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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

A eutanásia e a vida

   Um canal nacional ofereceu-nos hoje um interessante debate sobre um não menos interessante (mas polémico) tema: a Eutanásia. A minha posição face a este tema é a mesma que face a muitos dos temas mais polémicos da actualidade. Sou a favor da liberdade individual. E sou a favor da vida. Da vida que pode ser vivida enquanto vida. Da vida que nos permite ser gente até ao fim. E que vida é essa a que aqueles que vivem há anos confinados a uma cama, alimentados por mãos que não são as suas, que respiram um ar que não é o seu, têm? Será vida aquilo que uma criança de 12 anos em estado vegetativo persistente desde os 9 anos sente?

   Eutanásia não é matar. Quem diz "deixa-me partir" não quer dizer "despacha-me". Quer dizer "ajuda-me a dar sentido a uma vida que perdeu todo o seu sentido". A Eutanásia pode ser uma resposta para a vida que já terminou muito antes da morte. A resposta que os cuidados paliativos deveriam ser capazes de dar e não dão. Depois da dor física controlada, quem controla a dor da alma? Quem controla a consciência que nos atormenta com a verdade da nossa condição?

   Cultural e moralmente falando, Portugal não está pronto para o referendo. Não podemos pedir aos portugueses que digam sim ou não, quando para muitos eutanásia é sinónimo de matar em jeito de homicídio. Se não estamos prontos para um referendo, estaremos com certeza prontos para investir na saúde dos nossos. Se não queremos "ajudar a morrer", temos de querer melhorar a resposta aos doentes terminais. Mais serviços de cuidados paliativos. Ainda que, para mim, isto não seja resposta ao pior sofrimento humano, poderá ser resposta ao físico.

   Não sou a favor da banalização da Eutanásia e da sua prática só "porque sim" ou porque "assim poupa trabalho". Sou a favor de uma análise cuidada e precisa da consistência de cada pedido de ajuda. Da procura de respostas que minimizem o sofrimento. Sou a favor da dignidade da vida. E uma vida que não pode ser vivida, que não deixa viver, deixou de ser uma vida e passou a ser uma morte antecipada e dolorosamente prolongada pela ética.