poderão ter pensado.