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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Alimentação para a vida...

 

  Ontem durante a hora de almoço, estive a folhear o livro da Dra. Ana Bravo - "A Dieta Viva" - e achei-o bastante interessante. Sigo a página de facebook da Dra. Ana Bravo (#nutriçãocomcoração) há algum tempo e retiro de lá algumas dicas para a minha alimentação diária. Analisando assim "por alto" estas últimas dietas da moda e esta quantidade enorme de livros sobre o tema que têm sido lançados, este livro e o tipo de alimentação que sugere parece-me racional e longe dos excessos restritivos normalmente associados às dietas. Gostei acima de tudo do lema «O meu objectivo é ajudar as pessoas a adaptar a alimentação à sua vida e não a vida à alimentação», já que vai um pouco ao encontro do que eu penso acerca destas coisas.

   Longe de alguma vez ter feito (ou precisado) dieta para perda de peso, há cerca de 1 ano atrás achei que podia melhorar a minha alimentação, em prol do meu corpo, do meu bem-estar e, principalmente, da minha saúde, juntando-lhe uma boa carga de exercicio físico, é claro. Facilmente percebi que nisto da comida, o errado é pensar em obrigações/proibições. No meu caso, gradualmente me adaptei a uma nova alimentação (que vou traçando sozinha, pesqueisando aqui e ali e vendo o que realmente me satisfaz) e rapidamente me apercebi da principal conclusão: primeiro, a palavra dieta não significa pnão comer para perder peso e, segundo, o tipo de alimentação que fazemos acaba por ser um estilo de vida e não um programa temporário para atingir algum objectivo, o segredo é descobrir com o que é que nos sentimos bem. 

   Muita gente tem dificuldade em perceber quando eu digo que evito comer isto ou aquilo. Ou porque é para manter a linha, ou porque tenho a mania das dietas, ou porque simplesmente tenho a mania. O que elas não percebem mesmo e eu também não tenho pachorra para lhes explicar é que se eu evito comer isto ou aquilo (e não o "naõ como", porque não me proibo alimento nenhum) é porque, simplesmente, não quero comer isto ou aquilo, porque me sinto bem sem isso e porque descobri que se substituir isso por algo bem mais saudável me sinto igualmente satisfeita e bem comigo e com o meu corpo. E com uma correta alimentação, conjugada com um bom plano de exercicio físico, as mudanças no nosso corpo (e na nossa saúde) são visíveis e inegáveis e, acima de tudo, facéis de manter.

   Uma dieta é mesmo isto, um estilo de vida, um adaptar da alimentação à nossa vida, às nossas necessidades e aos nossos desejos de gula. Não é radicalismos ou paranóias do tipo "não como hidratos de carbono" (não me aguentava sem eles!); é ser capaz de comer de tudo o que nos agrada e saber que há escolhas que podemos fazer, deliciosas, e que tornam tudo bem mais leve.

Diz-me o que postas, dir-te-ei quem és

«Hoje disparamos a torto e a direito, literalmente. Para o bem e para o mal. Fotografamos, fotografamos, fotografamos. E postamos, postamos, postamos. Uns mais que outros, como em tudo. (...) Somos convidados a partilhar a cada momento os nossos estados de espírito, as nossas actividades, a companhia escolhida, e em simultâneo acedemos às partilhas dos outros. Por vezes podemos perder a noção dos riscos de exposição virtual da nossa intimidade.»

   Novamente a revista LuxWoman de Março a fazer-nos pensar sobre estas questões de tornarmos a nossa vida pouco nossa/privada.

   O que normalmente (e antigamente) partilhavamos com um grupo restrito de pessoas, que eram da nossa confiança e conhecidos "de longa data", hoje expomos em qualquer rede social, em busca do maior número possível de views e likes. Estaremos, desta forma, a desinvestir nas relações pessoais? Ou estaremos apenas a aproveitar-nos da facilidade com que podemos manipular a nossa imagem nas redes sociais (sim, porque só mostramos aquilo que queremos mostrar, ao contrário da vida real, onde mostramos aquilo que realmente temos para mostrar)?

   E não estaremos, sobretudo, a criar uma imagem de nós próprios que não corresponde à realidade, mais numa de "és aquilo que mostras", do que "és aquilo possuis"? Ao postarmos tanto e tanta coisa da nossa vida, permitimos que se trace uma espécie de perfil psicológico com base em fotos, estados, comentários ou posts, que poderá não corresponder àquilo que nós, enquanto pessoa sem fotos, estados, comentários ou posts, somos.

   E porque é que de repente desatamos todos a tirar fotografias a nós próprios, com o único intuito de as tornarmos públicas? Estaremos a revelar estrondosos traços narcisistas, ou estaremos apenas à procura de aprovação por parte dos outros?

«Além de podermos criar uma imagem fabricada de nós mesmos, podemos acabar por ficar muito autocentrados no nosso pequeno universo, com partilhas de pensamentos, banalidades, actividades...Quando estamos a vivenciar determinada experiência, se nos distanciamos para a partilhar em tempo real nas redes sociais, uma parte de nós deixa de estar presente nessa experiência.»

   Parece-me que está na hora de voltarmos aos tempos antigos e nos centrarmos mais em viver os momentos, sem nos preocuparmos em tirá-los do nosso mundo para o mundo virtual que nunca será verdadeiramente o nosso mundo.

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