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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Dia Mundial da Doença de Alzheimer

«Em primeiro lugar, devíamos tratar de entender, através dos olhos do doente, o universo em que este se encontra imerso. Importa compreender que uma pessoa com Alzheimer é alguém que experimenta um processo neurológico que faz com que a sua relação com o mundo mude progressivamente.»
Dr. José Luis Molinuevo, "Viver com Alzheimer"

 

   Acho que posso dizer que tenho "a sorte" de lidar de perto e diariamente com o universo Alzheimer. Sorte, primeiro porque até à data lido com este mal apenas profissionalmente; e sorte, porque lidar de perto com estas coisas nos dá, como já várias vezes aqui o referi, uma bagagem emocional indispensável para sabermos valorizar a vida que temos e aquilo que nos acontece.

   Alzheimer é sofrimento. Sofrimento sobretudo para quem lida com que sofre da doença e não tanto para quem a carrega. É certo que numa fase inicial, quando a doença é apenas doença e não demência, o portador sofre com o diagnóstico e com aquilo que ele representa futuramente. Como em muitas outras doenças, não há cura e sabemos desde logo que, não morrendo de Alzheimer, morreremos com Alzheimer e as suas complicações. Mas sabemos sobretudo que, um dia, tudo vai ser nada e vazio e todos os dias nos vamos esquecer de quem somos, de quem fomos e de quem são os nossos ou, simplesmente, do que é o mundo que nos rodeia. E é neste momento que quem mais sofre são os familiares/cuidadores, porque o doente está já num estado de alheamento da realidade que o transforma em nada, ainda que, e a experiência têm-me mostrado isso várias vezes, aparentem ser as pessoas mais felizes do mundo. É esse alheamento da realidade que lhes traz essa felicidade, muito semelhante à inocência de uma criança - não sei quem sou, quem fui, o que se passa, o que se passou ou que poderá vir e por isso sou apenas e só feliz, com um cérebro vazio, mas que ainda me deixa sorrir. Mas a experiência também me tem mostrado que há casos em que a evolução da doença não é assim tão positiva, mas sim marcada pela agressividade, pela instabilidade emocional e por uma grande agitação comportamental. Independentemente da personalidade prévia do doente, a doença manifesta-se de múltiplas e imprevisíveis formas, sem que o doente tenha consciência ou culpa dessas manifestações, o peso maior é, sem dúvida, para quem assiste a esta perda de identidade.

   Acredito que somos aquilo que vivemos, fazemos e sentimos. E tudo isto está armazenado no nosso cérebro (e não no nosso coração, como romanticamente gostamos de pensar) sob a forma de memórias. Somos feitos de memórias. Desde as mais simples, que me permitem saber o que é um gato ou um cão e escrever cada letra deste texto formando palavras, até aquelas que ajudam a formar a nossa personalidade e criam o nosso álbum de recordações interno, pessoal e intransmissível. E se eu perder tudo isto? E se eu não conseguir aceder a essas recordações? E se eu me esquecer do que é um gato? E se eu não reconhecer o meu marido, os meus filhos, a minha família? E se eu não souber se é de manhã, de tarde ou de noite, inverno ou verão, segunda ou sexta-feira? E se eu nunca souber onde estou ou que faço ali? E se eu olhar para as minhas mãos e não as reconhecer como minhas?

   E se eu me olhar ao espelho e não me reconhecer?

   Enquanto a resposta a todas estas questões for "mas eu consigo", devemos estar gratos, seja ao que ou a quem for. Mas não devemos esquecer nunca que, um dia, o esquecimento pode chegar aos nossos ou aos nossos...

   É importante não esquecer...

 

A propósito deste dia: http://www.publico.pt/sociedade/noticia/um-filho-nao-tem-cabelos-brancos-1670223

«O Adeus às Armas», Ernest Hemingway

 

"O Adeus às Armas", muito provavelmente o melhor romance americano resultante da experiência da Primeira Guerra Mundial, é a história inesquecível de Frederic Henry, um condutor de ambulâncias que presta serviço na frente italiana, e da sua trágica paixão por uma bela enfermeira inglesa. O retrato franco e sem falsos pudores que Hemingway esboça da ligação amorosa entre o Tenente Henry e Catherine Barkley, arrastados pelo inexorável turbilhão da guerra, brilha com uma intensidade sem paralelo na literatura moderna, e a sua descrição do ataque alemão ao Caporetto – com as intermináveis filas de homens a caminhar à chuva, esfomeados, exaustos e desmoralizados – é decerto um dos grandes momentos de sempre de toda a história literária. Romance de amor e sofrimento, de lealdade e deserção, O Adeus às Armas, escrito quando tinha apenas trinta anos, é uma das obras-primas de Ernest Hemingway.

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   Hemingway, novamente. Continuo a investir nos clássicos. Hemingway e I Guerra Mundial, mistura perfeita. Ainda assim, achei a escrita um tanto imatura em alguns pontos, especialmente os diálogos românticos que chegam a ser rídiculos de tão lamechas e pirosos que são. De resto, talvez não esteja a escolher os melhores livros do escritor, mas ainda não lhe reconheci o génio literário que dizem que é.

 

Em contagem decrescente...

   Esta semana vai ser apertadíssima e passar devagar...o motivo é simples: férias. Sábado de manhãzinha rumo ao nosso Algarve para a última semaninha de descanso do Verão 2014 (S. Pedro, estou a contar contigo!) mas estes 5 dias antes vão-se estender e estender para dar conta de todos os afazeres pré-férias. Não estranhem por isso o meu "silêncio". 
   Boa semana para todos! 

Lições de vida

   Durante a visita de hoje, à Sra. L., que aos 65 anos conta com 14 de luta contra esse bicho que é o cancro, que neste momento parece estar determinado em vencer a batalha, apesar de toda a positividade e boa energia da Sra. L. : 

"Hoje sou eu que preciso que a doutora me visite e me ajude, mas o que não sabemos é se amanhã não vai ser a doutora a precisar que alguém a visite."

   Simples, básico,  mas tantas vezes esquecido e tão pleno de verdade. Quantas vezes não nos esquecemos que amanhã podemos ser mesmo nós a precisar de algo? Graças ao meu trabalho não há um único dia em que eu não pense "e se isto me acontecesse a mim ou aos meus?" e esta é talvez uma das melhores formas de valorizarmos cada pequeno nada da vida. 

I don´t hate mondays!

 

   «I hate mondays» não é slogan para mim. É claro que ao Domingo à noite já estou com aquela depressãozinha de segunda de manhã, mas por norma à segunda-feira sinto-me bem, com energia e não me custa muito deixar a cama de manhã. À terça o sentimento mantém-se. Mas a partir de quarta-feira a coisa muda e é aí que tudo me começa a custar. Quarta-feira sempre foi aquele dia da semana que não gosto. Desde sempre e quase sempre sem motivos para isso. Mas cada vez sinto mais que quarta-feira é para mim o dia da mudança: é a partir daqui que chega o mau humor, as dificuldades em sair da cama de manhã e o cansaço. Quinta-feira começa a ser um dia muito complicado para mim, provavelmente o menos motivado da semana, e até energizar-me para ir ao ginásio ao final do dia é doloroso, apesar de não falhar uma quinta-feira que seja. E depois é sexta, que é aquele dia em que me arrasto durante as horas de trabalho, à espera do final do dia, que quase sempre chega 12h depois de começar, altura em que tudo me dói e tudo me custa. Isto até perceber que no dia seguinte é fim-de-semana e ao sábado acordo cheia de energia para treinar.

   É por isso que eu não defendo o slogan "I hate Mondays", porque a verdade é que comigo é mais "Everything is fine till wednesday"!

   Pensamento positivo: amanhã já é quinta!

Intragável é não estar apaixonado

Intragável é não estar apaixonado. Por uma mulher, por um homem, por um gato, por um cão, por um cheiro, por um sol, por uma casa, por uma pele, por um sabor, por um sonho, por um trabalho, por um caminho, por um desejo, por um pecado. Apaixonado. Como um louco. Apaixonado. Inconsequentemente, desvairadamente. Sem parar. Apaixonado. Com todas as veias à procura da paixão, com todo o corpo à procura do prazer. Intragável é o que não é extraordinário. E as coisas extraordinárias não exigem actos extraordinários. As coisas extraordinárias só pedem momentos fáceis.

Pedro Chagas Freitas, "Prometo Falhar"

Amor

Não importa como vai ser o dia, o que raios vou ter de suportar, o que vou ter de fazer para a vida à volta acontecer, há tantas coisas para nos magoar, tantas lágrimas que sabemos que não podemos vencer, mas não importa o que vem aí se no final de tudo a noite e tu, a nossa cama, estender o corpo e ouvir-te respirar é quanto basta, tantos infernos e o teu instante parada em mim, o melhor dos dias é aquele que te traz.

Pedro Chagas Freitas, "Prometo Falhar"

Setembro

   Setembro é por norma sinónimo de regresso. Regressa-se das férias e da vida despreocupada para rotinas e hábitos diários, que tantas vezes nos desmotivam. Setembro é um recomeço. É o arrancar para mais um ano com um sempre saudoso "foi bom, até para o ano". Setembro é fim de Verão e a certeza de que os dias longos e quentes terminaram (se bem que este ano, os tais dias quentes nem chegaram para aquecer!); não tarda nada o Outono está aí e num instantinho pegamos nos casacões e só pensamos no Natal e no Verão que nunca mais chega. Setembro pode ser deprimente. Muito.

   Mas para mim, Setembro também é sinónimo de férias. É a última oportunidade de descanso de papo para o ar do ano e the last chance para fazer a pele bronzeada chegar ao Outono. Para mim, Setembro ainda é praia, mar e sol. Este ano não será excepção e por isso espero que estas duas primeiras semanas do mês passem a voar. Dia 13 espero descer ao nosso Algarve para a minha última semana de descanso, para, agora sim, recarregar bem as baterias para o Outono/Inverno, que para mim é sempre uma altura menos boa, especialmente pelo frio e dias cinzentões e pelo boom de quadros depressivos que surgem por esta altura e que acabam sempre por afectar um pouco a minha sanidade mental.

   De maneira que, para mim, Setembro é para já, ansia de férias, sol e calor. Lá para o dia 22, aí sim, Setembro será regresso e recomeço, com uma boa dose de mau humor à mistura e a certeza de que a vida é bem mais simples e leve quando os dias são quentes, longos e de sol.

   Um mês feliz para todos!

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