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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Das coisas que me fazem muita confusão...

 

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 Eu gosto de saladas e legumes e toda a espécie de verdes. Gosto de os misturar, aproveitando tudo o que tenho em casa e, basicamente, qualquer conjugação me agrada. Nas refeições fora de casa a regra é a mesma, ou seja, nenhuma! Misturar, misturar, misturar... tudo está bem por mim! 

   Ora, o que me faz mesmo confusão e que eu não percebo é essa mania que a maioria das pessoas tem de regar e complementar as saladinhas com todo o tipo de molhos, alguns dos quais misturam mais coisas do que a própria salada e que me parecem todos estupidamente calóricos e incompatíveis com a suposta alimentação saudável que estaria inerente a uma refeição "saladiana". 

   Adoro quando me perguntam "e para molho?" e a resposta "nada ou só um fiozinho de azeite se tiver" suscita aquele olhar de "really?? Nada!?!". 

   Vamos lá ser coerentes! Se é para ser saudável, fiquem-se pelo nada!

Living in a lie

   Hoje no regresso a casa pus Guano Apes a tocar no carro. Guano Apes foi talvez a banda por que mais viciei até hoje. A minha adolescência foi passada, entre outros, ao som de Guano Apes, mais do que qualquer outra banda e isto poderá bem ter sido o máximo da minha rebeldia nessa fase, juntamente com as calças da Resina (quem não usou?) e a barriga à mostra (é um facto, sempre adorei a minha barriga!).

   Hoje, ao voltar a ouvir esta banda fiz um throwback de muitos anos (e só o facto de escrever "de muitos anos" é suficientemente assustador). Há 15 anos atrás ou mais, que planos faria eu? Que sonhos teria? Que objectivos de vida? SInceramente não me lembro muito bem do que, nessa altura, esperava que fosse o meu futuro, mas decididamente recordo-me de ser uma sonhadora, como qualquer adolescente, e de acreditar que (praticamente) qualquer coisa era possível. É neste sentido que a adolescência é uma espécie de "living in a lie": vivemos tudo intensamente, acreditamos que somos donos deste mundo e de outro qualquer, apaixonamo-nos loucamente por pessoas, coisas e momentos, damo-nos demasiado facilmente, sofremos exageradamente por coisas que hoje nem recordamos, não compreendemos metade da vida e queremos mudar a outra metade e sonhamos, sonhamos muito, muito mesmo, sonhamos e acreditamos que o que sonhamos vai mesmo acontecer. Mas depois o tempo passa e nós crescemos e a vida faz-nos muito mais do que nós nos fazemos à vida. E tudo muda. E tudo é um "abre-olhos". E tudo passa. E muito se esquece. Até que percebemos que a vida real não é nada daquilo que sonhavamos ou idealizavamos ao som de uma banda rock mais ou menos agressiva e com letras de músicas que parecem sempre escritas a pensar em nós. 

   Na adolescência, o que ontem era a maior das verdades hoje é a mais pura das mentiras. Hoje é, amanhã acaba. A adolescência é isto. E é isto muito rápido, por isso é que deve ser vivida com a mesma intensidade com que fazemos um treino de HIIT. Tal como durante estes treinos, muitas vezes sentimos que não somos capazes de continuar, que chegamos ao nosso limite e que só queremos que o tempo passe a correr para tudo terminar. Mas, tal como nestes treinos, no final sentimo-nos como se tivessemos levado uma coça das boas e que simplesmente não queremos voltar aquele lugar, porque não somos capazes de resistir a outra coça igual. Mas a verdade é que voltamos uma e outra vez, porque queremos voltar, porque gostamos de voltar e porque, afinal, somos capazes de aguentar aquela coça e muitas mais iguais ou piores, até nos tornarmos mais fortes e mais fortes e mais fortes...até crescermos, nos tornarmos adultos e percebermos finalmente que na vida tudo tem um momento certo para acontecer e a adolescência é isso mesmo: um momento que tem mesmo de acontecer. 

 

 

Elogio da doença (mas também podia ser "Das coisas que me fazem mesmo muita confusão")

   Juntem um grupo de pessoas: conhecidos, amigos, familiares, o que quiserem. Deixem-nos conviver durante algum tempo e atentem nos assuntos que vêm à baila. Qual é aquele que NUNCA falha? Qual é, qual é? Isso mesmo, boa! Esta era fácil! Doença, doenças e doencinhas. As nossas, as dos nossos, as dos outros e as dos que não conhecemos mas ouvimos falar. 

   Quem é que consegui ter um Natal, uma passagem de ano ou um almoço de família sem que se falasse de alguma doença? Se há alguém que possa pôr o dedo no ar que fique já a saber que o invejo com todas as forças do meu ser! Falar de doenças tende a tornar-se uma epidemia maior que a própria doença. E o que eu gostava mesmo de perceber é de onde vem esta necessidade do ser humano em relembrar, reviver e repetir o que de negativo há na vida. É que fazendo assim uma análise rápida, a primeira justificação que encontro é a de o ser humano gostar mesmo muito de ser "o coitadinho" da mesa, ao ponto de se gerarem verdadeiras batalhas pela doença mais grave ou pelo sofrimento mais desumano.

   É simples: não percebo, não concordo, não tenho paciência, não alimento. E a minha explicação é simples: o que é que é importante nesta vida: a doença ou a saúde? Devemos estar gratos pela doença ou pela saúde? O que é melhor de cantar aos sete ventos: que estamos ou estivemos doentes ou que temos saúde (se bem que, enquanto houver saúde que nos permita falar incansavelmente da doença é porque a coisa não está tão má assim)?

   Saúde, saúde, saúde. Deverá ser sempre uma palavra de ordem na nossa vida. O maior dos desejos. O mais forte dos pedidos. A maior das bençãos. Aquilo por que devemos estar mais gratos. Saúde. Saúde da que nos permite viver e conviver e rir e saltar e disparatar e fazer tudo aquilo que nos dá na real gana e nos preenche. É a saúde que conta. Então, por favor, por favor muito grande, PAREM DE FAZER DA DOENÇA O MAIOR E MELHOR TEMA DE CONVERSA.  Agradeçam pela saúde. Esqueçam a doença. Pisem-na. Atirem-na para o fundo do baú do cérebro. E sobretudo, deixem-na à porta de qualquer momento de convívio. Em último caso, lembrem-se daquela coisa do "más energias atraem maus acontecimentos". Quem sabe se o elogio da saúde não trará mais saúde?

   Saúde!

É sempre o mesmo

   Estou sempre ansiosa pelas férias e faço sempre 1001 planos para os dias de descanso, que passam sobretudo e precisamente por isso: descanso. Poder ficar um dia inteirinho em casa, de pijama, sem fazer absolutamente nada a não ser dormir, ver um filme e ler. E quando os dias de descanso finalmente chegam, independentemente de quantos são, faço tudo, menos nada! E se há aqueles dias em que há isto ou aquilo para fazer fora de casa, há também aqueles outros dias em que realmente posso ficar em casa mas... a verdade é só uma: eu não consigo estar sem fazer nada! Eu, que já fui uma verdadeira preguiça, não consigo entrar nessa do "vou passar o dia todo sem fazer absolutamente nada!". E como nem sempre há o que fazer, eu arranjo o que fazer, que é como quem diz: dá para as arrumações (esvazio gavetas e armários à mesma velocidade com que comemos pipocas no cinema) e as limpezas. Basicamente, invento o que fazer e chego ao final do dia estafada mas com mais uma resolução: "vou ao ginásio". 

   O drama de tudo isto até não é nenhum, não fosse este pensamento recorrente que me invade em final de férias: "estive de férias e não descansei nada! Nem tive tempo para ficar o dia inteiro de pijama sem fazer nada!". E é com este pensamento que regresso ao trabalho e que me acompanha quase diariamente até ter as próximas férias, aquelas em que terei os tais dias para não fazer absolutamente nada, que afinal são dias totalmente incompatíveis com a minha personalidade. 

«1Q84», Haruki Murakami

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Um mundo aparentemente normal, duas personagens - Aomame, uma mulher independente, professora de artes marciais, e Tengo, professor de matemática – que não são o que aparentam e ambos se dão conta de ligeiros desajustamentos à sua volta, que os conduzirão fatalmente a um destino comum. Um universo romanesco dissecado com precisão orwelliana, em que se cruzam histórias inesquecíveis e personagens cativantes.

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   Primeira vez em Murakami e fui logo escolher um livro que não é um, mas três! E tendo em conta que este foi apenas o primeiro livro, é normal ter ficado com aquela sensação de pouca história contada, apesar das quase 500 páginas. Uma coisa é certa, aguçou-me a curiosidade para ler outros livros deste escritor (especialmente o último) e sobretudo a continuação desta história. 

1 Janeiro 2015

O que conta na vida não é o último ou o primeiro dia do ano. O primeiro isto, o último aquilo. O que realmente conta nesta vida é o último dia da nossa vida e esse nunca saberemos quando chegará apesar da certeza de que não falhará. Por isto e só por isto, que já é tudo e tanto, vamos fazer com que cada dia, todos os dias, conte, enquanto estamos cá para os contar.

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