Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Não. Mil vezes não.

E o padre pergunta-me, agora mesmo, se quero amar-te na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, e eu só sei dizer que não. Não. Orgulhosamente não como há vinte anos não. Continuo a não te querer amar na saúde, a não te querer amar na doença. Não. Mil vezes não. Quero amar-te sem condições. Quero amar-te: eis tudo o que num casamento deveria ser dito.
O problema de Deus é nunca ter amado assim.
E o problema dos casamentos é ter palavras a mais. 
Pedro Chagas Freitas, "Prometo Falhar"

Não sou

Foto do ano passado, em Cabo Verde

Não sei a mulher que sou mas sei a mulher que não sou. Não sou a mulher que se esconde nos tachos, a mulher que se cala nas horas, que se entrega ao embuste da segurança, à fraude suportável de ver passar o tempo. Não. Não sou. Não sou a mulher do fado e das lágrimas, a mulher do enfado e das rotinas, dos sonhos que se arrastam pelas esquinas. Não. Não sou. Não sou a mulher de sorrisos quando existe a gargalhada, de aldeias quando existe o mundo. Não sou nem um milímetro menos do que aquilo que posso ser, e se um dia cair foi porque tentei saltar e não por que preferi aceitar.

Pedro Chagas Freitas, "Prometo Falhar"

Mas até lá...

Se estas conformado só te falta mesmo ser sepultado. (...)

(...) A conformação é a ausência de sonhos, a ausência de objectivos, a ausência de projectos, a ausência de vontades: a ausência de revolução. E há cada vez menos revolução no mundo. Se não há revolução podes ser tudo; mas feliz é que não. 

(...) Noventa e oito por cento das pessoas dizem «mas» sempre que falam; e os outros dois por cento são felizes. Por mais que tenham dificuldades (e têm tantas, tantas tantas), por mais que por vezes pareça que não vai dar para chegar lá (e são tantas vezes, tantas tantas). Por mais que tudo lhes diga «mas», há sempre pessoas que não se conformam.

O grande segredo para estares vivo é, por mais evidente que pareça, só morreres quando fores sepultado. 

Até lá, tens a obrigação se sonhar, de projectar, de acreditar. Até lá tens a obrigação de tentar.

Pedro Chagas Freitas, "Prometo Falhar"

Envelhecendo

foto retirada da net

Envelhecer é andar de costas?

Sim. Caminhas na direcção contrária à daquilo que olhas. Andas para a frente e só sonhas para trás. 

Sonhar para trás mata. Há que ser criança. Há que olhar para uma ruga como se olha para um Action Man ou para uma Barbie. Tirá-la da caixa, ficar fascinada por ela, explorá-la, perceber que é apenas pele dobrada: fascinante pele dobrada. Aprender a envelhecer é aprender a brincar. Ser velho é aprender tudo outra vez. O mundo mudou quando tu mudaste. O mundo envelheceu quando tu envelheceste. O que antes era uma banalidade é agora uma impossibilidade. Queres jogar futebol e não consegues, queres dançar toda a noite e não consegues. E a tua vida é muitas horas do teu dia isso: queres e não consegues. O mundo mudou para ti. Tens de aprender tudo de novo. O que fazer, como fazer. Tens de te inventar para não seres dizimado. Não há momento mais triste do que aquele em que desejas algo e o corpo te impede de teres algo.

Pedro Chagas Freitas, "Prometo Falhar"

E eles, com que sonharão?

   Mais uma morte que nos vem mostrar que isto de ser famoso, rico, mundialmente conhecido e ter o mundo aos nossos pés não é propriamente um ideal de felicidade.

   Não é preciso reflectirmos muito para nos darmos conta do assustador número de "famosos" que acabam a vida cedo demais. Ou acabam com a vida, que será a expressão mais correcta a aplicar. Abuso de substâncias, álcool, depressão, perturbação bipolar... as "desculpas" são sempre as mesmas e deixam-nos a pensar que a vida pode realmente dar-nos tudo, tudo, mas que para quem tem tudo e tudo a vida nem sempre é feita de sorrisos e gargalhadas, ainda que seja essa a nossa especialidade.

   A pressão e exposição a que estas pessoas estão sujeitas pode ser de uma violência brutal e humanamente intolerável. É certo que nem todos somos iguais e muitos desses "famosos" conseguirão gerir essa relação pressão-exposição de uma forma adaptativa e saudável. Mas para além do constante risco de se desviarem do caminho certo que a facilidade com que tudo lhes é acessível comporta, é preciso uma estrutura psicológica digna de prémio nobel para enfrentar uma vida de holofotes e olhos postos em nós. Eu, que tenho muitos dias em que as 7 ou 8 horas de trabalho em constante contacto humano e cheia de solicitações, chego ao final do dia saturada de tanta necessidade de estar em estado de alerta e só quero o sossego e o isolamento do meu lar, consigo facilmente perceber que não poder dar um passo sem que o mundo repare de que cor são os meus botões será provavelmente das formas mais desgastantes de viver. E se eu tenho dinheiro e me é fácil conseguir drogas e álcool, também me é ainda mais fácil usá-los como refúgio para aquilo que eu não posso ser ou para aquilo com que eu não sei lidar. E com a ajuda destas substâncias ou não, se eu tenho o mundo às costas, o mundo que me pede nada menos que a perfeição, é-me facílimo conhecer o monstro da depressão, porque a minha vida é anulada e muitas vezes substituida pela vida que vende, pela vida que os agentes querem, as revistas gostam e o público pede.

   As vidas destes famosos parecem-nos sempre perfeitas. Mas quando perdemos a conta aos casos de vidas que acabam em suicído devemos parar para pensar que se calhar estas pessoas sonham com vidas...como as nossas.

   Que descansem em paz.

«A Promessa», Lesley Pearse

 

No início de julho de 1914, a Europa vive os seus últimos dias de inocência. A jovem Belle realizou os seus sonhos. A uma infância pouco comum seguiram-se anos dramáticos, ao longo dos quais quase cedeu ao desespero. Mas a sua coragem e determinação prevaleceram. A sua vida é agora feliz. Está casada com Jimmy, o seu primeiro amor, e conseguiu abrir a elegante loja de chapéus que sempre desejou. Mas a História do mundo está prestes a mudar. A I Guerra Mundial vai arrastar consigo milhões de pessoas. Belle e Jimmy abdicam de tudo para defenderem o seu país. São ambos destacados para França, onde Jimmy vai arriscar a vida nas trincheiras e Belle conduz uma ambulância da Cruz Vermelha. É um tempo de devastação sem precedentes em que sobreviver a cada dia representa uma vitória. E é quando o passado menos ocupa os seus pensamentos que Belle será obrigada a confrontá-lo pela derradeira vez. Bastará um momento. Um homem. Um olhar. Entre a luta pela sobrevivência, uma paixão proibida e a lealdade devida a um grande amor, Belle está perante uma escolha impossível. Mas ao viver na pele um dos mais sangrentos conflitos da História, terá ela poder sobre o seu destino?  "A Promessa" é a continuação da história de Belle, a inspiradora heroína de "Sonhos Proibidos".

__________________________________________________

   Já aqui disse que Lesley Pearse é das poucas escritores de romance que gosto de ler. A fórmula é simples e estimulante: a personagem princial é sempre uma mulher carregada de sofrimento, força e coragem, o romance é q.b e não roça a lamechice e as histórias passam-se sempre em períodos marcantes da história mundial e também já é sabido que o romance histórico é dos meus géneros literários preferidos.

   Desta vez, a heroína já é conhecida e salta do anterior livro "Sonhos proibidos" e assim acompanhamos Belle durante os anos da I Guerra Mundial...motivos suficientes para nos deixarmos levar por este livro.

Prometo

Prometo amar-te até ao limite, beijar-te até à última fronteira, correr quando bastava andar, saltar quando bastava correr, voar quando bastava saltar. Prometo abraçar-te com o interior dos ossos, percorrer-te a carne com a fome absoluta, e ir à procura do orgasmo todos os dias, a toda a hora, encontrar a felicidade no doce absurdo que nos soubermos destinar. Prometo falhar. Sem hesitar. Prometo ser humano, aqui e ali ser incoerente, aqui e ali dizer a palavra errada, a frase errada, até o texto errado, aqui e ali agir sem pensar, para que raios serve pensar quando te amo tão desalmadamente assim? Prometo compreender, prometo querer, prometo acreditar. Prometo insistir, prometo lutar, descobrir, aprender, ensinar. Tudo para te dizer que prometo falhar. E Deus te livre de não me prometeres o mesmo.