Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Uma vida no singular

 

   Um destes dias, em conversa com os meus dois colegas da equipa de psicologia da instituição (ou melhor dizendo, em plena reunião de serviço), referi que cada vez acredito menos nessa capacidade que algumas pessoas afirmam ter e que lhes permite viver absolutamente sós durante toda a vida, opinião de que eles discordaram com um simples "há pessoas suficientemente egoístas para o fazerem".

  

   Eu, individualista por natureza e feitio, tenho visto as minhas dúvidas aumentarem dia após dia. Não falo do viver-só-sem-relacionamentos-amorosos-sérios-e-para-toda-a-vida, porque nessa capacidade de não se prenderem a companheiros "românticos" durante toda a vida eu ainda acredito. Vou um pouco mais além, até àquelas pessoas que simplesmente afirmam não necessitarem de qualquer laço afectivo, tornando todas as relações momentâneas e de circunstância, desligando-se inclusive dos laços familiares. É neste tipo de pessoas, ou de forma de vida, que eu não acredito. Porque ninguém consegue estar e viver completamente só. Em algum momento vamos precisar de ter alguém connosco que não aquela pessoa com quem tomámos um copo ou bebemos um café à beira-mar. Na vida real, uma página de Facebook repleta de "amigos" não chega. Um dia, e esse dia acaba mesmo por chegar, vamos precisar de nos sentirmos amados por alguém e vamos precisar de amar de volta, de gostar, de sentir falta, de sentir essa tão nossa saudade, de sofrer com a ausência. De sentir. E sem apego não sentimos nada. Sozinhos não somos nada, não temos nada e não podemos afirmar que estamos verdadeiramente a viver. Porque os laços fazem parte da vida e isso dos novos ermitas é modernice que não facilita em nada a nossa passagem por esta realidade. Eventualmente, chegará o dia em que conjugar sempre o verbo na primeira pessoa do singular nos cansará. Porque ninguém vive sozinho.

1 comentário

Comentar post