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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Paço dos Duques - Guimarães

   Em Agosto Portugal rebenta de turistas e para nós, que por cá nos passeamos todo o ano, esta é uma boa altura para também vestirmos a fatiota de turistas na nossa terra e irmos conhecer o que ainda não conhecemos. Porque quando um país é cheio da maravilhas, há sempre algo mais para conhecer. Desta vez, em Guimarães.

amo-te tanto mas...

amo-te tanto mas hoje tenho de levar o carro ao mecânico (...)
amo-te tanto mas hoje tenho de ver o treino do miúdo (...)
amo-te tanto mas hoje tenho de ficar até tarde no escritório (...)
amo-te tanto mas hoje tenho de me deitar cedo (...)
amo-te tanto mas hoje não estás (...)
amo-te tanto mas hoje tenho de assinar este papel, olho-te e peço-te perdão, prometo-te que não vai haver mais mecânicos nem treinos nem clientes estrangeiros nem reuniões entre nós, garanto-te que te quero acima de tudo, olho-te mais uma vez nos olhos e procuro acalmar o que te dói, mas tu só dizes para eu assinar e eu assino, as mãos tremem e até já uma lágrima caiu sobre elas, o nosso filho quando souber vai chorar como um menino pequeno outra vez, o nosso craque, podias ficar pelo menos pelo nosso craque, ou pelo menos por mim, para me manteres vivo, Deus me salve de não te ter comigo, sou uma impossibilidade se não te tiver para gostar, ai não que não sou,
amo-te tanto mas hoje não tenho nada para fazer, a casa escura, um silêncio vazio e nada para fazer, apenas esperar que te esqueças de mim e me voltes a amar, e eu amo-te tanto, ai não que não amo.
«Prometo falhar», Pedro Chagas Freitas

Mais do que uma dieta, um estilo de vida

   Muitas vezes ouço comentários do tipo "não sei como consegues" ou "nem mesmo de férias sais da linha e perdes o controlo" relativamente à minha alimentação. Claro que estes comentários trazem sempre associada a ideia, exteriorizada ou implícita, do "tu tens é a mania das dietas" ou "não comes para não engordar".

 

   Inicialmente ouvir estas coisas irritava-me um pouco. Actualmente passam-me completamente ao lado e desvalorizo-as. Se eu as valorizasse e achasse que ainda valia a pena perder tempo a dizer uma ou duas coisinhas a estas pessoas (e aqui a minha mãe, completamente obececada com a minha relação peso/alimentação/exercício praticado, não fosse ela mãe e minha), explicar-lhes-ia que eu como tudo aquilo que me apetece e quero, ou simplesmente, como tudo aquilo que naquele momento me sinto bem a comer. Ah e tal, mas não comes como comias há uns tempos a trás. Certíssimo. Mudei significativamente a minha alimentação e guess what?, não me custou nada e sinto-me bem assim. Se mudei a minha alimentação foi porque senti necessidade de o fazer, mais do que pelas questões estéticas e de balança, principalmente como forma de cuidar da minha saúde. Não perco o controlo? Excelente! É sinal que, para mim, isto de comer bem não é uma dieta ou sequer um comportamento forçado ou imposto, mas antes um estilo de vida e a minha maneira de estar em frente a um prato. Quando as coisas surgem naturalmente em nós, a questão do autocontrolo não aparece para nos amedontrar. Eu não resisto a um buffett de doces; eu simplesmente não sinto necessidade de me empanturrar de açucar e ser gulosa nunca foi um pecado meu. Não fujo do Mc Donalds; simplesmente percebi que é um tipo de comida que não me satisfaz e que nem sequer me cai bem, organicamente falando. Eu não me proibo de comer gelados, chocolates, bolachas e outras porcarias. Simplesmente não sinto necessidade de as comer regularmente e quando me apetece pimba, como-as (mas rapidamente mas satisfaço, também é um facto).

   Julgo que depois de uma época em que existia realmente uma mania das dietas, vamos entrando aos poucos numa fase em que as pessoas começam a ter mais consciência da importância de uma alimentação saudável e da manutenção de um estilo de vida saudável. Não é só o espelho a falar, é também a nossa saúde. Nesse sentido, acredito também que cada vez mais temos pessoas que não vivem de e para dietas, a maior parte das vezes loucas e sem resultados, porque são impostas, mas que conquistam um estilo de vida cada vez mais saudável e preocupado. E sendo uma conquista gradual e natural, não haverá essa coisa do "tenho de me controlar". Tudo surge pacificamente, incluindo as nossas necessidades alimentares e aquilo que nos sacia e satisfaz. Mudei a minha alimentação, é certo. Deixei de comer algumas coisas, pelo menos nas quantidades e frequência que o fazia anteriormente, é certo. Mas não há um dia em que eu sinta falta de comer seja o que for. E quando o sinto, vou e como. Aliás e por incrível que pareça eu dizer isto, dou muitas vezes por mim a pensar "como é que eu conseguia comer tantas bolachas sem me fartar (e sem engordar, já agora) e hoje mal passo no corredor das bolachas no supermercado?". As mudanças foram surgindo naturalmente e é por isso que para mim isto faz sentido assim e é tão simples.

   Be healthy! Eat well! Feel better!

«A Noite», José Saramago

Depois de ter feito jornais, escreveu sobre eles. Foi em "A Noite", a primeira obra dramática de Saramago que o escritor dedica a Luzia Maria Martins, a pessoa que o "achou capaz de escrever uma peça". Seria mesmo. A noite de que se fala nesta peça ficou para a história: de 24 para 25 de Abril. A acção passa-se na redacção de um jornal em Lisboa e autor avisa: "Qualquer semelhança com personagens da vida real e seus ditos e feitos é pura coincidência. Evidentemente." Nem outra coisa seria de esperar. A ironia passa também pela história desta noite em que administradores e redactores entram em conflito. Uns a gritar que a máquina "há-de parar" e outros a defender que ela "há-de andar". Quando o escreveu, Saramago já sabia que, para o bem e para o mal, a máquina tinha continuado a andar.

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   Mais um livro para compôr a minha colecção de Saramgo, que fica cada vez mais difícil de aumentar, dada a grande quantidade de livros que já tenho.

   Este trata-se de uma peça de teatro e por isso é leitura é rápida e menos envolvente. Fiquei com a sensação de pouco Saramago nesta história.

O tempo que não passa

Os dias esticam e ficam mais longos, o relógio diz que não, mas, com licença, o que sabem os relógios sobre a alma humana? Não sabem nada. Alá me perdoe. O tempo demora mais a passar, muito mais, é assim que se sofre. Quando se está feliz, esse mesmo tempo passa a correr, parece que vai atrasado para uma festa, mas, se vê uma lágrima, pára e fica a ver o acidente, dá voltas à nossa desgraça e não anda para a frente como os relógios dizem que ele faz. O nosso bairro é enorme, primo, e a rua é impossível de atravessar, de tão pequeno que tudo se tornou. Estou sozinho. 

"Para onde vão os guarda-chuvas", Afonso Cruz

Que país é este?

   Hoje, enquanto lanchava em plena praça da restauração do Norteshopping, reparei num senhor a remexer nos tabuleiros abandonados. Pelo que me apercebi de imediato, o senhor andava a recolher os pacotes de açucar que não tinham sido usados. Enquanto me preparava para comentar isto com o meu namorado e dar-lhe, confesso, um tom jocoso do tipo "que o português gosta de levar os pacotes de açucar para casa já sabia, agora andar à procura de pacotes açucar nas mesas livres é o cumulo do espírito português". Provavelmente era algo do género que me teria saído, não tivesse eu reparado então no mesmo senhor a pegar em 2 pacotes de açucar, colocá-los na saco plástica, e voltar-se para trás e pegar num mini croissant que tinha ficado esquecido num tabuleiro abandonado e colocá-lo de imediato no mesmo saco plástico...

   Foi como se tivesse sido atingida por uma pedra bem no coração. Não consigo pôr em palavras o quanto aquela situação me incomodou e mexeu comigo emocionalmente. Em muito porque inicialmente julguei mal a situação. Mas sobretudo porque situações destas têm de envergonhar o nosso país. Eu sei que há muita gente a remexer no lixo, todos nós já as vimos, mas quando o desespero (ou a fome) que nos atinge coloca um ser humano num shopping à pinha à procura de restos nos tabuleiros de alguém que se pode dar ao luxo de desperdiçar alimentos...sem palavras...

   Ficou um aperto no coração que magoa e envergonha.

 

E, por favor, não desperdicem comida!!! Ultimamente tornei-me realmente paranóica com esta questão. Mas há tanta gente a passar fome, tanta, que ver comida ir para o lixo, mais do que me irritar e perturbar e fazer saltar a tampa seja com quem for, dói-me imenso.

Agosto

Mês de Verão e férias por excelência, Agosto é para mim, desde sempre, trabalho. 
Trasnpira-se Verão e o país parece que pára, mas curiosamente nunca fui grande fã deste mês, que acho sempre enorme e que parece que nos rouba o calor a cada dia que passa e eu não gosto de ter sequer de pensar que o Verão tem fim e próximo. 
Provavelmente não passa de uma quantidade enorme de sentimentos negativos recalcados pelo facto de metade do país estar de papo para o ar e pé na areia molhada enquanto eu tenho rotinas, horários, compromissos e telefone a tocar. Provavelmente...
Um excelente mês para todos e aproveitem-no, quer seja a trabalhar, quer seja a preguiçar. Eu cá fico à espera de Setembro e de mais férias de Verão para mim!

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