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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

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...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Sábado jantou-se por aqui: bar/restaurante Galerias de Paris (Porto)

 

Faz lembrar o Deux Moulins, o café do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain". Não está em Paris, está na Baixa do Porto, abriu há duas semanas e quer reverter a ideia de que já não temos tempo para nos reunirmos à mesa do café.

 

A rua Galeria de Paris, no Porto, está a tornar-se concorrida. Rivaliza com a de Cândido dos Reis, uma paralela abaixo, e a de Miguel Bombarda, um pouco mais adiante, na corrida ao primeiro lugar de rua mais procurada da cidade. E há duas semanas que existe mais uma razão para se ir até lá: o café-bar Galeria de Paris.

 

A vasta loja dos antigos armazéns de tecidos do Tito Cunha andava debaixo do olho de Laïs Costa e José Albuquerque, os proprietários do Galeria de Paris, desde Fevereiro passado. Obras feitas, decoração escolhida e quatro meses passados, abriram-se as portas de um estabelecimento cujo imaginário remete para o Deux Moulins, o café do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain".

 

Será do aconchego, do tom intimo e quente das luzes e das madeiras, dos mil e um objectos mais ou menos antigos, da música suave e vagamente parisiense, da empregada do bar, ou da nossa imaginação, mas o espírito de Amélie anda por ali.

 

Ladeadas por duas enormes estantes pejadas de colecções diversas - de jogos, máquinas de filmar, vidros de farmácia, brinquedos, peças de cerâmica - uma mostra ínfima - uma ínfima do espólio que Laïs e José têm guardado num armazém -, e por uma parede com quadros, há uma dúzia de mesas onde à noite se acendem velas. O Galeria de Paris é o filho mais novo da linhagem "novos cafés-bares do Porto", mas as pessoas já ali se sentem em casa; sentam-se, bebem uma sangria branca em caneca de 33 centilitros, comem umas tapas, conversam e deixam-se estar, sem pressas, sem solavancos, enquanto o pianista (durante a semana) as embala ou os djs as entretêm

 

Ou então chegam-se aos balcões. Onde antes se desenrolavam e mediam tecidos agora serve-se comida - ao almoço há um conjunto de pratos, a quatro euros cada, que vão da lasanha vegetariana ao peixe grelhado - cervejas, café, vinho do Porto e perfilam-se pequenos pratos com tapas. Beber um café ao balcão do Galeria de Paris, mesmo em frente às antigas máquinas de café ali em exibição, é tanto um exercício nostálgico como um salutar recuperar de um hábito, o do saborear vagarosamente uma chávena de café, descartado em prol do corre-corre apressado que se repete amiúde em anónimos snack-bares e pastelarias.

 

Degustado o café, pede-se um fino e vai-se até lá fora, à rua, fumar um cigarro ou cavaquear com os amigos (Laïs e José irão abrir, a partir de Julho, na porta-janela do lado da rua das Carmelitas um bar virado para a rua). Ali, naquela rua, onde já ciranda e se queda muita gente - também lá estão a Casa do Livro e o Café Au Lait e o Plano B fica a dois passos -, começa a haver uma movida, gente que lá vai porque "ouviu falar", porque sabe que há animação, existe agora a Galeria de Paris. Podemos lá ir tomar o pequeno-almoço, almoçar, lanchar, ou beber um copo depois do jantar e pela noite dentro. E, já agora, conviver. Alguém viu Amélie Poulain?

 

Texto retirado da net (Guia do Lazer - Público)

 

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