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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

E se isto acontecesse comigo?

   Esta é a pergunta que muitas pessoas podem (e devem) fazer em determinados momentos da vida, perante uma variedade de situações. Especialmente em situações críticas ou de doença, esta deverá ser a questão-chave para sermos capazes de nos colocar na pela da pessoa que está verdadeiramente a passar pela situação. 

   Uma das muitas coisas que o meu contexto profissional me ensinou foi precisamente a colocar esta questão imensas vezes. Perante tanta dor e sofrimento humano diário, a maior parte das vezes ligado à solidão ou à doença, parar para me perguntar "e se isto acontecesse comigo?" é um exercício saudável e quen os dá toda uma nova perspectiva da vida, quando percebemos que felizmente temos passado ao lado de muitas formas de sofrimento humano. E isto, esta simples questão, ajuda-nos a colocarmo-nos na pele do outro que sofre, que desespera, que fina, que vê a vida deixar de ser vida. Provavelmente, esta questão será uma das mais sinceras formas de empatia humana, pois coloca-nos do lado de lá e é do lado de lá que a vida custa e dói, porque do lado de cá, do nosso lado, há muita coisa que consideramos como negativa, má, insuportável que não passa de ninharias quando comparadas com aquilo. 

   Vale a pena pensar nisto. 

«Os Monstros Também Amam", Clara Sánchez

Sandra tem 30 anos, está grávida de um homem que não ama e decide ir viver para uma pequena aldeia costa leste espanhola. Num dos seus passeios pela praia conhece os Christensen, um casal de octogenários noruegueses e estabelece com eles uma relação de proximidade.
Nada faria supor que estas três vidas, unidas por acaso, pudessem ser a razão de viver de Julián, um homem recém-chegado da Argentina que segue, passo a passo, os noruegueses. Um dia Julián aborda Sandra e revela-lhe detalhes do seu passado e do dos seus novos amigos. E conta-lhes que os Christensen não são quem aparentam ser. Repleto de suspense e emoção, Os Monstros Também Amam é, acima de tudo, um romance sobre as ambiguidades do ser humano, entre a maldade e o amor, e sobre a forma como as aparências escondem o lado mais negro de cada um de nós.
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   Apesar de parecer ser um fenómeno literário, não lhe reconheço essas qualidades, especialmente pela questão do suspenso, dou medo ou da emoção. É um livro ligeiramente monótono, que fica sempre a prometer precisamente emoção. Ao abordar um assunto tão forte quanto é a passagem por um campo de concentração e uma possível vingança de quem lá esteve e sobreviveu e conseguiu encontrar os monstros que quase lhe tiraram a vida, era de esperar um livro forte e de nos tirar a respiração. Mas tudo se desenvolve de maneira sequenciada e com desfechos demasiado pacíficos. 

Trail dos 4 Caminhos, com lição aprendida e sempre orgulhosa

   Hoje foi dia de mais um trail running, desta vez na serra de Alfena e Valongo. Como tinha dito, inscrevi-me nos 22km (que na verdade, ficamos a saber já em prova que eram 23), parei nos 15km e qualquer coisa. É verdade, não terminei a prova. Por mim, que estava no limite da barreira esforço/diversão e por o meu companheiro de corrida e de vida que tem um joelho de velhote que não lhe permitiu aguentar mais. 
   Quando me inscrevo em qualquer tipo de prova, faço-o porque gosto do que se vai fazer (e já aqui disse que gosto bastante de trails, muito mais do que de corridas) e faço-o acima de tudo pela diversão e para me sentir bem comigo mesma, já que fazer desporto é das coisas que melhor me faz sentir. Desde que soube da existência deste trail que não me calei com "vamos aos 22, vamos aos 22, depois dos 15k do anterior não desço para os 10!". A verdade é que era exactamente isso que deveria ter feito. O trail anterior, em Lagares, era bem menos exigente e violento que este e custou-me horrores, mas mesmo assim achei-me capaz de fazer os 22km de hoje. Este trail dos 4 caminhos era basicamente uma prova de escalada brutal, com subidas duríssimas e excessivamente longas, que me puseram o coração fora da boca e as pernas a gritar daqui até ao Algarve, escaladas essas que eram seguidas de descidas assustadoras para os joelhos e afins. A chuva que a meio nos presenteou não ajudou muito, pois o piso ficou extremamente escorregadio e perigoso e confesso que tenho muito medo das lesões que se podem arranjar com estas brincadeiras. 
   Os primeiros 5 km para mim, seja em que prova for, são sempre os mais difíceis. É este o tempo, ou a distância, que levo a alcançar a minha confort zone, que é muito mais psicológica que física. Hoje, os primeiros 5km estouraram logo comigo tamanha era a altitude das subidas. Mas tudo bem, toca a continuar e já com a sensação de conforto e "agora é que vai ser". Abastecimento dos 10km antecedido por uma subida rochosa interminável daquelas que nos fazem pensar "eu não consigo". Pensamento ao retomar a prova "estou farta disto e ainda nem a meio vamos"! A coisa melhorou um bocadinho nos 2km seguintes (que eu pensei que tinham sido pelo menos 5!), com uma parte tranquila do percurso com muita descida pouco acentuada e trilhos "selvagens" em regatos e locais de vegetação cerrada muito agradáveis. Mas os 3 km seguintes, os 3 km seguintes meus amigos, foram a morte do artista! Era subir, subir, subir, 3km que faltavam para o abastecimento que nunca mais passavam, e quando estavamos bem perto, uma subida em que a menos de meio atingi o meu limite psicológico para aquela prova! Fisicamente estava morta, mas foi o psicológico que mais peso teve. A meio daquela subida, com a campainha dos 15km a tocar, percebi que não era para aquilo que eu tinha vindo e que quando começo a desejar com todas as minhas forças que a prova termine o mais depressa possível ou eu caio para o lado, quando deixo de ser capaz de levantar a cabeça para apreciar a paisagem (e eu adoro este tipo de natureza) e, acima de tudo, quando sei com as poucas forças que me restam, que não quero continuar aquilo assim, é este o momento em que percebo claramente que tenho de parar, quando a experiência ainda é positiva e me faz desejar voltar a um trail já na próxima semana (mês, vá!). 
   Chegados aos 15km, eu no meu limite psicológico e ele no limite da dor, tomamos a melhor decisão "ficamos por aqui". Sem vergonhas, sem desanimo, sem tristeza, sem qualquer sentimento negativo. Chegamos aos 15km, o que, para este tipo de prova é muito bom, para quem não tem qualquer preparação específica ou sequer de corrida! Se eu podia ter continuado? Podia. E terminava a prova. Provavelmente com mais de 4h30 de prova, exausta e pior que tudo, com a sensação de ter ido ali para sofrer e não para me divertir. E muito provavelmente, iria fugir dos trails. E se há coisas para que isto serviu, foi para nos mostrar que não somos atletas, que não somos super-heróis e que se é para arriscar que seja numa coisa menos violenta. Desistir foi um acto de humildade e maturidade: paramos no limite e não é vergonha nenhuma ter um limite nos 15km de um segundo trail running. E assim como assim, ainda ganhamos uma viagem no jipe dos bombeiros até à meta! 
   Uma coisa é certa: em Julho estaremos de volta aos trails, mas com um objectivo já definido: mais de 15km não. Talvez para o ano nos vejam levantar poeira em distâncias superiores...

De volta aos trails

É já este Domingo que enfrento um novo desafio: um trail de corrida de 22 km. Sim, são mesmo 22 km. Podia ter ido para os 10km e contentar-me com um melhor tempo e menos km, mas depois de um primeiro trail de 15km e de ter gostado tanto não tinha coragem de fazer a coisa por menos de outros 15. Como não havia 15, vamos para os 22km. Que Deus e todos os santinhos e anjinhos me ajudem! E de resto já sabem, se não regressar, estarei algures num monte para os lados de Valongo/Alfena. 

Lembram-se da carta de gratidão?

   Pois é, sempre arranquei com a actividade a que me propus e os meus idosos já começaram a escrever os seus obrigados. 

   Utilizando como impulsionador a recente iniciativa dos CTT em criar a maior rede de obrigados do país, expliquei-lhes o objectivo da actividade e foi possível conseguir uma adesão quase total dos idosos de centro de dia, que estão neste momento a terminar a escrita das suas cartas de gratidão, ao que se segue a elaboração e decoração dos envelopes, actividade extra que introduzi de forma a criar ainda mais envolvimento de cada um na actividade.

   Facilmente nos apercebemos que os objectivos iniciais da actividade (conscientização da importância do obrigado, exteriorização de sentimentos, trabalho dos afectos) são concretizados, já que a maioria dos idosos se envolve emocionalmente na actividade, sendo que cada carta acaba por se tornar uma oportunidade de reviverem momentos ou sentimentos e exteriorizarem os seus sentimentos, dando lugar à necessidade de conversar individualmente com cada idoso acerca daquilo sobre o que estão a escrever.

   No mês de Junho realizar-se-á a entrega das cartas aos seus destinatários e também aqui espero muitas emoções!

Casais sem filhos e felizes, são cada vez mais

 revista Sábado de há duas semanas fez um artigo bastante interessante acerca deste novo "fenómeno" (que não acredito que seja uma tendência ou moda, mas sim um reflexo dos tempos e das mentalidades) dos casais que não querem ter filhos. Identificação total da minha parte, como seria de esperar! 

   Escreve-se assim a dada altura: Não havendo Euromilhões, preferem manter a vida que têm. Imprópria para crianças. Rita está no ginásio às 7h, Ricardo começa a correr às 7h30 – todos os dias; aos fins-de-semana tanto podem acordar às 12h para tomar o pequeno-almoço e almoçar às 16h, como nem sequer almoçar, ou fazer seis quilómetros a pé de Campo de Ourique ao Restelo – para comer os famosos croissants do Careca. Nunca tiram férias nem viajam em Agosto, ou na Páscoa (porque é mais caro), mas viajam todos os anos; não têm almoços de domingo ou dias fixos para ver a família, e no Verão, “à hora do cancro”, estão quase sempre na praia (...)Tal como os passeios a pé que fazem juntos, depois do jantar, ou as saídas de bicicleta quando lhes apetece, ao ritmo que querem. Comentário mais comum dos amigos com filhos (de quase todos): “Vocês não têm olheiras!” Tradução: não há miúdos a acordá-los às 7h da manhã. 

   Parece que ainda somos poucos, os casais que afirmar não quererem ter filhos (cerca de 8%), mas na última década o número de casais sem filhos aumentou significativamente. Maioritariamente parecem ser as mulheres quem ditam a tendência e as regras e somos cada vez mais as que dizemos "filhos não", sendo um fenómeno significativamente superior em mulheres instruídas e ao que parece mais inteligentes. Em termos de relacionamento conjugal, as coisas parecem correr bem para os casais que vivem um para o outro.  Depois de ouvirem cinco mil pessoas, investigadores da britânica Open University concluíram que os casais sem filhos se sentem mais valorizados, dedicam mais tempo a manter a relação, conversam de forma mais aberta, apoiam mais o parceiro e dizem mais vezes “amo-te”. E no caso dos homens, a probabilidade de se sentirem insatisfeitos com a vida sexual é duas vezes menor. Os níveis de stress também são mais baixos, diz Catarina Mexia. Por várias razões: “Têm mais tempo para eles e para o casal, responsabilidades financeiras mais baixas e uma gestão mais previsível das poupanças.”

  Já sei que muitos vão continuar a apontar o dedo do egoísmo a todos aqueles que, como eu, gritam bem alto que não querem ter filhos. É certo que não asseguramos a propagação e continuação da espécie, como há dias um colega de trabalho me dizia, mas eu acredito que a nossa passagem por esta vida e a nossa essência enquanto humanos é muito mais do que gerar uma nova vida e dar continuidade à espécie. Para mim, a minha vida tem de ser vivida da forma que me faz feliz, pois só assim é que esta passagem vale a pena. E estas coisas da felicidade são sempre muito subjectivas e completamente pessoais e intransmissíveis. É por isso que eu acredito que é possível ser-se muito feliz sem filhos, desde que seja isso que o nosso coração dite. 

Sociedade preconceituosa a nossa

   Uma notícia da passada semana informava-nos que os rapazes são as principais vítimas de bullying homofóbico nas escolas, segundo um estudo nacional realizado entre 2010 e 2013. 

   "Os dados de vitimação por bullying homofóbico são mais expressivos nos rapazes do que nas raparigas, o que se explica, em parte, pela maior pressão social relativamente a pessoas do sexo masculino do que feminino, no que toca aos papéis sociais a desempenhar, mais rígidos no homem do que na mulher”, explicam os investigadores. 

   Estes dados não me surpreendem. Quem andar neste mundo minimamente atento à realidade facilmente percebe que no que toca à discriminação sexual, ela é muito mais agressiva quando dirigida a pessoas de sexo masculino. O que este estudo vem mostrar é que estas coisas, estes preconceitos, se constroem logo muito cedo e as nossas crianças parece que já nascem a saber apontar o dedo acusador e/ou de gozo. E isto vai pela vida fora e a sociedade vai continuando a incomodar-se muito mais com a homossexualidade masculina que a feminina. É muito mais fácil apontar o dedo a "àqueles bichas, maricas ou gays" do que comentar "aquelas duas ou aquelas fufas". A sociedade incomoda-se com tudo o que parece dar um lado feminino ao homem. Porque homem que é homem não chora, não dá beijinhos a outros homens, não abraça outros homens, não veste cor-de-rosa, não põe cremes na cara. E homem que gosta de homem é quase bicho e é impensável para esta sociedade ver gestos de carinho ou amor entre os dois. Já nas mulheres isto é muito mais pacífico, embora não passe despercebido, mas as mulheres homossexuais não estão sujeitas sequer a metade da pressão a que os homens homossexuais estão. 

   É a pequenez da mentalidade desta sociedade a roçar mais uma vez o ridículo. Até quando? 

Há dores que nunca se curam

   E uma delas é, sem dúvida, a dor da perda de um filho. 

   Apesar de, profissionalmente, lidar principalmente com a dor da perda dos pais, já velhinhos, as situações em que o inverso acontece, em que os nossos idosos veem partir algum dos seus filhos, são complicadíssimas, tamanha é a dor experimentada. 

   Se é certo que todos temos de morrer, o esperado é que a lei da vida prevaleça e que os mais velhos partam primeiro. O que se espera desta passagem, é ver os filhos enterrarem os pais, mas a vida tem destas armadilhas e de vez em quando troca-nos as voltas e faz-nos passar por provações quase desumanas. Ouvir um pai que enterra um filho dizer "porquê? A vida não é assim, não pode ser assim, eu é que deveria ter partido primeiro", especialmente quando esses pais são já pessoas de idade, deixa-nos com uma sensação de impotência tremenda e com a clara sensação de que, diga eu o que disser, nada, mas mesmo nada, vai atenuar aquela dor ou explicar aquela situação. O "a vida é mesmo assim" aqui não se aplica. Não se pode aplicar. E há dores tão, mas tão duras, que não podemos deixar de questionar se afinal esta vida vale mesmo a pena. 

   Um abraço forte, forte, para todos os pais que viram os seus filhos partirem, deixando-lhes uma ferida aberta que nunca será curada. 

Na cozinha: Sopa de couve-flor com alho francês e espinafres

foto retirada da net
Vamos precisar de:
  • 500g de couve-flor
  • 250g de alho-francês
  • 300g de courgette
  • Meia cebola
  • Água
  • Sal
  • Espinafres em folhas ou cogumelos
  • Azeite

E fazemos assim:

  • Levar a couve-flor, o alho-francês e a courgette a cozer com água e sal;
  • Triturar com a varinha mágica até desfazer completamente os legumes;
  • Misturar as folhas de espinafre ou os cogumelos, juntar azeite e mexer.

   Uma sopa fácil de confeccionar e muito saborosa e, para os mais aficcionados pelas dietas, sem batata. Normalmente junto-lhe cogumelos no final em vez dos espinafres, pois aprecio mais. 

   Óptima para um jantar leve, ou para um almoço, acompanhada de qualquer coisita mais consistente, para não sentirmos fome passado 1h. 

   Experimentem!

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