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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Velhos tempos, velhas mentes

 

   De entre as muitas conversas que tenho com as minhas utentes idosas, há um tema que alguma frequência acaba por vir à baila: a violência doméstica. Antes de continuar é preciso não esquecer de enquadrar todos os locais onde exerço: bairros sociais. E tratando-se de utentes idosas, podemos acrescentar bairros sociais de há muitos anos atrás.

   Quando as palavras fogem para a violência doméstica, a mesma é quase sempre tratada com a maior das naturalidades, sem o pudor ou a vergonha de que normalmente se reveste. Aquelas senhoras lamentam ter passado por ela, mas nunca lamentam o marido que tiveram e que as levou a essa triste passagem. Muitas vezes chegam mesmo a transmitir uma tal adoração e amor pelo dito cujo, ao ponto de dizerem coisas como "batia-me, mas pôr-me pisada nunca pôs, lá nisso ele tinha muito cuidado", que a dada altura já não sei se o que mais me incomoda é o facto de ter existido violência, se o facto de para elas isso ser a coisa mais normal do mundo.

   Na verdade, com tanto que tenho visto e ouvido, começo a achar que já nada me choca e já nada me incomoda.