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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Envelhecer também é isto


Desde então comecei a medir a vida não por anos mas por décadas. A dos cinquenta tinha sido decisiva porque tomei consciência de que quase toda a gente era mais nova do que eu. A dos sessenta foi a mais intensa pela suspeita de que já não tinha tempo para me equivocar. A dos setenta foi terrível por uma certa possibilidade de que fosse a última. Não obstante, quando acordei vivo na primeira manhã... dos meus noventa anos na cama feliz com Delgadina, atravessou-me a ideia complacente de que a vida não fosse algo que corre como o rio revolto de Heraclito, mas sim uma ocasião única de dar a volta na grelha e continuar a assar do outro lado durante mais noventa anos.

Gabriel Garcia Márquez, “Memória das minhas putas tristes”,

«Memória das minhas putas tristes», Gabriel García Márquez

"Memória das Minhas Putas Tristes" conta a história de um velho jornalista de noventa anos que deseja festejar a sua longa existência de prostitutas, livros e crónicas com uma noite de amor com uma jovem virgem. Inspirado no romance "A Casa das Belas Adormecidas" do Nobel japonês Yasunari Kawabata, o consagrado escritor colombiano submerge-nos, num texto pleno de metáforas, nos amores e desamores de um solitário e sonhador ancião que nunca se deitou com uma mulher sem lhe pagar e nunca imaginou que encontraria assim o verdadeiro amor. Rosa Cabarcas, a dona de um prostíbulo, conduzi-lo-á à adolescente com quem aprenderá que para o amor não há tempo nem idade e que um velho pode morrer de amor em vez de velhice. A escrita incomparável de Gabriel García Márquez num romance que é ao mesmo tempo uma reflexão sobre a velhice e a celebração das alegrias da paixão.

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   Este é, provavelmente, o livro de García Márquez que mais gostei até à data, por ser o mais emotivo ou emocional.

 

Histórias com gente dentro

   Sr. J., 94 anos, acamado há alguns meses e recém chegado de um período complicadissimo no hospital, muito debilitado. Num estado de semi consciência,  enquanto eu converso com a esposa. De repente, desperta e levanta todas as questões: "Diga-me Dra., porquê? Que mal fiz eu a Deus para merecer isto por que estou a passar? Porquê que ele não me leva? O quê que eu estou aqui a fazer? Porquê?  Para quê?. E regressa ao seu estado ausente, de vida suspensa.

   Nunca, jamais, algum livro, algum curso, algum expert, algo ou alguém,  nos irá ensinar a responder da forma certa ao mais puro sofrimento humano. Nunca. 

É só impressão minha...

..ou anda por aí uma invasão de solas brancas em tudo quanto é abrigo para os pés?

Basta dispensarmos 5 minutos da nossa atenção ocular com os diversos modelos de sapatinhos que os portugueses estão a usar por estes dias para facilmente percebermos que o branco reina com maioria absoluta no que a solas diz respeito. Há-as para todos os gostos, feitios, alturas, espessuras e modelos, desde o sapato à sapatilha, passando pela sandália, para o menino e para a menina. O importante e que salta logo à vista é ser branco e bem branco e suficientemente visível! 

Nada contra, atenção! Que cada um usa o que bem lhe apetecer e gostar, mas é apenas mais uma prova de que isto do "agora usa-se" é a maior das epidemias dos tempos fashionistas em que vivemos. 

Portugal fit mas pouco...

   E isto para não vermos grandes resultados...
  Do alto da minha ignorância mas da minha experiência de há mais de um ano (não falo de experiência de emagrecimento, porque felizmente nunca precisei, mas sim de uma experiência de mudança de estilo de vida), ficava bem mais barato a esta gente ter cuidado com a alimentação, pagar uma mensalidade num bom ginásio, treinar como deve de ser e largar o sofá e oMc Donalds aos fins-de-semana. 
   Desconfio sempre desses produtos milagrosos que prometem emagrecimentos fantásticos sem esforço pessoal nenhum. Não passa de mais uma forma de iludir o povo, fazê-lo gastar uma massarocas e desresponsabilizar a pessoa no processo sempre duro mas não impossível da perda de peso. 
   Não há nada como uma boa alimentação e uma boa suadela para a balança nos mostrar os valores que queremos e sem magoar muito a nossa conta bancária. 

«Crónica de um morte anunciada», Gabriel García Márquez

Vítima da denúncia falaciosa de uma mulher repudiada na noite de núpcias, o jovem Santiago Nasar foi condenado à morte pelos irmãos da sua hipotética amante, como forma de vingar publicamente a sua honra ultrajada e sob o olhar cúmplice ou impotente da população expectante de uma aldeia colombiana: é esta a história verídica que serve de base a este romance, e que, logo nas suas primeiras linhas, é enunciada.

A capacidade de Gabriel García Márquez em reconstruir um universo possuído pela nostalgia, mágica e encantatória da infância e a sua genial mestria em contar histórias fazem deste romance mais uma das obras-primas que consagraram definitivamente este autor.
Wook.pt
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   E aos poucos lá vou continuando a minha viagem por García Márquez. 
   Este é um livro pequeno, muito fácil de se ler, sem grandes floreados ou mesmo história, mas que tem por lá aquela coisinha misteriosa que nos prende, como só os grandes génios da literatura sabem fazer. 
   Mais dois García Márquez aguardam a sua vez na minha biblioteca de verão. 

Compaixão

1.Sentimento benévolo que nos inspira a infelicidade ou o mal alheio.

2. lástimapiedade.

3. Do latim compassiōne-, «sofrimento comum»
Depois das definições do dicionário da língua portuguesa, fica esta:

Compaixão no sentido que a palavra recebe no Oriente, onde se relaciona com o amor na sua forma mais franca, aquela que não passa apenas por ajudar a paliar o sofrimento da outra pessoa, mas também o nosso próprio sofrimento. (...) a compaixão é tida como a atitude de amor que nasce da observação do sofrimento (algo muito diferente da pena ou dó), como o fluxo do amor no sentido mais amplo da palavra: um amor que possa ajudar verdadeiramente a pessoa que está a sofrer. (...) A compaixão deve ser vista como a capacidade de mobilizar o amor quando nos apercebemos de que outra pessoa está em sofrimento. ["Viver com Alzheimer", Dr. José Luis Molinuevo].

Qual vos parece a definição mais adequada, do ponto de vista humano? A resposta é simples e não há muito em que pensar. Chega daqueles sentimentos de "coitadinho de quem está a sofrer", chega de pena, de dó, de piedade, de "ai que desgraça haveria de acontecer". Transformemos todas essas lamentações em amor pelo outro e em tentativas efectivas de o ajudar, de o pôr lá para cima, de o pôr a sorrir em vez de chorarmos com ele. 

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