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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

A importância do luto

 

   "Choro sem parar. Todas as lágrimas que não consegui verter, no momento da sua morte, derramam-se hoje. Quanta dor recalcada! Porque, nessa altura, há sete anos, contive a minha pena, quis fazer boa figura, meti tudo dentro de mim. Como tantos outros quando estão de luto, porque na nossa sociedade não há lugar para os que choram a perda de um ser amado. Ninguém, na ocasião, me ajudou a esvaziar a minha dor. Acham anormal a depressão das pessoas enlutadas, e recomendam-lhes o médico para que lhes receite anti-depressivos. Tentam distrair-nos, fazer-nos mudar de ideias. Em resumo, querem dizer-nos que têm medo do nosso desgosto. A necessidade, em tais momentos, não será precisamente de falar de quem já não está presente, de relatar as circunstâncias da sua morte? E, é claro, isso provoca as lágrimas. É bom chorar na presença dos amigos, sentir que é tão possível como benéfico evocar em conjunto os momentos vividos com quem desapareceu para sempre. Faz bem falar das nossas mágoas, dos nossos remorsos, quando os temos, e, por que não, da nossa revolta. É tudo isso que o trabalho do luto permite, esse misterioso trabalho interior de afastamento que fará que, um dia, acordemos libertos, plenos de energia para a vida."

 

Maria de Hennezel, Diálogo com a morte