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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

A propósito das modas da alimentação saudável

"Uma das “infelizes” modas do momento nas ciências da nutrição passa por isolar um determinado nutriente ou constituinte de um alimento e extrapolar os efeitos que este poderá ter na nossa saúde, descontextualizando-o da sua matriz alimentar original."

Pedro Carvalho, assistente convidado da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto

 

Assim de repente: lactose, glúten, ácidos gordos saturados, hidratos de carbono, frutose... o que virá a seguir? 

O leite, a soja e as imitações

alternativas leite.jpg

É este o título de um artigo publicado no site Público Lifestyle e que me deixou a pensar. 

Eu sou pessoa que adora leite. Sempre gostei. Quente, frio ou morno, simples ou com cevada, vai sempre bem. Levada por estes movimentos anti-leite, também eu equacionei a possibilidade de deixar de beber leite, principalmente quando me apercebi que o meu intestino tinha dias em que não era dos meus melhores amigos. Fiz teste de intolerância à lactose, que deu negativo, e aquele outro do "uma semana sem leite, outra com" e avaliar as diferenças, que não foram nenhumas para mim. Ainda assim, duas decisões: leite sem lactose, que seria de mais fácil digestão, e redução do consumo: nunca mais que um copo por dia e apenas 2 a 3 vezes por semana. Pelo meio, abri as portas às sojas, que sempre gostei em formato líquido ou sólido, mas das quais não posso exagerar também por causa do meu intestino e até do meu estômago, e aos ditos leites, que de leite nada têm, de arroz, aveia e coco, que adoro mas é estupidamente caro (amêndoa não mi gusta!). 

Diz então este artigo que as bebidas de soja, de soja pouco ou nada têm, que a própria soja tem muitos "ses" (por acaso sempre a achei um alimento de digestão nada fácil) e que os "sumos", como lhes chamam, de arroz e etc, têm mais açucar que proteínas, concluindo com um Se tolera bem o leite de vaca e o bebe moderadamente continue. Acredite que há muitas outras coisas mais importantes que pode mudar na sua alimentação e estilo de vida para melhorar a sua saúde. 

E andamos nisto: leite de vaca faz mal, leite de vaca não faz mal. Apostem nas bebidas subsitutas do leite, mas afinal as ditas pouco subsitutem e têm mais açucar do que coisas boas? Afinal em que ficamos??? Por mim tudo bem quanto a beber leitinho. Nunca fui nessa teoria do ser humano ser o único mamífero que continua a beber leite em adulto. Se pensarmos bem, o ser humano também é o único mamífero que tem livre e fácil acesso ao leite ao longo de toda a vida. Os animais têm-no apenas enquanto são amamentamos, já que não encontram leite na natureza. Se o encontrassem será que não o beberiam? Dêem leite a um gato adulto e na maioria dos casos ele bebe-o e por algum motivo já vemos algumas marcas a venderem leite para gatos e cães. 

Afinal, quais são mesmo os malefícios do leite? É da lactose? Bebem-no sem, que deve ser mais ao menos como beber uma cerveja sem álcool. O leite faz mal mas podemos empanturrar-nos de iogurtes, usar leite para confeccionar alguns pratos e até recorrer à proteína láctea para alguns desportistas... não são contrasensos?

O Homem sempre bebeu leite. Faz parte da nossa história e como diz a Mimosa, "faz parte de nós". Para além de que o leite, mais do que uma excelente bebida, é um excelente alimento e uma riquíssima fonte de cálcio. Acho que como em tudo o que está relacionado com a alimentação, não podemos cair em extremismos e cortes radicais. Mais uma vez, moderação e variação deverá ser a palavra de ordem, ou como diz o artigo, é uma questão de ir "variando os venenos". E sobretudo, é importante não nos deixarmos levar pelas "modas alimentares" e termos sempre noção que muitas delas surgem de grandes estratégias de marketing, por algum motivo a moda do "pela sua saúde, não beba leite" foi acompanhada por um boom de tudo quanto é alternativas ao leite a preços muito pouco simpáticos (porque como é normal, tudo o que está na moda, não é barato). 

Eu vou continuar a beber o meu leitinho sem lactose, que com este frio me sabe pela vida. Venha quem vier. Nos entretantos, há espaço para os outros "sumos", porque eu gosto deles e de variar.

Vamos lá esclarecer uma coisa, que eu continuo a ser boa pessoa e sensível

   Sendo directa: eu não sou contra o subsídio de desemprego! Ok, certo, alright? Posso ter mau feitio, mas não tenho assim tão mau génio que não me permita perceber que, em alguns casos, e sublinho o alguns casos, é profundamente necessário e a única tábua de salvação. Ou a única bóia, vá, para ser mais concreta.

   Eu nunca recebi subsídio, apesar de também já ter sido desempregada, mas conheço muita gente que o recebe ou recebeu, amigos, conhecidos, pessoas de família, o meu namorado até! E sei que para a maioria dessas pessoas ele era ou é fundamental e, acima de tudo, um direito. Eu sei que posso ter uma vida facilitada e segura, pois felizmente e graças a todos os deuses, santos e anjos, tenho um emprego minimamente estável há quase 4 anos e uns pais que me ajudam até à morte. Mas também sei que a vida custa, também sei o que é estar desempregada ou trabalhar em condições precárias e com menos de 200euros por mês; é certo que na altura não tinha despesas, contas para pagar, uma família para sustentar, mas tinha uma vida para começar, projectos, sonhos, ambições e toda uma série de coisas que fui adiando e adiando à custa da minha situação profissional e monetária, ao ponto de só hoje, na barreira dos 30, poder começar a pensar na MINHA vida, sem necessidade da cama de rede fantástica que são os nossos pais. E quem por aqui passou sabe que o que custa para um jovem que quer arrancar e simplesmente encontra todas as portas fechadas. Felizmente sempre acreditei que um dia a minha estrelinha iria finalmente brilhar, e em 2011 lá aconteceu o milagre que tenho conseguido manter até hoje. 

   Mas se hoje posso dizer que tenho um emprego que me paga rigorosamente e sem falhas ao dia 30 de cada mês e que em 2013 até deixei a precariedade dos contratos para passar "ao quadro", também tenho perfeita noção que isto de nada vale e que amanhã tudo pode mudar. E nessa altura, que eu espero que nunca chegue, eu também vou querer o meu subsídio de desemprego e vou-me agarrar a ele com todas as forças, como me agarraria a uma bóia em alto mar. 

   O que me faz confusão é viver à custa e em função do subsídio, seja ele qual for, e ter aquele pensamento do "ah e tal, até nem estou mal de todo, recebo o subsídio, vou-me deixando estar até ele acabar e depois logo se vê" e nos entretantos lá vão rejeitando uma e outra proposta de emprego, porque até se ganha mais em casa e sem fazer nenhum. E se isto é frequente no desemprego, ainda mais nos RSI. Esta é a realidade com que eu lido no meu emprego e por isso é uma realidade que eu vou conhecendo e que é estupidamente comum. Famílias que vivem de subsídios, mas cujas contas bancárias têm mais actividade que a minha em época de saldos da Zara e não, não é a pagar despesas (porque com um bocadinho de sorte ainda conseguiram apoios para todo o tipo de despesas e mais algumas). Pessoas que "ai coitadinha de mim que estou desempregada há tanto tempo", mas que ostentam as melhores unhas de gel, vão ao cabeleireiro todas as semanas, fazem pequenos-almoços no café diariamente e não abdicam dos pacotes de televisão e internet com 500 canais e 100gigas ou da última playstation para o filho e o último telemóvel para o pai. Isto é que me incomoda. Este sustentar de vícios, reforçar vícios, que os subsídios podem representar. Estou em casa sem fazer nenhum, sem querer fazer nenhum e o dinheirinho a cair-me na conta todos os meses certinho... parece bom, parece! Mas a vida é tanto mais que isto. E acima de tudo é de uma terrível injustiça para quem trabalha uma vida inteira com a possibilidade de daqui a muitos anos (e cada vez são mais!),quando a merecida reforma e descanso chegarem, não ter um cêntimo que seja de reforma. É isto que me incomoda!

   Por isso não me atirei muitas pedras, mas percebam-me e apercebam-se desta realidade. Quem me dera a mim que os subsídios não existissem desde que isso significasse que todos nós temos trabalho e já nem peço que seja o trabalho de que gostamos, mas apenas aquele que nos sustenta. O importante é nunca nos acomodarmos e mentalizarmo-nos que é nos momentos difíceis que mais temos de nadar e lutar e lutar e nadar e lutar outra vez. Parar não é solução, apesar de todas as portas se fecharem. Desanimar é proibído. Desistir é a nossa morte. Acreditar é alimento para a alma e para os nossos sonhos.

   Não me quis redimir, apenas esclarecer o meu ponto de vista e o que trabalhar na área social me tem vindo a mostrar. Espero que continuem a acreditar que sou boa pessoa, com alguns momentos de revolta. 

   Haja trabalho!!!!

Um resto...

"Naquele gato, atropelado por ser gato e querer correr e querer andar e querer viver, estava toda a solidão de um mundo. Toda a solidão de um mundo que passava por ele e não olhava, de um mundo que passava por ele e não sentia. E ali ficou uma morte, um gato negro pintado de sangue, a ser pisado e repisado pelas rodas dos carros e das motas dos humanos, e aos poucos, o gato deixou de ser gato e deixou de ser ossos e deixou de ser vida morta, e aos poucos o gato passou a ser uma coisa, um dejecto, um resto."

Pedro Chagas Freitas, "Eu sou deus"

It`s not a phase

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  É isto e só isto. Só isto tudo. Uma forma de ser, uma forma de estar, uma forma de viver. A única forma com que nos sentimos bem. Aquela que é saudável sem pressões ou obrigações e que faz parte de nós. Naturalmente. Uma preferência por um estilo de vida saudável que nos permite continuar a ter uma vida ao nosso gosto e ao gosto de tudo aquilo que é bom e sabe bem, incluindo aqueles pecados alimentares que, no final, não nos pesam nada nas coxas, na consciência ou na balança. 

   E é tão bom sentirmo-nos bem...

   

As crianças de hoje

O mundo, o dos adultos e das crianças, é exactamente igual: estupidamente igual. Há que brincar, cair, magoar, levantar, voltar a brincar, voltar a cair, voltar a magoar, voltar a levantar. E a ordem pode ser trocada mas é sempre a mesma. Há que doer para viver: e até doer dá sabor a viver. É de pequeno que se percebe o caminho. E no caminho há que levantar sozinho. E não existe não levantar sozinho: quando cais, só podes levantar-te sozinho. Por mais mãos que te puxem, por mais braços que te agarrem: quando te levantas, levantas-te sozinho. E as crianças de hoje não se sabem levantar - porque os pais as impedem de cair.

As crianças de hoje não sabem o que é viver. As crianças de hoje são crianças de aviário - crianças que nunca saíram do fraldário. As crianças de hoje não sabem o que é viver porque viver é correr riscos. E correr riscos não é subir mais um nível no último jogo da Playstation ou da Wii.

 

Pedro Chagas Freitas, "Eu sou Deus"

 

Olha o subsídio!

Um desempregado sem subsídio é como um náufrago sem bóia. E um náufrago sem bóia sabe que tem de nadar muito mais depressa do que um náufrago com bóia. E nada. Nada mesmo. E vai mais longe do que algum dia chegou, e até nada crawl se for preciso - mesmo que nunca tenha nadado crawl. Um náufrago sem bóia nada mesmo que nunca tenha nadado na vida. Um náufrago sem bóia nada mesmo que não saiba nadar. É a necessidade que aguça o engenho. E é a precisão que esmiuça a inércia. Não penses que sou contra ele, o subsídio de desemprego. Nada disso. Acredito que pode, em algusn casos, ser útil. Sobretudo nos casos em que quem o recebe está, ainda, a perceber o mal que o sacano do dinheirinho certinho na conta, sem mexer a ponta de um dedo do pé, lhe faz. Não lhe faz.

Pedro Chagas Freitas, "Eu sou Deus"

 

   Faço minhas a totalidade destas palavras, duras mas diretas e reais. Em muitos casos, existir um subsídio, seja de desemprego, seja um RSI, é o maior obstáculo à procura de emprego e o maior promotor da chamada "boa vida à nossa custa". 

Respect

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A falta de respeito é o problema do mundo. Respeito por mim, por ti, pelo cego que canta e pede esmola, pelo gato vadio que se atravessa numa estrada. Já não há respeito. Já não há respeito porque tudo deixou de nos dizer respeito. É tudo distante, é tudo lá - e nunca cá. E a sociedade global que nos venderam como uma aldeia global é, na verdade, uma sociedade visceral - uma sociedade de trampa. A aldeia global, apesar de unir (e eu e o mundo estamos à distância de um clique), aparta - aparte irreversivelmente. E eu e o mundo, apesar de estarmos à distância de um clique, não passamos disso - não passamos de estar à distância de um clique.

Pedro Chagas Freitas - "Eu Sou Deus"