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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Histórias com gente dentro #11

 

   Esta semana atendi durante 2h30m a avó de um menino de 7 anos. Esse menino está entregue a esta avó desde o 1 ano, tendo estado até aos 6 anos sem qualquer contacto com a mãe, que o abandonou. No último natal, a mãe lembrou-se que tinha um filho e que afinal isso até era rentável no que a RSI´s diz respeito e vai daí resolveu levá-lo para sua casa, onde vive com o companheiro e mais um filho de 3 anos, existindo mais um outro filho de 9 anos entregue não sei bem a quem e um outro que nem se sabe por onde pára, cada um de pai diferente e todos os pais presos por tráfico.

   Ora esta avó, que não deve passar dos 50 anos, tem aquele aspecto que nos faz virar a cabeça umas quantas vezes para trás se a sentissemos caminhar junto a nós, enquanto aproveitavamos para acelerar o passo. Aspectos físicos à parte, o menino parece adorá-la, preferindo-a á própria mãe, que, segundo o próprio, não gosta dele.

   Esta avó contou-me uma história de vida nada simpática, daquelas que me fazem arregalar os olhos. Esta avó esteve presa e diz que não tem qualquer problema em voltar para lá se para voltar a ter o neto consigo tiver que matar a filha. Esta avó fala em matar como quem fala em beber um copo de água. Esta avó tem uma arma fofinha que não tem medo em mostrar e, pelo que se tem visto, em usar. E esta avó já ameaçou metade dos colaboradores daquele centro, pelo que, assim só para jogar pelo seguro, eu achei melhor sorrir e abanar a cabeça a quase tudo o que ela me contava. E confesso que a dada altura dei por mim a pensar "São 19h, já não está cá ninguém e eu aqui fechada com alguém que não se importa de matar a própria filha...". Há coisas fantásticas, não há?

 

  Escusado será referir o sofrimento pelo qual aquela criança está a passar...