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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Porque agora eles estão cá por nós

   Recentemente uma utente de 90 anos disse-me o que muitos dizem: “ando aqui agora a fazer o quê?”. Por norma não gosto de ouvir tal comentário e a minha “função” será fazê-los acreditar que há sempre motivo para andarmos por cá. Mas esta senhora acrescentou algo que me fez pensar: “A partir de uma certa idade andámos cá para vermos os outros viverem, porque nós já vivemos tudo o que havia para viver”. Estas palavras fizeram-me lembrar o meu avô, que ainda é um jovem de 75 anos e que uma vez me disse que as grandes experiências dele já forma vividas e, por isso, agora sente-se feliz ao ver a felicidade dos outros, dos que lhe são queridos (ainda acrescentou que foi por isso que deixou de andar de avião! É, para ele, mais uma forma de preservar a vida.).

   Não tomo palavras e pensamentos deste género como um sinal de desânimo ou falta de vontade de viver. Para mim são evidências da consciência que essas pessoas têm da sua idade (embora no caso do meu avô tenha surgido precocemente, mas a idade das nossas convicções pesa mais do que a cronológica). Acredito que a partir de uma certa idade se deixe de fazer planos, vivendo, agora sim, um dia de cada vez, ao sabor dos acontecimentos e da saúde com que são abençoados (porque a saúde é sempre uma bênção!). É nesta altura que percebem que o melhor não é o que está para vir, mas sim o que já viveram e que é por isso, pelo que já viveram, que devem estar eternamente gratos. Os dias que virão não serão uma espera pela morte, mas antes dias de contemplação e merecido descanso. São dias em que vivem por nós e para nós, para nos verem. E nos ensinarem. E é por isso que nunca nos deveremos esquecer de os acompanhar, de estar lá para eles e de lhes dizermos o quão felizes estamos por eles estarem cá por nós.

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