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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

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...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Muçulmanos: (saber) ser ou não ser

 

 

   «Apesar do aparecimento de uma certa variedade de novos modos de aplicar o Islão, ao todo, os muçulmanos falharam no cumprimento dos ideais e aspirações do Islão. O Islão enfatiza o pensamento e a educação. No entanto, é raro encontrar no mundo muçulmano uma instituição de ensino superior de reputação. O Islão confere importância máxima à justiça social; no entanto, o mundo muçulmano encontra-se inundado pela tirania, pelo despotismo e pela opressão. O Islão insiste na distribuição da riqueza e encara a pobreza como um pecado; no entanto, a degradação humana é algo de comum nas sociedades muçulmanas. É comum a existência, lado a lado, da riqueza exuberante e da pobreza abjecta.

   Os muçulmanos têm a tendência de culpar o Ocidente pela maior parte dos seus problemas. É verdade que séculos de colonialismo deixaram uma cicatriz profunda nas sociedades muçulmanas. E a economia global moderna juntamente com as tendências hegemónicas ocidentais têm contribuido para o subdesenvolvimento das sociedades muçulmanas. Mas nem todos os problemas muçulmanos podem ser atribuidos ao Ocidente.

   A falha em lidar com a modernidade, sugiro eu, é um factor importante na situação difícil encarada pelos muçulmanos de hoje. Uma tendência para retornar a velhas interpretações dos textos sagrados mantém-nos trancados na Idade Média. Interpretações históricas arrastam contantemente os muçulmanos para o passado histórico, para contextos de há tempos atrás, hoje enregelados e fossilizados. Pior ainda, os fundamentalistas querem levar o Islão até ao tempo do profeta Maomé e dos califas bem guiados, um tempo que é imaginado como uma nação-estado utópica, mas que realmente nunca existiu na História.

   (...)

   (...) A forma como se vê o futuro depende da forma como se vê o presente. E o modo como se vâ o presente depende muito de para onde se olha. Precisamos de redireccionar o nosso olhar para longe dos fundamentalistas cheios de ódio, e olhar na direcção daqueles que tentam afincadamente reconstruir a civilização muçulmana. Apesar de obstáculos sérios, o projecto encontra-se a caminho.»

 

Ziauddin Sardar

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