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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Obrigada a eles

  

 

   Uma das melhores partes do meu trabalho é o reconhecimento e agradecimento que recebo quase diariamente por parte daqueles com quem lido directamente. A maior parte desse reconhecimento vem dos meus “velhinhos”, que muitas das vezes não têm mais, ou mais ninguém, para além do que nós lhes proporcionamos. E é tão bom quando eles nos reconhecem por isso e nos dizem aquelas palavras simples, mas bonitas e cheias de força, que nos arrancam sorrisos com o coração e nos fazem regressar a casa com aquela sensação de dever cumprido, que muitas vezes roça o “eu estou a deixar uma marca no mundo de alguém”. Eu gosto desses dias, os dias em que regresso a casa com as palavras deles nos ouvidos, no coração e na alma, como por exemplo as palavras do Sr. A., que nos seus 53 anos nunca passou dos 10 e que agarrado a mim, de cabeça encostada no meu ombro enquanto me faz festinhas no braço, diz “Ai Dra. Na, gosto tanto de si”. Ou aquelas palavras da Sra. A., com uma imagem de velhinha amorosa com o seu cabelinho branco preso em puxo de bailarina, que me diz “Muito obrigada e parabéns por aquilo que nos faz. Faz-nos tão bem. Muito obrigada”. Ou as não palavras da L., que nasceu surda-muda mas que “fala” pelos cotovelos e que me abraça com tanta, tanta força sempre que a chamo para alguma actividade mostrando-lhe que ela é tão capaz como qualquer outro. Ou o colinho da Sra. C. que fica ofendida sempre que me recuso a sentar no seu colo. E ainda a Sra. D. que nos seus fabulosos 95 anos passou dias a dizer “diga à minha bisnetinha para me vir visitar que eu estou cheia de saudades dela”, para depois descobrirmos que “ai Sra. Dra., a menina é a minha bisnetinha, está bem? Gosto tanto de si que tem de ser mais do que a minha Dra.”.

   E poderia continuar por aqui fora com tanto do que diariamente recebo daqueles que julgam que já não têm valor nenhum, mas que são tão fundamentais para o nosso bem-estar.

   Obrigada a eles. É por eles que esta experiência está a valer a pena.