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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Smart Shopping

  

"Lá se vai ouvindo, de vez em quando: «Que ideia é essa, quando os empregos escasseiam e o dinheiro no bolso não estica, de continuar a apelar ao consumo? De fazer revistas recheadas de convites ao over-spending? De continuar a falar de luxo quando a palavra de ordem é contenção?». Suspiro. Pausa.

   Sim, é verdade. A coisa está má, é o que se pode dizer se não se quiser contribuir para o já avançado desgaste da palavra C-R-I-S-E. Chamemos-lhe C, para não magoar tanto. E, de repente, com a C. à solta, até parece mal falar de moda. De novas tendências. De colecções novinhas em folha, à espera nas nossas lojas preferidas. De coisas obscenamente caras. De casas fantásticas, carros de luxo, viagens de sonho, e mais coisas para comprar, ainda que a C. se tenha instalado e pretenda ficar cá por mais uns tempos.

   A C assusta todos, especialmente quando tem uma dimensão sem precedentes e quando não se sabe quando acaba e quão profundo é o fundo onde ela vai bater. Mas há que ver as coisas de uma outra perspectiva. Se assim é - se parece mal falar de coisas mundanas, continuar a consumir se a grande tendência nos diz para apertar o cinto no último furo - alguém já pensou no que aconteceria se o mundo parasse? Se ninguém consumisse nada mais que o essencial? Se parássemos de alimentar o sonho, mesmo quando ele parece descabido? Era a morte da Economia.

   Nessa noiva e tenebrosa realidade, comecaríamos a desdenhar aquilo de que gostamos. Para quê vinho quando temos água. Sapatos novos? Só quando a sola romper. Ir de férias...dentro de casa. Viajar só em trabalho e em low-cost. O resultado imediato era só um: mais falências, mais desemprego, mais desânimo, mais C. E viveríamos num mundo muito mais triste.

   A auto-censura não é a solução para o problema. E não vale a pena transformar a C. num tabu que nos impede de fazer uma extravagância de vez em quando. C é sinónimo de oportunidade, dizem os entendidos. E, nessa perspectiva, a grand trend, que surge também como método de combate à C, é o smart shopping, também conhecido como «ter estilo sem ir à ruína». Ou seja, sem preconceitos, passamos a ter carta branca para nos deleitarmos com as tendências da estação sem sentimentos de culpa."

 

Rita Ibérico Nogueira, in Revista "Fora de Série", do Semanário Económico

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