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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Escravas de um reflexo

Amy Adams

 

   Nós as mulheres, deveriamos aprender a ser como eles, mais despreocupadas com a imagem, menos escravas da imagem perfeita. Vivemos a maior parte do tempo praticamente obececadas com pormenores (aparentemente) fúteis: os números da balança que sobem e descem, as ancas que ficam larguíssimas naquelas calças, as olheiras que não se disfarçam, o cabelo que teima em assumir as formas que queremos, and so on, and so on...

   Que bom seria se fossemos capazes de minimizar esses pormenores da aparência e nos concentrassemos mais na tal beleza interior. Descuidamos essa em prol da aparência perfeita, da base que nos dá o melhor tom de pele, do rimel e do lápis que nos realça o olhar, no vestido que nos acenta de forma quase perfeita. O resto, o que está cá dentro e que só mostramos a quem realmente o merece, fica para segundo plano. E lá vamos vivendo, de sofrimento em sofrimento, de "não posso comer esse chocolate" para "não posso comer mais bolachas", sempre com o "mas eu queria taaantooo" a fazer tuc-tuc na nossa cabeça.

   Por vezes farto-me desta "filosofia". Não passa daí e nunca tive a coragem de substituí-la por um "who cares" e sair de casa menos "abonecada". E há dias, meu Deus, aqueles dias, nos quais nada nos fica bem, os dias do "tanta roupa e nada para vestir", do "malditos caracóis", do "maldita cara cor de boneco de neve". É nesses dias que mais vontade tenho de encarnar um qualquer gene masculino e deixar de me preocupar tanto com a imagem. Mas depois de respirar fundo, a sensação é sempre a mesma: sabemos lá quem vamos encontrar na rua!

   Acho que é isso que nos move, a nós mulheres escravas de um reflexo, a certeza de que, se não gostarmos do que vemos no espelho, mais ninguém gostará.

   Mas que, às vezes, poderiamos facilitar, lá isso podiamos.