Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

E respira...

Podia dizer-te que tudo vai ficar melhor, que tudo vai correr bem com esta bosta deste país, com esta merda deste mundo, com este nojo desta sociedade, com este excremento chamado economia. Podia dizer-te que sempre que o Homem esteve em crise ficou melhor Homem, que sempre que o Homem bateu no fundo chegou mais alto. Podia ainda dizer-te que é sob pressão que mais se fala ao coração, que mais se sente a emoção. Podia fazer-te acreditar que acredito que é possível dar a volta, que é possível mudar a sorte – porque a sorte, por sorte todos o sabemos, não é mais do que a competência de quem gere o destino. Podia fazer mil e uma coisas, dar-te mil e um conselhos, mil e uma palmadinhas nas costas. Mas não: prefiro dizer-te, como te disse, para respirares. Para sentires o que tens e o que não tens como provas indubitáveis de que tens tudo aquilo de que precisas. Porque, no fundo, tudo aquilo de que precisas é um corpo para respirar e um mundo para viver. Pode ser uma merda, pode não valer a ponta de um corno. Mas é o mundo: o teu mundo. Aproveita-o. E respira. Até que te falte a respiração.

"Eu sou Deus", Pedro Chagas Freitas

Histórias com gente dentro...

   Quando ouvimos da boca de alguém com mais de 70 anos "Eu nunca fui feliz" e, conhecendo a história de vida deste alguém, sabemos que estas palavras têm tanto de duro quanto de verdadeiras, ficamos a pensar que às vezes a vida é a coisa mais complicada de ser vivida. 

   E que, na vida, nem tudo depende de nós, porque a vida pode ser traiçoeira, apesar da nossa garra e da nossa vontade de viver e lutar e viver e lutar e viver... e injusta, sobretudo injusta.

   Uma vida que nunca foi feliz não é uma vida que valha a pena ser vivida. Não é a vida que escolhemos viver. Mas foi a vida que nos foi dada a viver. Ou a sobreviver. A aguentar. E agora, aos 70 e tal anos, com uma vida que nunca foi vida  presa a uma cama há 14 anos, ter a certeza que nunca se foi feliz é a pior coisa que podemos levar desta vida, que nunca o chegou a ser. 

Apesar de tudo

Apesar de tudo amar. Apesar de tudo viver. Apesar de tudo sentir. Apesar de tudo arriscar. Querer apesar de tudo. Crer apesar de tudo. Insistir apesar de tudo. Ser apesar de tudo. Ir apesar de tudo. Apesar de tudo é o melhor conselho que alguém pode dar a alguém.
Por mais coisas que nos faltem na vida há tantas coisas que não nos faltam na vida apesar de tudo.

"In Sexus Veritas", de Pedro Chagas Freitas

Quantas vezes, na nossa vida, não deveriamos ter pensado assim? Quantas vezes, naqueles momentos que consideramos demasiado duros para os conseguirmos ultrapassar, não deveriamos pensar "apesar de tudo..."

Não querendo entrar por um território que já várias vezes aqui explorei, trabalhar na área que trabalho torna este apesar de tudo das expressões mais correctas quando toca a analisar a minha vida, comparando-a às vidas com que me cruzo. Quando se lida com tanto sofrimento humano, o nosso pequeno sofrimento parece sempre menos significativo e é nesses momentos, em que eu chego perto do desespero de não saber como lidar com alguma situação da minha vida pessoal que apenas uma coisa me invade o pensamento: o meu "apesar de tudo...", porque apesar de tudo o que nos possa acontecer, temos os nossos apesar de tudo que ainda fazem a vida valer a pena. 

Quando a vossa vida estiver demasiado cinzenta, lembrem-se dos vossos "apesar de tudo"...vão ver que surgem outras cores para além do negro. 

Porque o nosso dia é todos os dias

Não é que eu não goste de fazer anos, o meu mau feitio não chega tão longe, mas simplesmente não ligo a estas coisas de aniversário. Nunca fui de grandes festejos e lembro-me perfeitamente de ser criança e não querer levar bolo para a escola neste dia porque eu não gostava de bolo! Claro que depois tive aquela fase das festinhas com os amigos, mas também isso me passou há alguns anos. A verdade é que eu valorizo o dia a dia e não apenas o dia em que celebramos o nosso nascimento. Para além disso, com a idade começou a aborrecer-me o facto de neste dia recebermos mensagens e mais mensagens de gente que nos restantes dias até nem se lembra que existimos... nisto, as redes sociais vieram dar uma ajuda fundamental. Hoje o meu facebook pessoal não pára de receber notificações! Mas quantas delas nos dizem realmente alguma coisa? Hoje entrei na minha última viagem pela casa dos 20 e para o ano achegado dos 30 terá de ser comemorada. Mas hoje os 29 entraram sem festas, sem foguetes, sem palmas e pirotecnia alusiva à data. Mas hoje tive amor, saúde, sorrisos sinceros, trabalho, treininho do bom e dois Ferrero Rocher... por mim, podemos continuar assim por mais 100 anos. Apenas mais um dia bom na minha vida e por isso é que eu estou grata. Todos os dias.

A magia do Natal por terras de Santa Maria da Feira

perlim-2014.jpg

DSC08570.JPG

DSC08579.JPG

DSC08584.JPG

DSC08587.JPG

DSC08590.JPG

DSC08591.JPG

DSC08599.JPG

DSC08606.JPG

DSC08626.JPG

DSC08634.JPG

DSC08638.JPG

DSC08651.JPG

DSC08665.JPG

DSC08676.JPG

Ter um afilhado pequenino é a desculpa ideal para voltarmos à infância e nos deliciarmos com estas coisas de criança. Este fim-de-semana lá fomos a Santa Maria da Feira visitar a quinta dos sonhos do Perlim, uma espécie de mini parque temático alusivo ao Natal, com diversos espectáculos e atracções para os mais pequenos, mas que também enchem os corações dos meus graúdos, especialmente nesta altura do ano. Quem não gosta de teatrinhos com músicas engraçadas, árvores de Natal, neve artificial, luzinhas a piscar, renas, duendes, histórias em castelos, bonequinhos, o pai natal...tudo regado com muitos sorrisos, muita magia, muito frio e muito cheirinho a açucar no ar? 

Bem mais bonito, enriquecedor e barato que uma ida ao circo! Se estão por perto, passem por lá com as vossas crianças (ou não!) e deixem-se levar! 

Saudade vs Nostalgia

   Para mim não são a mesma coisa, mas fui ao dicionário esclarecer-me:

   Saudade - lembrança grata de pessoa ausente ou de alguma coisa ou alguém de que se vê privado.

   Nostalgia - estado melancólico causado pela falta de algo.

   De modo grosseiro, considero a saudade positiva e a nostalgia menos positiva.

   A saudade tende a ser momentânea, passageira e concreta. Tenho saudades desta ou daquela pessoa, de fazer isto ou aquilo... sinto a saudade relembrando o objecto dessa saudade como algo de bom, algo que passou mas deixou saudade, sentimos-lhe a falta. Mas sentir saudade é relembrar sem ir ao passado; é trazer algo do passado para o presente.

   Bem diferente é a nostalgia. A nostalgia é ir ao passado e ficar lá preso, porque não conseguimos sair de lá ou simplesmente porque é lá que queremos estar, pois o presente não nos preenche tanto. A nostalgia é muito mais permanente e persistente que a saudade; é um estado e não apenas um mero sentimento ou sensação. A nostalgia é pesada, é dura, não nos liberta e não nos permite continuar a viver de forma plena. 

   Sentir saudades é reconhecer o que de bom nos aconteceu. A nostalgia leva-nos ao que perdemos e sem o qual ainda não sabemos viver.  

 

BoyHood

Boyhood_film.jpg

Boyhood é a vida. Naturalmente a vida. Apenas e só a vida. 

Sem grandes momentos, sem cortar a respiração, sem nos fazer querer rever o filme daqui a uns anos. Cheio de normalidade. Cheio de vida, portanto. 

Não parece cinema. 

Parece vida. 

Excelente a oportunidade de, em cinema, onde tudo é ficcionado, podermos assistir ao crescimento e envelhecimento real de cada uma das personagens, especialmente nas personagens mais jovens. 

Dezembro

tumblr_lcpunz3wiq1qbm8uxo1_500.jpg

Dezembro é "aquela" época do ano.

Dezembro é frio na rua e quentinho em casa. É casacos e camisolas grossas e cachecóis e botas. É cheiro a canela. É os meus 29 anos. É férias. É luzes nas ruas. É presentes. É Natal. 

Traz magia da que faz sorrir, Dezembro. 

Pág. 2/2