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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Avaliação psicológica, sim ou não?

 

 

   A minha posição relativamente à aplicação de testes de avaliação psicológica tem-se tornado um pouco “rebelde”. Inicialmente, durante a licenciatura, era totalmente do contra. Posteriormente, durante a especialização e devido à excelente formação que me deram, mudei para ventos mais positivos e reconheci-lhes a importância. Actualmente e com a prática fico ali no meio, entre o sim e o não, ou melhor, entre o nuns casos sim, noutro não. “Mas a avaliação é uma parte fundamental do processo”, dirão os mais conservadores (ou serão os mais modernistas?). Pois claro que sim, que é importante e que até nos pode dar informação de importância crucial. Aquilo que me faz activar o travão é o simples facto de os diversos testes para avaliação das mais diversas aptidões/competências/características avaliarem

aptidões/competências/características específicas e, esta muito importante, num momento específico.

   Os meus motivos para ser “do contra” foram sendo sempre os mesmos e os responsáveis eram os coitados dos testes de personalidade: “como é possível saberem o que eu sou de acordo com o que eu acho que vejo numas manchas?”. Este, o Rorschach, sempre foi o meu ódio de estimação. Ok, eu vejo ali uma máscara, quantas pessoas mais não o verão? E quem disse que se eu vejo uma máscara é porque sou assim e assim? Quando tive a oportunidade de estudar em profundidade este teste, achei-lhe uma certa piada. Está bastante pormenorizado e complexificado. Mas embora esteja habilitada para o aplicar, nunca o fiz, mas não digo que nunca o farei. O mesmo para outros testes, os das cruzinhas, que me põem sempre a pensar “eu posso ser quem quiser, é só saber onde pôr as cruzinhas”. E estes, nunca utilizo.

   Já os testes de avaliação de competências ou aptidões, são-me mais queridos, por serem mais práticos. Em diversos casos a sua aplicação é crucial para traçarmos um perfil de capacidades, potencialidades ou défices. No meu trabalho com idosos eram “o pão nosso de cada dia” e sempre me ajudaram a tirar conclusões e traçar intervenções.

   Na minha mais recente experiência com crianças, comecei por aplicar tudo quanto era teste, mais como uma muleta para a inexperiência. Actualmente uso alguns deles em simultâneo com a própria intervenção. Introduzo-os mais como um “jogo” e nunca como um momento de avaliação e a partir daí vou agarrando no que a criança me dá e avanço por aí. São maravilhosas as conversas que conseguimos ter a partir de um desenho da família.

   Conclusão: Testes sim, generalizações não. Avaliações sim, rótulos não. Tomo-os como auxiliares de intervenção.