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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Not the wrong way, but the only way

 

   Quando me informaram que o meu contrato estava a chegar ao fim teceram os maiores elogios ao meu trabalho. Que tinham ficado com a melhor das impressões e que por todos os locais por onde tinha passado as referências a meu respeito e a respeito do meu trabalho tinham sido as melhores e que, por isso, mal surgisse uma oportunidade, não hesitariam em integrar-me na equipa novamente.

   Para mim, que sempre soube que esta experiência seria temporária, posso considerar o meu objectivo cumprido. Afinal, que mais poderia desejar do que ouvir estes elogios quando todos os dias me esforcei um pouquinho mais por fazer um bom trabalho?

   No entanto, hoje tenho que admitir que errei ou falhei num ponto crucial de todo este trabalho. Apesar de ter mais de 100 "clientes" deixei-me envolver emocionalmente com cada um deles, as criancinhas, mas especialmente os idosos. E de cada vez que sinto o carinho com que eles me tratam e a alegria com que me recebem ou ouço as coisas amorosas que todos os dias me dizem, o meu coração fica pequenino pequenino por saber que vou ter tantas, mas tantas, saudades de cada pormenor de cada um deles.

   E é isto que mais me está a custar digerir, muito mais do que a certeza de que daqui a umas semanas estarei desempregada. É esta certeza de que eles já fazem de tal modo parte da minha vida, que me deram tanto todos os dias, que ter de os deixar me tem corroído o coração de uma forma revoltante, preocupante e dolorosa.

 

   E não venham com as teorias do "não se deixe envolver no seu trabalho". Qual é o psicólogo que faz um bom trabalho sem se envolver com os seres humanos com quem todos os dias partilha vida?  

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