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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Isto sim, são exemplos de boas práticas

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Garfield, o gato mais famoso e mais gordo do planeta vai sair do sofá e largar a lasanha para se juntar às crianças numa corrida cujo objectivo é promover a prática de exercício físico e a alimentação saudável. O convite surgiu através da APCOI e a iniciativa realiza-se dia 21 de Junho, nos jardins do Casino Estoril, em Cascais. O percurso da corrida é de dois quilómetros e a prova está adaptada a todas as idades, onde as crianças são convidadas a levar a família. Mário Silva, presidente da APCOI, explica que é necessário “combater o sedentarismo infantil por ser uma das principais causas da obesidade infantil, doença que afecta uma em cada três crianças em Portugal”.

Se até o Garfield quer ter uma vida mais saudável, estão à espera de quê? Toca a mexer criançada e pais da criançada e gente sem criançada!

Plus size (#imnoangel)

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   Parece que estão a moda as campanhas publicitárias "anti victoria secrets angels" e que até se estão a publicar por esse mundo fora fotos pessoais (e corporais) com a hastag #imnoangel. Tudo muito bem, fantástico, porque para mim faz todo o sentido o "real woman have curves" e sou uma clara defensora de tudo quanto é campanha feita por modelos que correspondam a mulheres reais e não bonequinhas de photoshop ou modelos com pernas de 2 metros mas sem formas nenhumas e com ar de quem come uma amêndoa por refeição. É certo que nem todas nós queremos ser anjos de lingerie por quem o mundo baba, que a maioria das mulheres não tem o dito "corpo perfeito" que essas ditaduras da imagem ditam, assim como é certo que, nunca estando plenamente satisfeitas com o nosso corpo, sabemos gostar de nós, do nosso corpo e das nossas imperfeições físicas e os anos e a vida ensinam-nos a conviver com elas, a aceitá-las e a disfarcá-las. Auto-estima, em todas as esferas da nossa vida, é das características pessoais que melhor nos ajuda a enfrentar o mundo e os outros com um sorriso na cara e a roupa perfeita.

   Ainda que goste de ver eventuais campanhas com modelos reais e até com as ditas modelos plus size e desse lema do #imnoangel, por vezes faz-me confusão o discurso que estas adoptam, quando deixo de olhar para o corpo daquelas imagens e passo a olhar para a saúde das mesmas. Eu posso aceitar que o meu corpo tenha mais ou menos imperfeições, mais ou menos gordurinhas localizadas, mais ou menos celulite, mais ou menos manchas e gostar do que vejo, gostar de mim. Mas eu não me posso sentir orgulhosa de um corpo com excesso de peso. Não posso orgulhar-me de algo que me deve preocupar e que me poderá prejudicar. Ter excesso de peso e estar orgulhosa disso não é um discurso que se deva passar numa campanha publicitária. Auto-estima, aceitação da nossa imagem, preocupação, ausência de obsessões com dietas e corpos perfeitos, vontade de mudar, naturalidade na forma como aceitamos e mostramos o nosso corpo, consciencialização para o nosso corpo, o nosso estado, a nossa saúde... isso sim. Vender corpos com excesso de peso e legendas de "i`m proud of it" por baixo é tão grave como vender corpos esqueléticos com asas, desnutridos, carregados de photoshop e utópicos, pois nenhum deles poderá levar a legenda "saúde" por baixo. E a saúde, a nossa saúde, é tudo o que importa.

 

 

7 minutos

   A televisão estava ligada às 20h, como é costume cá em casa, para ver as notícias enquanto preparava o jantar e o almoço de amanhã. Andava de um lado para o outro, sem olhar ou prestar muita atenção à televisão, mas a dada altura tive de parar e falar. Eram apenas 20h07 e era a quarta notícia sobre a morte de um ser humano que passava... quatro mortos em sete minutos... quatro homicídios, um deles de um bebé de 3 meses pelo próprio pai...

   Que país é este? Que vida é esta, em que se rouba a existência de outra pessoa com uma facilidade desumana? Assustador.

«Os Interessantes», Meg Wolitzer

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Numa noite de verão de 1974, seis adolescentes planeiam uma amizade para toda a vida. Jules, Cathy, Jonah, Goodman, Ethan e Ash ensaiam a atitude cool que (esperam) os defina como adultos. Fumam erva, bebem vodka, partilham os seus sonhos.
E, juram, serão sempre Os Interessantes.
Ao longo da adolescência, o talento artístico destes seis amigos foi sempre satisfeito e encorajado. Mas o tipo de criatividade que é celebrada aos 15 anos nem sempre é suficiente para impulsionar a vida aos 30 - para não falar dos 50. Nem todos vão conseguir manter viva a chama que os distingue na juventude.
Décadas mais tarde, a amizade mantém-se embora tudo o resto tenha mudado. Jules, que planeava ser atriz, resignou-se a ser terapeuta. Cathy abandonou a dança. Jonah pôs de lado a guitarra para se dedicar à engenharia mecânica. Goodman desapareceu. Apenas Ethan e Ash se mantiveram fiéis aos seus planos de adolescência. Ethan criou uma série de televisão de sucesso e Ash é uma encenadora aclamada. Não são apenas famosos e bem-sucedidos, têm também dinheiro e influência suficientes para concretizar todos os seus sonhos. Mas qual é o futuro de uma amizade tão profundamente desigual? O que acontece quando uns atingem um extraordinário patamar de sucesso e riqueza, e outros são obrigados a conformar-se com a normalidade?

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O resumo do livro diz tudo e foi suficente para despertar a minha curiosidade.

Não será propriamente "o melhor livro do ano", mas chega a ser um relato tão natural e normal da vida destas personagens que por vezes nos esquecemos que estamos a ler um livro de ficção.

Somos o que comemos

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   Foi este o tema da grande reportagem exibida esta noite no Jornal da Noite da Sic, que se centrou sobretudo na quantidade assustadora de açucar que os portugueses, especialmente as crianças, ingerem por dia, a maior parte dele "mascarado" nos alimentos habitualmente consumidos, alguns deles ditos saudáveis. Refrigerantes, bolos, bolachas, cereais de pequeno-almoço, até mesmo alguns dos supostamente inocentes iogurtes, molhos, fast food, chocolates, gomas... um sem fim de alimentos carregados dessa coisa boa para o paladar e para o cérebro (sim, para algumas pessoas, é mesmo um mecanismo de compensação ou de lidar com algo menos bom), que ingerimos inocentemente e que ao fim de um simples dia mais que triplicam a quantidade de açucar que deveriamos ingerir diariamente.

   Para mim não constituiu novidade a maioria das coisas que ali se falaram. Já há muito tempo que abri os olhos para os perigos de uma alimentação não saudável e que reduzi bastante, muito mesmo, o consumo de açucar. Acima de tudo, e para mim o mais importante que se disse naquela reportagem, preocupou não o reflexo que a minha alimentação poderia ter na balança, porque de facto para mim isso nunca foi um problema, mesmo quando comia pacotes de bolacha maria de uma vez só e cereais de mel diariamente ao pequeno-almoço, mas as consequências internas e escondidas que isso poderia vir a ter a longo prazo. Se a balança nunca oscilou muito, estava com certeza a alimentar a possibilidade de mais tarde vir a sofrer de uma carrada de doenças assustadoras e debilitantes. Talvez por ver diariamente, no meu emprego, aquilo que bichos assustadores como o AVC, a diabetes, a hipertensão, o colesterol elevado, o excesso de peso, o cancro... nos podem fazer e no que nos podem tornar ou como podem simplesmente reduzir a nossa existência a nada de um momento para o outro, a minha consciencialização foi ainda maior. Para todos aqueles que insistentemente dizem que eu tenho a mania das dietas, que não percebem porquê de tantas restrições quando sou magra ou até mesmo me acham uma espécie de viciada em exercício físico, eu respondo que estou a olhar pela minha saúde, muito mais do pela minha balança. E se continuam com dúvidas de que a alimentação é das coisas mais importantes que podemos fazer em prol da nossa saúde e das poucas que conseguimos controlar enquanto tentativa de prevenirmos determinadas doenças, eu convido-vos a assistirem a esta reportagem, ou simplesmente a acompanharem-me num dia de trabalho. Apresento-vos uns quantos casos de vidas suspensas que, quem sabe, poderiam ser diferentes se soubessemos olhar mais por nós.

   Como em tudo o resto, reduzir o consumo de açucar é uma questão de hábito e treino. O sabor das coisas é diferente, é. Mas também é mais natural e tremendamente mais saudável. E ao final de algum tempo vão começar a usar a frase que mais repito "ui, não gosto, é muito doce! Bah! Enjoa!", mesmo para aquilo que passaram uma vida a comer.

   Cuidem-se.

   

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