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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Quem sai aos seus...

 

 

   Às vezes sinto que nós, psicólogos, estamos ali para fazer o que os pais não conseguem/não sabem/não querem fazer, o que nos coloca numa posição que, a meu ver, é bastante ingrata, porque parece rotular-nos assim como uma espécie de sabe tudo da boa educação, do bom viver ou da perfeição. Isto cria expectativas nas outras pessoas, como se o facto de termos determinada profissão tornasse absolutamente impossível e intolerável certos e determinados comportamentos em nós e nos que nos são próximos, afinal só passamos os "bons exemplos".

   Ora isto fez-me pensar até que ponto a profissão dos pais cria expectativas em relação ao comportamento e temperamento dos filhos. Assim alguns exemplos:

   É de esperar que o filho de uma educadora de infância seja uma criança exemplarmente educada e estimulada?

   É de esperar que o filho de um professor de matemática seja o vencedor das olimpíadas da matemática?

   É de esperar que o filho de um desportista seja tudo menos obeso?

   É de esperar que o filho de um médico seja um poço de saúde e vida saudável?

   É de esperar que o filho de um jurista ou advogado siga as regras à risca?

   É de esperar que o filho de um escritor adore ler?

   ...

   É de esperar que o filho de um psicólogo seja uma criança "modelo", em termos de disciplina, autocontrolo, emoções, educação e tudo aquilo que os outros pais nos pagam para transmitirmos aos seus filhos?

 

   Enquanto filha de pai engenheiro civil não sei se era suposto gostar de prédios e estradas, mas não gosto. Já das matemáticas, uma das principais disciplinas da área, nunca fugi e sempre consegui resultados positivamente bem longe do panorama nacional. E fica por aqui o que de engenharias corre no meu sangue.

   Enquanto mãe nada tenho a acrescentar, já que a experiência na área é nula. E embora a maternidade não faça parte dos meus planos, muitas vezes dou por mim a pensar que, pela minha profissão, muito boa gente poderá colocar a fasquia da educação de um potencial filho muito alta, não lhe dando margem para qualquer pequeno desvio. Aliás, tenho um exemplo na família. Um tio psicólogo que embora passe uma educação exemplar aos seus filhos, deixa um tanto a desejar no que a práticas educativas e parentais diz respeito. E o comentário que chega de quem assiste do lado de cá é sempre o mesmo e sempre proferido com a maior das admirações: "E o pai é psicólogo!"

 

   A questão é:

terão os nossos filhos de ser um reflexo das nossas profissões?