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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Perder o amor

 

«Não perdemos aqueles que amamos de um momento para o outro, a não ser quando a morte os leva. Na verdade, perdemos aqueles que amamos a cada decepção que eles nos dão, a cada ausência de um gesto de atenção, de mimo, de amizade ou de respeito. Vamos perdendo aqueles que amamos quando percebemos que não nos amam da mesma maneira, quando eles se instalam na nossa vida mas não se decidem a assumi-la, quando nos sentimos usados, alugados, e, consequentemente, desconsiderados. O processo de deixar de amar alguém que faz parte da nossa vida é complexo, penoso e tudo menos linear. O tempo passa, as coisas não mudam e nós ainda amamos aquela pessoa, mas amamos cada vez menos coisas nela, porque o que não gostamos ou não aceitamos vai crescendo como uma bola de neve.»

Margarida Rebelo Pinto, "O amor é outra coisa"

O amor

 

«Aliás, no amor, a maior parte das coisas não se explica, porque o amor é feito de uma matéria que está acima de todas as outras e que acumula a paixão, a atracção, o desejo, a amizade, o riso, o entendimento, a cumplicidade, a entrega, o respeito. O amor não se pode parcelar, ou é tudo ou é nada. E se aqueles que nos amam não forem loucos por nós, então é porque esse amor não vale a pena.»

Margarida Rebelo Pinto, " O amor é outra coisa"

Por favor, não abram o jornal!

 

   Ontem apeteceu-me fazer algumas actividades de grupo com os idosos de um dos nossos centros de dia. Nada programado, deixei a inspiração correr e lá fomos passando um tempinho agradável. A dada altura lembrei-me: vamos conversar sobre as notícias do jornal de hoje? Actividade básica mas bastante importante para os manter actualizados e orientados no tempo. Lá comecei, três ou quatro páginas de habemos papa, então o que acham, sabem como se vai chamar, quantos anos tem, o que acham, etc e tal. Seguiu-se o desastre azul e branco do FCP no jogo do dia anterior e as expectativas de que o SLB perdesse nessa noite (o que não se concretizou)...tudo muito animado, tudo a participar...a partir daqui foi o descalabro. Nas seis ou sete páginas seguintes apenas constavam as palavras "matou", "degolou", "esfaqueou", "agrediu", "roubou"...o risco de gerar ali um grupo de idosos completamente depressivo era enorme e resolvi parar, já muito arrependida de me ter lembrado de ler as notícias.

   Dei por mim a pensar se é disto que um país depressivo e negativista como Portugal actualmente é precisa...pelo que pude perceber, não exisia uma única notícia positiva naquelas páginas. Nos telejornais, que eu cada vez tenho menos vontade de ver, a ementa repete-se. Até nos programas da tarde todas as histórias que nos apresentam são de tristeza e desgraça. É como se esta coisa do mau e muito maus estivesse enraizada em nós. Só vemos as coisas más, parece que as procuramos, que gostamos do "coitadinho" e raramente valorizamos ou fazemos notícias do que é bom, nacional ou de fora. A única vontade que dá é de não abrir os jornais, não ligar a televisão, não ouvir rádio...é só desgraça que nos invade os sentidos.

Das pequenas coisas que me deixam bem disposta

   Chegar a casa e ainda ser dia. E isto duas vezes esta semana. É certo que os dias estão maiores, mas não é isso que realmente me satisfaz. O que me agrada é saber que esta semana consegui sair a horas duas vezes!!! Duas vezes na mesma semana! Obrigada, obrigada, obrigada!!! 

Mel

 

«Riso e entendimento eram a matéria-prima dos nossos dias. Ele puxava pelo meu lado mais leve. Sentia-me feliz, estava sempre a brincar e a fazer piadas. Ele ria e respondia. Lembro-me de começarmos na risota ao pequeno-almoço, como se o humor viesse misturado no café com leite ou barrado nas torradas entre a manteiga e o mel.»

Margarida Rebelo Pinto, "O amor é outra coisa" 

A fábula do amor

 

«Não escrevo para ele. Escrevo para que tu me possas ouvir, enquanto vou arrumando a cabeça e limpando o coração, mesmo sabendo que a primeira tarefa é infinitamente mais fácil do que a segunda. Ainda não consigo pensar em eliminá-lo de nenhum dos meus sistemas. Não é que não ambicione alcançar esse dia, mas da mesma maneira que não se força o amor, também não se deve forçar o esquecimento. Tudo tem o seu tempo e modo, estou ainda em reflexão, a aprender a aceitar uma nova realidade, da qual, aparentemente, ele já não faz parte. O que quero mesmo é contar uma história, cujo início já conheces, mas de uma outra forma. Como uma fábula. As fábulas são simples, claras, lineares. As fábulas têm um fim. O mais importante é que as fábulas têm uma moral. E, quando lá chegar, sinto que vou resgatar a paz perdida, onde quer que o Diogo esteja, dentro ou fora da minha vida.»

"O amor é outra coisa", Margarida Rebelo Pinto

Os lares de 3ª idade

   Ontem vi a reportagem da tvi sobre os lares de terceira idade ilegais. Acho importante mostrarem esta realidade, embora julgo que a mesma seja do conhecimento de todos. O que menos me agradou na globalidade da reportagem foi a ideia que passaram de que a institucionalização de idosos é algo negativo. Especialmente aqueles últimos dois ou três testemunhos de idosos escolhidos a dedo foram deveras deprimentes e excessivamente generalistas. Claro que se perguntam aos idosos que vivem naqueles lares ilegais onde são maltratados e onde lhes falta muita coisa, mas principalmente afecto, con certeza que os discursos serão deprimentes e negativistas. Mas tal não corresponde totalmente à realidade. Há muitos idosos que gostam realmente de viver em lares, que preferem aquela famíla adoptiva à solidão de uma casa fria, que percebem aquela decisão não como um abandono por parte dos filhos mas antes como algo que faz parte da vida e que não é negativo ou mau.

   Há lares em Portugal que são muito bons e onde os idosos são muito bem tratados, onde existe essa sensação de segunda família. E não estou a falar de lares com mensalidades exorbitantes (embora qualquer lar hoje em dia tenha mensalidades exorbitantes). Quanto aos lares ilegais, todos sabemos que existem e continuarão a existir. Não sei se a falha é só da Segurança Social, que dita os encerramentos e não os confirma a longo-prazo. Acredito que as famílias também falham em todo o processo. Em primeiro lugar, porque colocam os seus idosos em lares que sabem que são ilegais (e é relativamente fácil sabê-lo) e que, ainda por cima, os sujeitam a uma espécie de abandono acompanhado, não supervisionando a adaptação e as rotinas dos idosos naquele lar. Uma família atenta e interessada consegue perceber os sinais de uma negligência ou maus tratos, não só pelo comportamento do idoso, mas também pelas regras e dinâmicas da própria instituição e dos seus responsáveis.

    É, de facto, importante que nos mostrem esta realidade, de forma a que mais e mais pessoas estejam atentas e se interessem por estes assuntos, mas o que eu quero mesmo reforçar aqui é o papel fundamental da família e sobretudo sublinhar que a institucionalização de idosos não é um prenúncio de morte, um abandono ou um sinal de desinteresse das famílias. Como em tudo na vida, cada caso é um caso, e, por isso, há decisões correctas e erradas para cada caso. Mas que há lares bons , lá isso há. E que há idosos felizes em lares, disso não tenho qualquer dúvida.  

Enganar o sono

«Nas noites em que o silêncio e o vazio do quarto se tornam insuportáveis, troco a solidão da cama pelo sofá da sala. (...) Não estás lá, mas de laguma forma é mais fácil enganar o sono num sofá forrado a riscas desbotadas e a boas memórias do que numa cama com almofadas para dois. A ausência da obrigação de dormir engana a ansiedade. E o sono acaba por vir, porque ninguém sobrevive sem dormir (...)»

"O amor é outra coisa", Margarida Rebelo Pinto 

Supermulher

 

"Cerro os dentes, respiro fundo, endireito as costas e mantenho-me composta, calma, sensata. Dobro o choro todos os dias, às vezes não consigo, mas sei que é normal, não sou a supermulher, a supermulher não existe, só na televisão, e, além disso, usa um fato horrível e uma peruca sinistra. Ninguém no seu perfeito juízo se quer parecer com ela."

O amor é outra coisa, Margarida Rebelo Pinto