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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

"Afinal, não tenho todo o tempo do mundo para ti" (vale mesmo a pena ler)

 

Por Paulo Farinha, na Notícias Magazine de dia 31 de Outubro de 2001:

 

   "A gestão do tempo é uma coisa tramada. Todos sabemos que não é facil encaixar tudo o que gostariamos de fazer nas 24 horas do dia (...). mesmo que admitamos que o tempo não estica, continuamos a perder minutos preciosos a lamentar esse facto. (...) Pelo meio ainda temos de gerir o tempo da relação afectiva. Não se trata do tempo de duração da própria relação, mas do tempo que «gastamos» com outra pessoa. Falemos de coisas concretas: nos primeiros meses de uma relação, todo o tempo disponível é canalizado para o outro. Não vemos mais nada. (...) Os meses vão passando, depois os anos e a paixão vaise cimentando e transformando noutras coisas (cada um sabe de si) e eis-nos chegados a um belo dia, igual a tantos outros em que já tivemos de gerir o tempo de tudo e mais alguma coisa desde que o Sol nasceu. E surge a pergunta:

   - Entaõ vamos ao jantar do Pedro, estamos lá um pouco e depois seguimos para o aniversário do Ricardo, certo?

   - Não, errado.

   - Como, errado? Foi o que combinámos.

   - (...) Vai tu ao jantar do Miguel, que é teu amigo, e eu vou ao jantar do Ricardo, que é meu amigo. (...)

  E pronto. De repente, depois de uma série de anos a gerir o tempo dessas coisas, alguém deixou de ter pachorra para tanta gestão. Se calhar teria sido possível conversar sobre isto. Ou quem sabe, à medida que a relação avançava, ir estabelecendo o tempo de cada um e o tempo em comum. Mas a verdade é que nem sempre o conseguimos fazer. Não é um sacrifício e ninguém nos encosta uma faca ao pescoço, mas sentimo-nos na obrigação de acompanhar a outra pessoa para tudo o que é programa. E, igualmente grave, sentimo-nos na obrigação de a convidar para tudo o que é programa. quando damos por isso, deixou de haver o »eu» e o «Tu» (...). As únicas horas sem a outra pessoa passam a ser as horas em que estamos a trabalhar e já não nos lembramos quando foi, exactamente, que começamos a fazer sempre as mesmas coisas juntos, a ir para todo o lado atrelados, a ver os mesmos filmes, a ouvir as mesmas conversas, a conhecer as mesmas pessoas e os mesmos restaurantes. Quando é que deixámos de ter coisas novas para mostrar um ao outro? Quando é que deixámos de ter saudades um do outro?

   (...) Como geir esse tempo a dois, quando estamos mortinhos por umas horas no singular no nosso mundo que já existia antes da outra pessoa? Não será melhor não fazer o frete? E, dessa forma - e contrariando o Rui Veloso - não ter de fingir que temos todo o tempo do mundo para o outro.

   Também queremos algum para nós."

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