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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

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...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Porque o namorado pediu muito, aqui vai

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   "2 de Novembro foi mais um dia triste.

   Andy, figura emblemática do surf, foi durante muito tempo o verdadeiro anti herói do desporto, o Lex Luthor que explorava as fraquezas do homem de aço Kelly Slater. O único em todos os tempos que fez o rei por três anos cair de joelhos e implorar clemência.

 

   Protagonizou duelos e viradas históricas contra Slater em Jeffrey’s, Japão, momentos de emoção quando perdeu para Hedge, entregando o sexto título mundial a Slater, mas foi em Pipe e Teahupoo que ele reinou. Em ondas imensas mostrava ao mundo como se surfava chegando a colocar em dúvida a hegemonia de Kelly, e roubando títulos mundiais das mãos destes nos segundos finais.

 

   Depois de ter conquistado tudo, surfando sempre no limite, com manobras ultra radicais e atitudes polémicas, Irons cansou-se, pediu para sair do circuito, queria sair das lentes, ter tempo para ele, curtir a família e pensar no seu futuro.

 

   Andy voltou em 2010, muito mais maduro, amigável, sorridente, sem aquela imagem de Bad boy, conquistando agora muitos que antes não simpatizavam com ele. Mas algo estava a faltar. O havaiano parecia não ter mais o sangue nos olhos e em muitos campeonatos perdia provas de forma banal para simples mortais que jamais venceriam o Iron Man, ou melhor, Andy Irons. Parecia realmente que ele estava diferente, o olhar lembrava o Driffter Rob Machado, que não estava mais nem aí para o mundo de competições.

 

   Ansiosamente aguardava o retorno da sua rainha de todas as ondas: Pipeline e Irons formam a perfeita combinação de harmonia e beleza.

 

   Mas a divindade tinha outros planos para Andy.

 

   De repente veio à mente que o havaiano deve ter planejado tudo isso, ora, não pode ser coincidência, ele já estragou a festa de Kelly por tantas vezes, e na semana que este será coroado decacampeão do mundo, um marco histórico do desporto mundiais, Andy rouba a cena e sai na capa de todos os jornais, sendo o número um nas notícias. Sendo este o último acto do ex-Lex Luthor do circuito.

 

   Não consigo conter mesmo algumas lágrimas que insistem em cair, nessa despedida, por saber que o mundo perde um grande surfista, alguém que mostrou que todos podem mudar e transformar o ódio no amor. Foi a ver este Senhor que comecei a amar este desporto.

 

   Andy nao surfava, Andy andava sobre o mar.

 

   Aloha havaiano, vai em paz, vai com Deus!"

 

   Andy Irons morreu a 2 de Novembro de 2010, aos 32 anos, sem conseguir chegar a casa, onde o aguardava a sua família e a sua mulher, grávida de 8 meses. Embora a causa da sua morte ainda não esteja bem clara, sabe-se que o surfista sofria de Dengue, hipotetizando-se que contraiu a doença em Portugal, local onde, pela última vez, entrou no mar.