Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Carnaval vs Dia dos Namorados

  

Realmente não há mix mais perfeito do que juntar na mesma semana o Carnaval e o Dia dos Namorados. Não que tenha algo contra qualquer um desses dias, simplesmente não os "festejo". Ok! O Carnaval tem muita graça enquanto somos pequenos inocentes que acreditamos que uma máscara nos pode dar super-poderes ou alterar completamente aquilo que somos, quando tudo é uma festa de serpentinas e confetis. Depois crescemos e percebemos que, apesar de o Carnaval serem 3 dias, a vida ainda são só 2 e máscaras é o que não nos vamos cansar de encontrar por esta vida fora, tamanha é a quantidade de pessoas pouco transparentes e puras com que nos vamos cruzando (viram como fui fofinha e não utilizei as palavras tamanha-é-a-quantidade-de-pessoas-falsas?). Mas muito bem, o mundo está em crise, a nossa vida está em crise e todos os motivos são bons para lhe darmos um bocadinho mais de cor e alegria, por isso, amantes do Carnaval, mascarai-vos e animai-vos. Os outros, como eu, aproveitai para descansar.

   Quanto ao Dia dos Namorados, God save us all, que esta é a minha embirração pessoal. Um dia para festejar o amor e nos lembrarmos do amor e que temos um amor (ou assim o parece) e que esse amor é tão rico e tão grande que se envaidece com rosas vermelhas, ursinhos de peluche branquinhos com corações e que mandam beijinhos enquanto dizem I love numa voz demasiadamente infantil, perfumes de marcas da moda, postaizinhos cheios de coisas fofinhas e dizeres universais e jantares à luz das velas. E pronto, basicamente é isto o dia dos namorados - 150 caracteres ao acordar, outros 150 na hora de almoço e mais 150 durante a tarde, palavras não são precisas porque os postais já trazem o trabalho feito, um jantarzinho mais ou menos saboroso mas sempre ocm muitas velas e corações, um ramo, um peluche ou para as mais afortunadas um perfumito ou, até quem sabe, uma jóiazita e está feito, vamos lá para casa despachar isto que amanhã é dia de trabalho e amanhã já nos é permitido desinvestir na relação e esquecer-mos tudo isto que não é o amor.

   Desculpem lá eu ser assim tão un-romantic e tão un-party....na verdade, até vejo uma coisa boa nestes dois dias: são os dias ideais para fazermos palhaçadas!

Crónicas de uma manhã de sábado

   Não sei porque passo a semana a sonhar com o fim-de-semana para poder dormir até mais tarde de manhã. Hoje acordei fresquíssima e com aquele pensamento de "aahhh, que bom é o fim-de-semana para poder dormir até mais tarde". Já prontíssima para me levantar e começar um sábado cheio de energia, resolvi olhar para o relógio para confirmar que "devem ser quase 9h". De facto, eram quase...6h30...mais precisamente 6h24m...a um sábado! Eu devia ter desconfiado que ainda não eram horas aceitáveis para alguém se levantar quando encontrei o gato ainda a dormir profundamente debaixo dos meus lençóis...

Histórias com gente dentro

   Ontem fiz uma visita domiciliária de luvas e máscara, só não levamos fato de astronauta porque não tinhamos, pois a situação bem o justificava. Saltando pormenores (o facto de levar luvas e máscara dispensa pormenores) mas salientando que para além de tudo isso que possam imaginar e mais alguma coisa, a casa está sem luz e sem água, o que me revolta realmente é pensar que há gente a viver em casas nas quais só conseguimos entrar de máscara colocada. E que há gente a viver nestas condições que nem de animal são e que parecem conformadas e perfeitamente satisfeitas com isso, mesmo tendo apenas 50 anos.

   Perante tantas batalhas diárias para alterar esta situação, batalhas essas que são apenas nossas, já que nenhuma das instâncias legais ou sociais que deveriam olhar por nós e cuidar de nós julga o caso suficientemente grave para intervirem, chocámos com a resistência desta pessoa que (sobre)vive naquelas condições, com a falta de cooperação, motivação, interesse, empenho ou seja lá o que for, ao ponto de nos apetecer mesmo abaná-la e gritar-lhe um "acorde, você merece muito mais que isto. A vida é muito mais que isto...".

   Mas há batalhas difíceis de lutar e ainda mais difíceis de vencer. Entretanto, este é apenas um dos muitos casos que envergonham o nosso país e nos fazem questionar que estranha e desumana forma de vida é esta.

Pág. 4/4