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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

A mala da nossa vida

 

 

   Se tivessemos de colocar numa mala apenas as coisas que realmente importam para nós, o que estaria nela?

 

   A mala da minha vida ia carregada de pessoas, objectos, momentos, sabores, cheiros e palavras.

   Lá estariam os meus pais, que não são os melhores do mundo nem pretendem ser, mas são os meus e são únicos e os únicos que estarão ao meu lado hoje e amanhã, seja eu a filha exemplar ou a ovelha negra.

   Lá estaria o meu namorado, que também não é o melhor do mundo e por isso é que eu o amo e amarei o resto da minha vida, pelo que me dá, pelo que me ensinou, pelo que me faz sentir e por todos os sorrisos que me arranca.

   Lá estariam alguns dos meus familiares que vivem longe de cinismos e invejas e se preocupam verdadeiramente comigo, mesmo que eu passe demasiado tempo sem dar notícias.

   Lá estariam amigos. Poucos mas verdadeiros. Não amigos de sempre, mas para sempre, sem facebooks, sms´s ou novas tecnologias. Aqueles que se lembram de nós, aqueles com que crescemos, com quem rimos e com quem lamentamos a vida e tudo o mais.

   Lá estaria o meu gato, o actual e o que já partiu, porque provaram que ser animal é muito mais que isso.

   Lá estaria muita roupa ao meu estilo e muitos sapatos de salto alto.

   Lá estaria o meu relógio Elleta, a minha Pandorinha e o meu anel CK, porque já fazem parte daquilo que sou.

   Lá estariam uns óculos de sol, porque há dias em que o olhar pode revelar demais.

   Lá estariam umas sapatilhas confortáveis para umas caminhadas à beira-rio ou à beira-mar.

   Lá estaria o Winnie the Pooh.

   Lá estaria uma meia dúzia de livros que sou capaz de ler e reler vezes sem conta...As palavras que nunca te direi, O diário da tua ausência, O dia em que te esqueci, Um Dia, Não te deixarei morrer David Crocket...

   Lá estariam aqueles filmes que me arrebataram a alma, como o Antes de Anoitecer ou My name is Khan.

   Lá estariam os sons dos Portishead, dos Guano Apes, dos Muse, do George Michael, do Joe Cocker, dos The Gift, da Katie Melua, do David Fonseca...

   Lá estaria um caderno e uma caneta, para poder pôr no papel pensamentos profundos ou ideias absurdas.

   Lá estaria uma máquina fotográfica, porque gosto de registar para a eternidade.

   Lá estaria o cheiro a mar, o cheiro a frango assado no forno, o cheiro a pizza, o cheiro a chocolate derretido, o cheiro a pão quente, o cheiro do meu namorado, o cheiro da minha professora da primária, o cheiro do meu pai.

   Lá estaria o sabor dos gelados que me viciam, das massas, do pão de 5 cereais, do leite acabado de sair do frigorífico e que se pode beber directamente do pacote, o sabor do chá.

   Lá estariam todos os locais que conheci. Lá estariam as imagens que retenho de um infinito mar azul de Maiorca e um infinito deserto do Sahara.

   Lá estaria uma imensa vontade de viajar por esse mundo fora.

   Lá estariam a minha formação em psicologia, porque é e sempre será, aquilo que eu sou.

   Lá estaria o meu gosto pela aprendizagem.

   Lá estariam todas as minhas frustrações, todas as minhas tristezas, todas as minhas desilusões.

   Lá estariam todas as minhas vitórias, todas as minhas alegrias e todos os meus objectivos concretizados.

   Lá estariam inúmeros sonhos, inúmeras ambições e muita, muita vontade de vencer.

   Lá estariam incontáveis palavras ditas e ouvidas e ainda mais incontáveis momentos vividos.

   Lá estaria a solidão de que todos os dias preciso.

   Lá estaria todo o amor que tanta falta nos faz e nos alimenta.

   Lá estariam 1001 pequenos nadas que carregam uma mala que por ser nossa nunca será pesada demais para ser carregada.

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