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O Império Otomano desmorona-se e a minoria arménia é perseguida. Apanhada na voragem dos acontecimentos, a família Sarkisian refugia-se em Constantinopla. Apesar da tragédia que o rodeia, o pequeno Kaloust deixa-se encantar pela grande capital imperial e é ao atravessar o Bósforo que pela primeira vez formula a pergunta que havia de o perseguir a vida inteira:
"O que é a beleza?"
Cruzou-se com a mesma interrogação no rosto níveo da tímida Nunuphar, nos traços coloridos e vigorosos das telas de Rembrandt e na arquitectura complexa do traiçoeiro mundo dos negócios, arrastando-o para uma busca que fez dele o maior coleccionador de arte do seu tempo.
Mas Kaloust foi mais longe do que isso.
Tornou-se o homem mais rico do planeta.
Inspirado em factos reais, O Homem de Constantinopla reproduz a extraordinária vida do misterioso arménio que mudou o mundo - e consagra definitivamente José Rodrigues dos Santos como autor maior das letras portuguesas e um dos grandes escritores contemporâneos.(Wook, site)
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Quando um livro me prende desde a primeira página, é isto, acabo com ele em poucos dias. Já aqui referi que gosto bastante de romances históricos, pela possibilidade de aprendizagem que representam. E julgo que também já aqui referi que gosto também bastante do José Rodrigues dos Santos enquato escritor de romances históricos, muito mais do que quando se arma em Dan Brown português e entra em teorias da conspiração e códigos e segredos que apresenta como sólidos e fundamentados mas dos quais nunca ninguém ouviu falar antes. JRS nasceu para contar boas histórias, como bom jornalista que é e como escritor agradável que tem mostrado cada vez mais ser. Mais uma vez oferece-nos uma história que nos cativa, nos faz viajar e sem nunca nos maçar com descrições e narrativas longas e enfadonhas. A segunda parte do livro já está à espera, mas antes disso, uma pausa para outras viagens, mais...animalescas, com mais um dos livros que me ofereceram pelo Natal.
Quanto a este, 100% recomendável.
Sobre os balanços. Já me viram bem a andar? Tenho quase dois metros e cento e vinte quilos - tinha cem quando era atleta, no voleibol (que eu amo irracionalmente) diziam-me que tinha perdil de jogador de râguebi, eu retorquia que os jogadores de râguebi também voavam, e foi assim que danifiquei pisos de pavilhões, excepto o de Oliveira do Douro, que era de cimento. Mas já me viram bem a andar? Eu já balanço tanto, que na altura de fazer balanços tento é ficar quieto. E a minha quietude diz-me que o ano que passou me trouxe, acima de tudo, o teatro. O teatro da fome e o teatro da escrita. Acabei o ano com duas pessoas brilhantes como íris, e tenho no corpo dezenas de sorrisos bonitos em corpos pardos que defendi enquanto advogado. Quase todos os pobres têm televisão por cabo. Alguns têm sport tv e carro. Muitos deles têm cozinhas onde não pousa uma mosca, porque serve para receber as pessoas, e a comida faz-se num pátio ou numa marquise. Estes habituaram-se a viver com pouco e estavam já musculados quando a crise chegou. Já os que tinham mais e perderam quase tudo andam aflitos e sem treino de pobreza. A miséria, essa, já lá estava e ainda aqui está. As festas foram boas para anestesiar, mas, verdade seja dita: os pobres musculados não foram ensinados a sorrir, e é tão difícil evadirmo-nos com eles, mesmo com sport tv, que eu gosto de levantar a névoa dos que perderam quase tudo menos o sorriso e algumas gargalhadas. Mesmo que seja difícil tirá-los da toca, porque o primeiro sinal da pobreza envergonhada é o desaparecimento do mundo. E, como eu balanço tanto a andar, a energia dispendida não me deixa espaço para queixas. Por isso esta história da vergonha e dos sorrisos não foi um balanço. Sou só eu quietinho. Quando nos cansamos tanto a viver, é fundamental parar muitas vezes, e a cada paragem uma gargalhada, e como o riso engana o mundo, o mundo acaba - instintivamente - a rir de volta. Há menos fome com menos balanços e mais gargalhadas. Como o palhaço que tinha uma placa pendurada ao pescoço que dizia "pf não me chamem primeiro-ministro". Ou o Calvin a dizer para o Hobbes: "A partir de hoje tenho um novo lema: "Que se foda!"; e pergunta o Hobbes: "E não é um lema um bocado forte?; e responde o Calvin: "Que se foda!"Pedro Guilherme Moreiraroubado da sua página no Facebook