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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Resumé de 3 dias radicais no Gerês em 12 passos

 

   1. Voltei e com os ossos todos. Embora pelas dores que sinto me questione acerca do estado dos mesmos e dos seus amigos músculos. Neste momento até pegar num copo de água me custa.

   2. Descochecia o Geocaching e devo dizer que é uma experiência muita gira. Uma espécie de Caça ao tesouro dos tempos modernos, com GPS à mistura. O objectivo é encontrar determinados pontos, atráves de coordenadas de GPS, onde encontramos pistas para as próximas coordenadas e por aí fora e mais uns cálculos finais para chegarmos ao ponto derradeiro onde existe uma "cache", uma espécie de caixa, escondida algures, com um livrinho no interior, onde todos os que a encontram deixam uma mensagem. E giro é encontrar lá mensagens de gente de todo o mundo. A nossa foi feita à noite o que tornou tudo muito mais radical, pois no meio da mata às 23h a escuridão chegou a ser assustadora. Mas o importante é que a minha equipa foi a primeira a chegar!

   3. O S. Pedro não esteve muito a nosso favor e praticamente todo o Sábado foi passado a caminhar e trepar e sei lá bem que mais debaixo de uma chuva muito, muito incomodativa. Já para não falar do nevoeiro, que estragou praticamente todas as vistas, para além de ter impossibilitado a realização de algumas actividades, por razões de segurança.

   4. O meu momento de superação foi na prova das fendas. Assim ao género do filme 127 horas, andámos literarmente encalhados no meio de rochas, com passagem tão estreitas que tive de colar a barriga às costas para passar, ou rastejar. Giro, giro foi encontrar rochas de mais de 2 metros que tive de trepar para poder sair dali. A dada altura ninguém acreditou que fosse possível sairmos tal era a altura e dificuldade das rochas. E eu confesso que por várias vezes tive de ser içada a braços pelos monitores. Mas ao chegar ao topo da Serra do Gerês deu vontade de descer e voltar a fazer tudo de novo.

   5. Graças à chuva foi necessária uma espe´cie de "evacuaçao de emergência" e a estruturação de novos percursos minimamente seguros, já que as rochas estavam muito escorregadias. A dada altura nem os monitores sabiam como nos tirar de lá, o que não é nada agradável de se sentir quando só vemos nevoeiro à nossa volta.

   6. Fiquei branca como cal quando tive de saltar de uma rocha para outra, com um espaço vazio entre elas, suficientemente alto para assustar qualquer um. Talvez aqui tenha realmente me superado pois eu já quase que chorava a dizer "eu não consigo, eu não consigo". Mas consegui!

   7. O Arvorismo não é para mim. Cá andar pendurada em árvores e cordas feita macaca é pedir-me demasiado. Ah e tal é muito seguro. Pois, pois, mas que os cabos se quebram lá isso quebram.

   8. Depois de um dia demasiado exaustivo, ter de caminhar 8km foi algo de transcendente. Chegamos à fronteira Espanhola mesmo ao anoitecer, completamente exaustos, mas satisfeitos.

   9. Depois de 8km a pé, tomem lá 4 km a remar em canoas de 6 pessoas. Na verdade, custou menos do que o esperado e fizemos o percurso numa hora, com paragem de 15 min para descansar. Basicamente demoramos metade do tempo que seria esperado para pessoas sem experiência, que na véspera tinha ido até Espanha a pé, pelo meio de vales e serras e mais uns quantos pedregulhos.

   10. Para o final estava reservada uma surpresa: umas horas nu SPA 5 estrelas, com uma massagem de relaxamento acompanhada por umas vistas magníficas.

   11. O grupo surpreendeu-me. Do nosso chefe falarei posteriormente, mas todos me surpreenderam pela positiva, desde conselho de administração, a directores de centro. Um total à vontade, uma brincadeira constante, risotas gerais, sem pretensões de "eu mando mais do que tu".

   12. Regresso cansada mas satisfeita por ter participado. E de certa forma orgulhosa por fazer parte desta instituição, ainda que, para mim a experiência termine no final do mês. Mas quem sabe o dia de amanhã? Se há coisa que estes dias me mostraram é que a minha presença na instituição não passou ao lado de ninguém...mas isso será assunto para outro post.

 

   Até lá surgirão fotos. Mas só quando não sentir dor sempre que carrego numa tecla.