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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Mudanças

Acontecem de quando em quando na nossa vida e aquelas que chegam sem avisar e sem se fazer em prever, são as que mais mexem connosco mas que também se tornam as mais significativas.

Profissionalmente estou numa fase de mudança. Não de mudança de emprego ou de local de trabalho, mas mudança de funções. No mês de Julho fui nomeada pelo Conselho de Administração da instituição em que trabalho há cerca de 4 anos e meio, coordenadora de um dos nossos centros sociais. Pondo a coisa em palavras diretas e simples e como todos gostam de falar sobre isto, fui promovida a directora ou responsável ou o que quer lhe querem chamar de um centro social. Digo “como todos gostam de falar sobre isto”, porque eu ainda não consigo encarar esta situação como uma mera promoção ou valorização. Esta decisão foi-me comunicada no final do mês de Julho e desde então vivo num misto de emoções tão instáveis que às vezes não me é fácil gerir internamente tudo isto. Por um lado é inegável que tenho de ver nisto uma forma de valorização do meu trabalho. Estou lá há 4 anos, fiz o meu trabalho o melhor que pude, esforcei-me diariamente, dei o meu melhor e sem nunca sequer sonhar ou aspirar a esta posição, cheguei lá. Ou fui surpreendentemente lá colocada. Por outro lado, não consigo deixar de me sentir triste, e triste é mesmo a palavra, por ir deixar a pasta de psicóloga um pouco de lado, para me dedicar há coordenação e gestão de um centro, de uma equipa e de vários serviços. Deixar o meu trabalho é o que mais me está a custar. Mas principalmente deixar os meus velhinhos, com os quais fui criando relações para lá de profissionais e que, apesar de todos ficarem contentes quando lhes comunico o sucedido, não deixam de lamentar e partilhar a sua tristeza por esta despedida. A acrescentar a isto há a habitual ansiedade e receios por ir fazer algo completamente novo e diferente, que me vai obrigar a uma aprendizagem intensiva e exaustiva de todo um mundo novo que nunca foi o meu.

 É certo que funções de direcção/coordenação de centros sociais é uma das funções que um psicólogo pode assumir e se me perguntavam se eu um dia gostava de ser diretora técnica claro que respondia que sim. Eu sou ambiciosa, saudavelmente ambiciosa, sempre quis mais para a minha carreira e sentir que nos últimos meses a minha posição na instituição tinha estagnado um pouco, causava-me dias em que me assaltava um estado tal de desmotivação que me chegava a desesperar ao ponto de ter a certeza que não poderia fazer isto para o resto da vida. Afinal a mudança e a agitação chegaram quando eu menos esperava. Ainda não consigo sentir-me totalmente feliz com ela, mas sei que vou chegar lá. Preciso de começar (oficialmente será apenas a 1 de Setembro), ambientar-me, adaptar-me e perceber que todos os receios que tenho tido são inúteis, apesar de naturais. É claro que eu vou saber o que fazer, é claro que eu vou aprender tudo direitinho, é claro que eu vou saber “mandar” (meu deus, mas eu sempre disse que não nasci para mandar!!!), é claro que vamos fazer um bom trabalho, é claro que vai haver dias difíceis, mas é claro que os vamos ultrapassar.

aquele beijo mais quente que o verão...

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 vou acordar-te e dizer-te que te amo, passar pelo menos meia hora a ouvir-te respirar no meu ombro, depois tu vais passar pelo menos meia hora a ouvir-me respirar no teu ombro, depois vamos levantar-nos juntos, lavar os dentes juntos, fazer o brinde que fazemos sempre que lavamos os dentes, tchin-tchin, tchon-tchon, tchum-tchum, vamos beijar-nos mais uma vez, aquele beijo mais quente que o Verão, tem de ser, o que tem de ser tem muita força e neste caso até sabe bem, e finalmente vamos vestir-nos para casar,

eu vou vestir calções e tu o que bem entenderes, a surpresa faz parte do encanto, amo-te seja qual for a roupa que vestires, e sem roupa ainda mais, tenho de confessar,

quando sairmos de casa e antes de entrarmos no carro vou olhar-te nos olhos pela última vez solteira na nossa garagem, vou pedir-te que me faças o casado mais feliz do mundo porque já estou farto de ser o solteiro mais feliz do mundo, tu vais sorrir, não sei se vais segurar uma ou outra lágrima, vais abraçar-me e em silêncio dizer-me que me amas, eu vou acreditar, abraçar-te de volta e perguntar-te o que te vou perguntar mesmo depois de casarmos, a todas as horas em que precisar de sentir com palavras o que precisa de palavras - 

(diz que sim porque eu preciso de viver) queres casar comigo todos os dias?

Pedro Chagas Freitas, "Queres casar comigo todos os dias, Bárbara?"

Agosto

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    Nunca utilizarei as palavras "meu querido" antes de "mês de Agosto". Mês de férias, paragem e descanso por excelência, fujo dele como um gato da água. Nunca gostei de Agosto e todos os anos repito o mesmo discurso. Agosto é aquele mês que se arrasta muito devagarinho; é um mês em que nada dá porque "é Agosto"; um mês em que ninguém e tudo pára. Eu sei que parece um discurso contrário ao que todo o mundo grita nesta altura, em que Agosto é festa e sol e calor e praia e férias e liberdade para tudo e mais alguma coisa, mas para mim Agosto é, provavelmente, o mês que menos aprecio. Não porque o passo a trabalhar (faço-o por opção), mas porque Agosto me sabe a final. A final de verão principalmente, apesar de já há alguns anos fazer sempre férias em Setembro, numa tentativa de adiar esse final de verão o máximo. Agosto é, para mim, aquela altura do ano em que cai sobre mim um estado de desmotivação e insatisfação em que o mais aconselhável é manterem-se longe. 

   Este ano o mês de Agosto vai ser ainda pior. Agosto é transição, para mim. Setembro será mudança. Agosto preparação da mudança. E por isso, adivinho um mês de Agosto terrivelmente dolorosa e difícil de terminar. É que nisto das mudanças, para mim é "muda-se já!". Estes compassos de espera matam-me e colocam-me num estado tal de ansiedade encoberta que chega a desmotivar-me para tudo o que de bom poderá advir desta nova fase. Por isso, a 1 de Agosto, só me apetece dizer: "Agosto, por favor, passa depressa!!!". 

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