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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Elogios de um casaco

   O meu novo casaquinho branco da Blanco faz maravilhas e está prestes a ganhar o prémio de peça de roupa que melhor me fica.

   A saber, tenho ouvido comentários como:

   - "Está tão bonita, tão bonita, tão bonita com esse casaco"

   - "Aaahhh...vem muito chique hoje. Cuidado com esse casaco, fica-lhe mesmo bem"

   - "Olha para ela, toda vaidosa...nem lhe toco para não sujar esse casaco tão bonito"

   - "Está tão bonita a Sra. Dra...esse casaco fica-lhe mesmo bem...parece uma ovelhinha!"

   E o meu preferido: "Aaahhh...hoje vem muito Chanel!!!"

«Os Pilares da Terra - vol1», Ken Follett

 

A trama centra-se no século XII, em Inglaterra, onde um pedreiro persegue o sonho de edificar uma catedral gótica, digna de tocar os céus. Em redor desta ambição soberba, o leitor vai acompanhando um quadro composto por várias personagens, colorido e rico em acção e descrição de um período da Idade Média a que não faltou emotividade, poder, vingança e traição.

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   Custou-me entrar na história (na verdade, custou-me cerca de 200 páginas a começar a gostar deste livro), mas depois de me deixar levar acabei por me prender a cada uma daquelas personagens. E agora mal posso esperar por ler o volume II.

É por isto que eu tenho a melhor profissão do mundo!

  A Sra. J. não parou de me alertar, no seu sotaque algarvio de 94 anos que muitas vezes não percebo, para a presença dos homens que estão ali a arranjar as janelas e mais aquele preto que a minha filha meteu cá em casa e mais umas quantas pessoas que já morreram mas que hoje estavam lá em casa.

   A Sra. M., de quem nunca tinha ouvido mais de 6 palavras, hoje insultou tudo quanto havia para insultar, deu-nos um gozo valente e só não bateu na auxiliar que lhe deveria fazer a higiene (que não deixou) porque me meti ao barulho e me servi do meu título de "sra. dra, ai desculpe, sra. dra...".

   O Sr. D. mima-nos com um rol de insultos que chego a desconhecer, fala sempre na 3ª pessoa, de maneira que era o sr. a dizer "ele isto, ele aquilo", e eu a perguntar "ele quem?" e despede-se de mim com um "vá lá, vá lá e não deixe queimar muito os rojões senão ficam duros e ele não gosta".

   A Sra. D. diz-me algo como "e a Lara Fabian tem aquela voz diferente mas a cantar em espanhol eu consigo chegar àquelas notas altas e acompanhá-la" ou "se o Enrique Iglesias me ouvisse de certeza que me contratava para o coro".

   Os meus utentes são os melhores do mundo!!!!

Aviso a todos os fâs do nosso nobel

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Imperdível!
Para quem, como eu, já os tem quase todos, é a altura ideal para procurar aqueles menos conhecidos e adquiri-los por um preço fantástico (Viagem a Portuga, por 9€, já cá canta). Para quem ainda está a começar a viajar por Saramago, é uma excelente oportunidade para enriquecer a vossa biblioteca!
Não percam!

Let the crazy week begins...

 

   Esta semana vai ser uma semana como há muito tempo não tenho, já que vai ser carregadinha de trabalha e começa logo com o bónus de uma constipação repentina que me deixa completamente KO.

   Vai ser uma semana de 6 dias de trabalho, com trabalho após o horário de trabalho todos os dias, com as primeiras sessões de formação parental que este mês darei aos pais da creche em 3 centros diferentes, com formação para mim sobre um tema que me parece muito interessante - POSITIVidade - e que me vai roubar um final de dia e um sábado de descanso, com atendimentos a colaboradores da instituição, com visitas domiciliárias acompanhada pela PSP e com os habituais imprevistos diários...

   No meio de tudo isto, só mesmo uma coisa positiva: sexta-feira à noite (com muito corre-corre e uma milimétrica gestão de horários) há The Gift no Coliseu...a ver se o seu Explode me faz sentir que ainda há Primavera.

   6 days to go!!!

Nas palavras dos outros

 

Hoje não há. Porque as palavras que procuro têm de ser tudo. Fundas, claras, leves, negras. Para lhe dizer que não há felicidade que não pese nem tristeza que não voe. E que não é pela beleza, nem pela bondade, nem pelo cheiro, nem pelos olhos. E que estou aqui perante a mesa com os veios com os olhos secos desde a ameaça da noite e na indefinição da madrugada. Que pareço frio mas me desfaço. Que ...
estou sem forma e porém de pedra. Os meus lábios grossos em carne viva. Selados. A garganta seca, húmida. Como um sorriso e um choro. Frio, fome, certeza, calor. Nunca serviria um abraço. O esmagamento do esterno. Mas os olhos. Que me olhem para o fundo dos olhos e se deixem olhar pelo lapso de tempo e silêncio que duas pessoas demoram a ser camadas uma da outra, a estar dentro e entre, queijo, fiambre, pão. Que não se convoque corpo, sexo, desejo, fome, sede, nada. Só a - ah, não vou dizer. Não vou dizer alma. Só a alma. Já ouvi a Silvia Pérez Cruz e o Caetano Veloso ascenderem assim, virgem santíssima, e ninguém se queixa: "jura que una paloma no es otra cosa mas que su alma". Então que não se convoque o corpo nem a alma mas um animal, uma espécie nova, como se outra carne nascesse dessa troca de olhares. Sim, quando duas pessoas se entendem para lá de qualquer ideia ou pulsão, quando chegam a ser endógenas uma à outra, inventam outra vida. É verdade que já vi fazer isso sem olhar. A palma de uma mão nas costas de outra. Houve, afinal? Se houve afinal palavras? Não. Não são palavras.
Pedro Guilherme-Moreira, 2012
(retirado da sua página do Facebook)