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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Vivemos num país de "títulos"

 

 

 

   Quando vou a qualquer lado sou, invariavelmente, tratada por "menina para cá...", "menina para lá...", o que até é coisa para nem me incomodar. Tudo muda quando perguntam: "Profissão?". A partir daí desdobram-se num sem fim de "Sra Dra para cá...", "Sra Dra para lá...", ao ponto de me apetecer "ouça lá, o meu nome é xpto. Só!".

   Ali a senhora da confeitaria é a minha "titular" preferida: quando não está ninguém na fila levo com um "olá menina xpto", quando temos  companhia o sorriso rasga-se num "como está Dra xpto". Mais ao menos o que se poderia chamar de cinismo. Ou então quer só promover o meu nome.

 

   Ora, no meio de tudo isto, eu pergunto-me, qual a importância de um título?

  

  Esqueçamos o contexto profissional, onde eu sou completamente a favor da diferenciação de estatutos e dos respectivos títulos. Cá fora, no mundo real, de que nos servem os Srs Drs ou os Srs Eng.?

   Aumenta-nos o ego?

   Melhora-nos a "postura"?

  

  Para mim, o principal título é aquilo que somos, sem abreviaturas antes do nome. Vivemos num mundo de hierarquias e, para vingar, há que marcar o nosso lugar, sem os títulos, mas com acções, atitudes, comportamentos e até posturas.

   Se tenho esta profissão, há certas coisas que não faço em público, que não digo em público ou que não uso/visto para me mostrar ao público. Há que marcar a diferença, individualmente e a imagem e tudo o que ela abrange ainda é sinónimo de profissionalismo.

 

   Para que servem mesmo os títulos?

  

  Para mim, servem sempre para me fazer sorrir ao constatar os olhares dos companheiros de "sala de espera" depois de responder à chamada pelo nome de "Dra xpto". Não haverá uma pessoa que não transmita admiração e dúvida na cara e no pensamento: "Aquela miúda? Dra? Mal terá idade para ser caloira..." (na verdade, é este o meu karma, uns eternos 18 anos!). Aí sorrio, de satisfação. De alguma maneira, fiz-me notar.

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