Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Figuras de estilo

 

 

   Olhando para trás, não posso deixar de pensar como o meu "estilo" se alterou, nomeadamente no que diz respeito à forma de vestir. Eu era aquela que, embora sempre tenha sido extremamente vaidosa e nunca tenha gostado que escolhessem a roupa por mim, me rendia a um par de calças de ganga (na verdade, não era um, mas muitos, demasiados!) e a umas sapatilhas. Tudo o resto para mim era "coisa de betinhos".

   E de repente, tudo mudou! Se, de repente. Um repente que veio com a finalização do meu curso e a entrada no activo. Tirando este marco, não consigo identifcar outro ponto de viragem em que tenha despertado para o fabuloso mundo da moda. Acho que, inicialmente por necessidade, fui mudando a minha forma de vestir, o que, nos primeiros tempos não me foi nada fácil, pois nunca me reconhecia quando me via ao espelho. Isso e o facto de não gostar de repetir "looks" em curtos períodos de tempo, fez-me ir à procura de alternativas e pequenas ajudas. Daí até às revistas de moda deve ter sido um saltinho, embora não me lembre de quando comprei pela primeira vez um desses exemplares. E uma vez aí entrada, nada voltou a ser o mesmo. Larguei as sapatilhas definitivamente e mesmo as calças de ganga começam a fazer parte do meu guarda roupa de uma forma bastante restrita e exigente. Os saltos foram sendo cada vez mais altos e é com eles que eu me sinto eu, embora actualmente e mais uma vez por motivos de trabalho, existam dias em que os tenho de deixar em casa e calçar uma sabrina. Aos poucos fui-me habituando a diversas formas de vestir, adaptadas a cada ocasião, mas sempre numa tentativa de parecer "bem vestida" e com uma imagem cuidada. E hoje, mais do que nunca, fazem-me sentido as palavras da Catarina Furtado, que uma vez li; qualquer coisa do género: "eu não sou uma betinha, sou coquete". E é um bocadinho isso que eu sinto. Sou incapaz de sair de casa sem me arranjar, mesmo que seja para ir ali ao pão e é isso que eu sou. A minha imagem não é uma imagem, não é um boneco que construo em frente ao espelho para parecer bem a este ou àquele. O espelho tem sempre, sempre, de reflectir aquilo que eu sou e eu sou aquilo, aquela eterna tentativa de conjugação perfeita de tudo o que compõe a nossa imagem.

   Ainda não estou no ponto que gostaria e muitas vezes saio de casa sem gostar do que vi ao espelho e esses, acreditem, são dias terríveis até ao fim, porque são dias em que eu não me sinto eu. Falta-me aprender muito e no dia em que aprender aquelas manhãs de "tanta roupa e nada para vestir" ou de "nada me fica bem" irão desaparecer. O primeiro passo para esta evolução está dado e diz respeito a compras. Hoje trago para casa apenas aquilo que sinto que gosto hoje e vou continuar a gostar amanhã e na próxima semana. Fim da compra desenfreada só porque isto parece giro na cruzeta ou na montra. O resto virá a seu tempo, especialmente com o amadurecimento pessoal pelo qual ainda passarei. Uma coisa é certa, gostarei sempre de me cuidar. O que não significa que um dia não seja capaz de sair de casa de jeans, tshirt e sapatilhas nos pés. Primeiro para ir comprar pão e depois, quem sabe, para ir dar um passeio e ver montras.

6 comentários

Comentar post