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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

«O Filho de Mil Homens». Valter Hugo Mãe

 

Esta é a história de Crisóstomo que, chegando aos quarenta anos, lida com a tristeza de não ter tido um filho. Do sonho de encontrar uma criança que o prolongue e de outros inesperados encontros, nasce uma família inventada, mas tão pura e fundamental como qualquer outra.

As histórias do Crisóstomo e do Camilo, da Isaura do Antonino e da Matilde mostram que para se ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode, nunca deixando contudo de acreditar que é possível estar e ser sempre melhor. As suas vidas ilustram igualmente que o amor, sendo uma pacificação com a nossa natureza, tem o poder de a transformar. 

Tocando em temas tão basilares à vida humana como o amor, a paternidade e a família, O filho de mil homens exibe, como sempre, a apurada sensibilidade e o esplendor criativo de Valter Hugo Mãe. 

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   »Todos nascemos filhos de mil pais e de mais mil mães, e a solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo. Como se os nossos mil pais e mais as nossas mil mães coincidissem em parte, como se fossemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós.»

 

    Depois deste livro tenho de admitir que estou completamente rendida a este escritor. Não sei se os restantes livros são assim tão bons ("A máquina de fazer espanhóis" já está ali prontinho a ser lido), mas julgo que encontrei mais um daqueles escritores de quem quero conhecer a obra completa.

   Vocês que já o leram, não sentem uns traços de Saramago aqui e acolá? Na escrita, nos discursos, na própria história...fiquei com essa sensãção logo após as primeiras páginas. E gostei tanto!

Rei ou rainha nenhuns...

«Estavam à mesa carregados de passado, mas alguém fora capaz de tornar o presente num momento intenso que nenhum dos convidados quereria perder. Naquele instante, nenhum dos convidados quereria ser outra pessoa. O Crisóstomo pensava nisso, em como acontece a qualquer um, num certo instante, não querer trocar de lugar com rei ou rainha nenhuns de reino nenhum do planeta.»

Valter Hugo Mãe, "O filho de mil homens"

Um bom livro, tem de ser um bom livro...

«Para entreter curiosidades, o velho Alfredo oferecia livros ao menino e convencia-o de que ler seria fundamental para a saúde. Ensinava-lhe que era uma pena a falta de leitura não se converter numa doença, algo que como um mal que pusesse os preguiçosos a morrer. Imaginava que um não leitor ia ao médico e o médico o observava e dizia: você tem o colesterol a matá-lo, se continuar assim não se salva. E o médico perguntava: tem abusado dos fritos dos ovos, você tem lido o suficiente. O paciente respondia: não senhor doutor há quase um ano que não leio um livro, não gosto muito e dá-me preguiça. Então o médico acrescentava: ah, fique pois sabendo que você ou lê urgentemente um bom romance, ou então vemo-nos no seu funeral dentro de poucas semanas. O caixão fechava-se como um livro.

(...)

Por causa disso, quando lia, o pequeno Camilo sentia-se a tomar conta do corpo, como a limpar-se de coisas abstratas que o poderiam abater muito concretamente. Quando percebeu o jogo, o Camilo disse ao avô que havia de se notar na casa, a quem não lesse livros caia-lhe o tecto em cima de podre. O velho Alfredo riu-se muito e respondeu: um bom livro, tem de ser um bom livro. Um bom livro em favor de um corpo sem problemas de colesterol e de uma casa com tecto seguro. Parecia uma ideia com muita justiça.»

Valter Hugo Mãe, "O filho de mil homens"

Assim vale a pena

   Recordam-se da avaliação da minha condição física que fiz em Março? 49kg, 29% de massa gorda? Pois bem, parece que acertei com o treino que escolhi e já começo a ver os resultados. Os 49kg continuam mas com uma descida da massa gorda para os 22%. Ou seja, se chegar aos 20% estou totalmente em forma já que 20% é o limite minimo demassa gorda. 

   Estou tão satisfeita que jä me vinguei no cart'dor e amanhã fazemos o primeiro treino da semana.

Esperar e aceitar

«Tão estranho que depois de tanto tempo e tanta mágoa pudesse pensar no amor. Amanhecera vazia, sem ninguém dentro de si mesma, e foi como se encheu com a ideia de afinal ser impossível esquecer o amor. Porque o amor era espera e ela, sem mais nada, apenas esperava. A Isaura sabia que amava alguém por vir, amava uma abstração de alguém no futuro. Ela esperava o futuro, e esperar era um modo de amar. Esperar era amar. Certamente, amava de um modo impossível o futuro. Disse: eu pensava que o amor era bom. E chorou sem qualquer convulsão porque aceitou chorar. Aceitou chorar. Havia muito que não o fazia. Talvez tivesse percebido que a natureza era, toda ela, uma expressão exuberante e que manifestar os seus sentimentos seria uma participação infinita nessa honestidade do mundo. Talvez tivesse percebido que usava de honestidade cinsigo mesma pela primeira vez em muitos anos. Disse: estou sozinha. E repetiu: estou sozinha. Desatou a falar como se não suportasse mais a boca fechada.

   Era uma mulher carregada de ausências e silêncios. Para dentro da Isaura era um sem fim e pouco do que continha lhe servia para a felicidade. Para dentro da Isaura a Isaura caía.»

Valter Hugo Mãe, "O filho de mil homens"

O que ler nas férias?

   Que sugerem para leitura de férias?

   Já sabem que eu não estou propriamente à espera das férias para pôr "a leitura em dia", já que gosto de ler diariamente, pelo menos antes de dormir. Mas quando chega o período das férias, abasteço-me com uns bons 3 livritos, único esforço mental que faço durante o período de descanso. É por isso que preciso de sugestões de livros que valha mesmo a pena ler...com o que vou publicando aqui no cantinho dá para perceber o tipo de livros que me agradam, por isso o que sugerem?

   Já tenho dois prontos para entrarem na mala: "Triplo", de Ken Follett (novo viciozinho) e "A última canção da noite", de Francisco Camacho. O que juntar aqui?

   Gostava sobretudo de investir em escritores portugueses...estou a gostar bastante de Valter Hugo Mãe, "O filho de mil homens", quem já leu outros deste escritor e gostou? E mais escritores portugueses que nos prendem às páginas? E estrangeiros?

   Fico à espera da vossa ajuda!!!