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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Mudam-se os tempos, mudam-se os conceitos

 

 

 

   Entre as muitas coisas que já não são o que eram, o conceito de "amigos" é uma delas. "Ser amigo de" é, actualmente, um conceito renovado e, infelizmente, muito mais abrangente, o que não implica qualidade. "Ser amigo de" hoje é tudo e mais alguma coisa. As redes sociais vieram mudar o mundo, aceleraram tudo e tornaram cada vivência numa ausência de significado.

   Desde há uns anos para cá, tudo se baseia na palavra escrita dos tempos modernos. Chats, SMS´s, HI5´s, Facebook´s, blogs, Twitter´s e afins, tudo serve para criar elos que são tão frágeis quanto as ligações de internet que nos permitem criá-los. Hoje em dia, sabemos o que é feito de X conforme as actualizações do seu "estado", whatever that means. Hoje em dia dizer "falei com Y a semana passada" significa que trocámos uma ou duas SMS´s com Y a semana passada. Hoje em dia, qualquer X ou Y pede para ser nosso amigo, ou vice-versa, ignorando-se a maravilhosa construção de relações entre seres humanos. Hoje em dia os nossos amigos são às dezenas, às centenas e, imagine-se, há quem os tenha aos milhares! Hoje em dia os amigos partilham gostos com um clique de rato num botão que diga "I like it". Hoje em dia a conversa foi substituida por chat e tweets. Hoje em dia os amigos não (se) falam, teclam.

   E eu pergunto: hoje em dia, haverá amigos? Ou foram (fomos) todos transformados em conjuntos de 9 algarismos e fotos de um programa informático? Juntos criamos uma rede, que não é social, mas sim fria, distante e que distancia. Uma rede da qual não somos capazes de escapar, porque inchamos o peito de desculpas para cada um de nós ser o responsável por esta mutação de conceitos e vivências. Once there, you can not escape, afinal, parece ser bem mais simples e leve esta nova forma de amizade. O problema, é que isto não é coisa nenhuma, não nos leva a lado nenhum. O problema é que as SMS´s, os tweets, os posts e as actualizações facebookianas não riem connosco, não choram connosco, não nos olham nos olhos e não nos abraçam. O problema é que esta amizade nunca chega a sê-lo, porque, na verdade, nós nunca chegamos a vivê-la. Esta é uma amizade que se acaba de cada vez que desligamos o computador ou o telemóvel. E uma amizade assim, frágil, não é uma amizade.

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