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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Diz que ser psicólogo é das profissões que nos faz mais felizes

 

   Desconhecendo o que é ter ou exercer outra profissão, tenho de concordar. A verdade é que acredito que qualquer profissão que envolva e dependa do contacto directo com seres humanos faça os seus bons profissionais felizes, especialmente pelo grau de enriquecimento e realização pessoal que tal envolve. Não há nada melhor que ouvir um "obrigada pelo que fez por mim", seja em que área for. E não há nada melhor do que saber e sentir que fizemos a diferença no mundo de alguém.

   Não posso afirmar que não me imagino a fazer outra coisa a não ser  "ser psicóloga". Há uma ou outra área que gostaria mesmo de experimentar, embora não o vá fazer porque nisto das profissões não é o mesmo que experimentar sabores de gelados. Sou psicóloga por vocação interior, por uma série de motivos que não vou agora aqui expôr e porque poderia ter seguido uma outra área mas sentiria sempre o bichinho da psicologia cá dentro. O contacto e a descoberta do outro são sem dúvida motivos mais que suficientes para gostar do que faço, mas (e nem tudo são rosas sem espinhos nesta profissão) há momentos em que ser psicólogo é absolutamente desgastante. Até mesmo emocionalmente. Há dias, ou sucessões de dias, muito difíceis de ultrapassar e nos quais é muito complicado trabalhar. E por muito chocante que afirmar isto possa parecer, há dias em que não estamos minimamente motivados para estar ali para aquela pessoa, dias em que parece que não somos capazes de ouvir nem mais uma palavra, quanto mais as recorrentes lamentações da Sra. X sobre os calos nos pés. É chocante, eu sei. Mas quem lida diariamente com seres humanos poderá compreender este desabafo. Há dias complicados, dias demasiado pesados, dias que nos afectam de uma forma incontornável. Há dias em que a nossa cabeça fica tão cheia de gentes, emoções, experiências, pedidos, apelos...que tudo o que conseguimos pensar é "esta profissão vai-me pôr maluca!".

   Sou psicóloga e sou feliz na minha profissão. Longe da perfeição e com muito para aprender, tenho tido dias felizes em que fiz alguém um bocadinho mais feliz. E isso é o melhor que trago no meu regresso a casa. Mas não é por ser uma psicóloga(o) feliz (e um suposto "modelo" de sanidade mental e saber viver) que não temos aqueles dias em que o psicólogo (que nós somos) precisa de ir ao psicólogo.