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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

O eterno drama do "tanta roupa e nada para vestir"

 

 

   Eu gostava mesmo, mesmo, muito e cada vez mais de ser daquelas mulheres que abre o guarda roupa de manhã e facil e rapidamente escolhe o que vestir nesse dia e repete este comportamento diariamente. No meu caso, poucos são os dias em que isto acontece, sendo que é mais fácil de suceder nos dias de tempo quente, nos quais umas calças e uma blusa resolvem qualquer crise. Mas na maioria dos dias, o que acontece é eu abrir o meu guarda roupa e ficar para ali a olhar, a olhar e a olhar...e a vestir meia dúzia de peças antes de finalmente me decidir, sendo que muitas vezes essa decisão é forçada pelo avançar da hora. E depois ainda há aqueles dias nos quais não gosto de me ver com nada do que experimento nem gosto de nenhuma das peças de roupa que tenho. Esses dias são absolutamente terríveis e durante todo o dia sinto que não fiz a escolha acertada.

   Poderão dizer que isto é um lugar-comum a todas as mulheres. Acredito que sim. Mas a mim começa a incomodar-me profundamente. Afinal, se eu comprei aquelas peças de roupa foi porque gostei delas e de me ver com elas. Ora se gostei é para continuar a gostar, se me ficavam bem a semana passada também me ficam bem hoje. A juntar a isto, há o meu "trauma" de não gostar de repetir as roupas (ou os looks) num determinado período de tempo, ao ponto de muitas vezes dar por mim a pensar "já não visto isto há mais de um mês". Ora se aquele look resultou e nos agradou num determinado dia, porque raio não nos agrada noutros dias? Damn it! Começo a ficar seriamente aborrecida com isto. Ao fim-de-semana esforço-me por mudar esta atitude e vestir-me de forma simples, rápida e eficaz (ao ponto de muitas vezes o meu namorado dizer, com a maior das admirações, "já estás pronta?").

   Não sei que raio de gene nós temos que nos faz pensar assim todos os dias pela manhã, mas até certo ponto isto não deixa de ser uma espécie de "escravidão da imagem", comparável à preocupação doentia com a quantidade de calorias que ingerimos ou se já comemos bolachas e gelados a mais (outro ponto em que estou a piorar no sentido da preocupação excessiva com o meu peso, quando na verdade nunca pesei sequer 50kg). Perdemos demasiado tempo a pensar no que vestir, no que comer, no que calçar, que carteira levar (aqui já estou muito mais resolvida - nada como cores universais para facilitar o processo), que anel combinar com o restante look, que brincos, colar sim ou não, and so on and so on...Não admira que se saia de casa já cansada e com os nervos em franja de tanta decisão a tomar logo pela manhã. É isto que eu quero mudar e evitar: começar o meu dia aborrecida porque não consegui escolher a roupa ideal para aquele dia. Onde já se viu uma peça de roupa roubar-nos um sorriso???

   Somos umas insatisfeitas em variadíssimos aspectos da vida. Na moda, somo-lo igualmente e doentiamente. Mas se existem aspectos em que a insatisfação leva ao aperfeiçoamento e à batalha por algo melhor, outros existem em que não vale mesmo a pena perder tempo. A roupa tem de ser um deles, porque de tanta coisa que nos constitui, não pode ser uma simples blusa a determinar aquilo que nós somos. Gostar de moda, sim. Fashion victim/addicted, sim. Ter toneladas de roupa, sapatos, malas, whatever, sim. Viver em função desses bens materiais, NÃO.

   Não mais "Tanta roupa e nada para vestir". Por dias que começarão melhores e continuarão mais sorridentes. Afinal, quando estamos de bem connosco, tudo nos fica bem!