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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

E façam disso a vossa vida...

 

   Mil e um pequenos nadas que são tudo (ou quase tudo) é o nome deste blog...inspirado numa frase de um livro que li e que agora não me recordo o nome (mas sei que o li numas férias no Algarve há muitos anos) e que nunca mais me saiu da cabeça tal foi o sentido que já nessa altura fez para mim e para a minha forma de ver e de estar na vida. Porque, de facto, a vida é feita de momentos (já dizia a Pandora) que vamos coleccionando interminavelmente. Colecionamos momentos felizes, inesquecíveis, irrepetíveis quem sabe, intensos, bonitos, que nos marcam de hoje até sempre tal foi a intensidade com que os vivemos e com que os sentimos...aos quais juntamos aqueles momentos menos bons, que nos marcam de uma outra forma que é tão ou mais importante que a anterior, pois vem carregada de aprendizagens e novas oportunidades.

   Gosto de momentos, muito mais que de gestos ou palavras. Ou coisas. Gosto dos momentos em que os gestos, as palavras ou as coisas surgem. Gosto de apreciar pequenos nadas, que não são mais que pequenos momentos, e que podem ser tudo ou qualquer coisa desta vida, desde as mais gigantes e marcantes até às mais insignificantes. E gosto de gravar momentos nesta caixinha que temos cá dentro, onde só guardamos aquilo que nos torna pessoa. É por isso que, se sou coleccionadora de alguma coisa, é de momentos (ah! pensaram que era de roupa e de livros!)...e tenho quase a certeza que tenho em mim das mais colecções mais valiosas do mundo. E nunca, ninguém, jamais, terá uma colecção igual à minha. Ou tão importante como a minha.

   Comecem já a vossa.

Das manifs de 19 de Outubro

  

 Deixai-me só partilhar uma minhoquinha que me faz confusão nestas coisas das manifestações: quem é que paga aqueles autocarros todos (e o combustível) que atravessaram a ponte 25 de Abril e mais os outros que trouxeram os "protestantes" para o Porto, das mais diversas cidades do Norte?

   É que a mim, que nunca me envolvi nestas coisas nem nunca me interessei perceber a logística de tudo isto, faz-me um bocadinho de confusão (um bocadinho grande, vá!) assistir a um prostesto motivado por uma crise financeira que se faz "a bordo" de centenas de autocarros que não se deslocam a luz solar...parece-me assim coisa de, vá, protesto dos tempos modernos, mas à rico...não sei...caiu-me mal. Não sei se por ignorância minha, se por falta de actualização quanto às novas formas de se protestar...

   Quanto ao protesto em si, manifeste-se quem puder e quem quiser. Afinal é para isso que serve a democracia. Só não se esqueçam de não apontar o dedo a quem tem outras formas de expressão ou de ver as coisas...

«Nenhum Olhar», José Luís Peixoto

  

«Numa aldeia do Alentejo, com um pano de fundo de uma severa pobreza, o autor vai tecendo histórias de homens e mulheres, endurecidos pela fome e pelo trabalho, de amor, ciúme e violência: o pastor taciturno que vê o seu mundo desmoronar-se quando o diabo lhe conta que a mulher o engana; o velho e sábio Gabriel, confidente e conselheiro; os gémeos siameses Elias e Moisés, cuja terna comunhão se degrada no momento em que um deles se apaixona; ou o próprio Diabo. As suas personagens são universais, assim como a sua esperança face à dificuldade.«... a partir da segunda ou terceira sequência ficamos seguros de que a inclinação é fatal: vamos embater num limite, num muro, num enigma, na origem do mundo e no desastre final...»
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   Como já devem ter reparado, e uma vez que esgotei os livros de Saramago, tenho-me dedicado a descobrir bons escritores portugueses, premiados precisamente com o Prémio José Saramago. Tenho andado entretida com José Luís Peixoto, Valter Hugo Mãe (A descoberta!) e João Tordo e já faço planos para em breve trazer Gonçalo M. Tavares para casa.

   A escolha deste livro foi um pouco aleatória: veio-me parar às mãos enquanto olhava os livros de J. L. Peixoto e como se trata do livro vencedor do prémio Saramago nem procurei mais nenhum...tenho de admitir que ainda estou a descobrir e a entrar no universo Peixoto, por isso as minhas opiniões sobre os seus livros são ainda muito cautelosas e ainda não posso reconhecer-lhe uma escrita-padrão que me faça afirmar "gosto/não gosto disto". Não considero que tenha uma escrita e, consequentemente, uma leitura tão leve e intuitiva como outros escritores portugueses, mas trata-se, sem dúvida, de uma grande escrita produzida por quem só pode ser um grande autor. Quando leio livros assim dou por mim constantemente a questionar-me "mas que cabeça se iria lembrar de escrever isto?". Ainda bem que existem cabeças assim, que nos fazem viajar através de palavras...

   Opinião sobre o livro? Não entra para a minha lista de livros preferidos, mas tem momentos de escrita sublime e, só por isso, vale a pena ser lido.

Sofrimento

«Penso: talvez o sofrimento seja lançado às multidões em punhados e talvez o grosso caia em cima de uns e pouco ou nada em cima de outros. Ainda que o peso do meu peito seja custoso, qual é o peso de um abismo?, ainda que me sinta um cego a crescer sem olhos para um precipício, tenho que me levantar desta cama. Tenho de levantar estes braços que não são meus, tenho de levantar estas pernas que não são minhas, mas de um rochedo, e ir tratar das ovelhas. A minha cadela. O campo. O sobreiro grande. Que sombra estará agora debaixo do sobreiro grande? Ainda que caminhe pela noite ao meio da tarde, ainda que no pico do sol seja o mais negro da noite e dentro da noite seja noite também,  por tudo ser noite aos meus olhos, tenho de me levantar desta cama. Mesmo que seja para sofrer sofrer, tenho de ir ao encontro daquilo que serei, por ter sido isto e não poder fugir, não poder fugir de me tornar alguma coisa.»

"Nenhum Olhar", José Luís Peixoto 

Escuta, amor

«Por isto e por mais do que isto, tu estás aí e eu, aqui, também estou aí. Existimos no mesmo sítio sem esforço. Aquilo que somos mistura-se. Os nossos corpos só podem ser vistos pelos nossos olhos. Os outros olham para os nossos corpos com a mesma falta de verdade com que os espelhos nos reflectem. Tu és aquilo que sei sobre a ternura. Tu és tudo aquilo que sei. Mesmo quando não estavas lá, mesmo quando eu não estava lá, aprendíamos o suficiente para o instante em que nos encontrámos. 
Aquilo que existe dentro de mim e dentro de ti, existe também à nossa volta quando estamos juntos. E agora estamos sempre juntos. O meu rosto e o teu rosto, fotografados imperfeitamente, são moldados pelas noites metafóricas e pelas manhãs metafóricas. Talvez outras pessoas chamem entendimento a essa certeza, mas eu e tu não sabemos se existem outras pessoas no mundo. Eu e tu declarámos o fim de todas as fronteiras e inseparámo-nos. Agora, somos uma única rocha, uma única montanha, somos uma gota que cai eternamente do céu, somos um fruto, somos uma casa, um mundo completo. Existem guerras dentro do nosso corpo, existem séculos e dinastias, existe toda uma história que pode ser contada sob múltiplas perspectivas, analisada e narrada em volumes de bibliotecas infinitas. Existem expedições arqueológicas dentro do nosso corpo, procuram e encontram restos de civilizações antigas, pirâmides de faraós, cidades inteiras cobertas pela lava de vulcões extintos. Existem aviões que levantam voo e aterram nos aeroportos interiores do nosso corpo, populações que emigram, êxodos de multidões famintas. E existem momentos despercebidos, uma criança que nasce, um velho que morre. Dentro de nós, existe tudo aquilo que existe em simultâneo em todas as partes. 
Questiono os gestos mais simples, escrever este texto, tentar dizer aquilo que foge às palavras e que, no entanto, precisa delas para existir com a forma de palavras. Mas eu questiono, pergunto-me, será que são necessárias as palavras? Eu sei que entendes o que não sei dizer. Repito: eu sei que entendes o que não sei dizer. Essa certeza é feita de vento. Eu e tu somos esse vento. Não apenas um pedaço do vento dentro do vento, somos o vento todo.     

Escuta,     

ouve.     

Amor.     

Amor.  »

"Abraço", José Luís Peixoto

«A Chave para Rebeca», Ken Follett

 

Norte de África, Verão de 1942. Rommel parece imbatível: as suas armas secretas são Alex Wolff, espião exímio , e um código fatal enterrado nas páginas do romance de Daphne de Maurier, Rebecca. Wolf cruza o Sara escaldante e entra no Cairo para roubar os planos militares britânicos. O major Vandam, no seu encalço, encarrega a encantadora Elene de o seduzir. À medida que as tropas de Rommel se aproximam da vitória, a perseguição desenrola-se no deserto até chegar a um confronto impressionante e explosivo.

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Provavelmente, um dos livros mais boring de Ken Follett...falta-lhe emoção, energia, suspense...falta-lhe realmente qualquer coisa.