Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Histórias com gente dentro

 

   O Sr. A. é um dos nossos utentes de apoio domiciliário e uma daquelas pessoas com que podemos passar hoooras a conversar sobre tudo e mais alguma coisa. Do alto dos seus quase 93 anos, discursa sobre o que quer que seja com uma eloquência que nos deixa...sem palavras. Estamos a falar de alguém que frequentou a universidade em Oxford e que viveu uma vida privilegiada e, sem dúvidas, cheia, mas nem por isso menos valiosa e interessante. Mas quando a velhice chega não escolhe classes sociais e hoje o sofrimento do Sr. A. pela solidão em que vive partiu-me o coração. A esposa faleceu há menos de 5 meses e o processo de luto ainda está muito, muito verde, mas pior que isso, ou a juntar a isso, é a solidão que o mata, é aquela casa que, nas suas palavras, já foi tão agitada, e que hoje é apenas silêncio. E o Sr. A. não sabe como se vai adaptar àquela prisão, agora que a validade da sua carta de condução está a terminar e não vai poder conduzir até ao Passeio Alegre ou até ao supermercado para comprar um chocolatinho. É por isso que o Sr. A. me pede, semana após semana, "por favor, venha-me visitar, eu preciso de conversar consigo" e eu saio sempre de lá, semana após semana, com o coração apertado e muita vontade de voltar para conversar com aquele senhor que vive de recordações.

1 comentário

Comentar post