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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Matem-me ou deixem-me morrer

 Sou a favor da eutanásia, do testamento vital, do suicídio/morte assistida e tudo o mais que lhe queiram chamar e que põe um termo antecipado a uma vida que já não é viver. Assim como respeito a existência de unidades de cuidados continuados, paliativos e todas as manobras de prolongamento de vida. Transversalmente, sou completa e totalmente a favor de tudo o que respeite a liberdade e a vontade de cada um. Mas porque é a morte e o morrer que aqui nos traz, afirmo e reafirmo que sou a favor da eutanásia. Desde que me lembro de ser capaz de traçar juízos críticos que sou a favor da eutanásia e o meu trabalho diário, no qual lido muitas vezes com pessoas em estados terminais, nos quais já nem podemos dizer que vivem ou sobrevivem, veio reforçar essa minha posição. Há uns anos lutámos pela nossa liberdade, nas suas mais variadas vertentes, por isso, não se percebe o porquê de não nos deixarem decidir, perante uma situação de doença irreversível, perante um estado físico tal que já nem sabemos o que é ter um corpo e viver, quando e como queremos que aquele sofrimento, que é nosso mas é principalmente dos outros, deve terminar.

   Nunca considerei a eutanásia uma forma de suicídio, uma tentativa de desistir, um acto de cobardia. Vejo-a antes como uma espécie de grito que nos dirá qualquer coisa como "eu não aguento mais, deixem-me partir enquanto ainda consigo decidir, ajudem-me a morrer, por favor". Claro que decisões destas não se tomariam de um dia para o outro, de cabeça quente ou no desespero de um momento. No meu entender, teria de existir um acompanhamento da pessoa por uma equipa multidisciplinar - médicos que avaliassem a situação de forma completamente transparente e indicassem todas as perspectivas para o futuro e um acompanhamento psicológico que permitisse avaliar o estado cognitivo e mental da pessoa, assim como os significados e emoções que atribui á sua doença, ao seu estado e à sua decisão. Com um trabalho bem feito, não vejo porque continuamos a submeter seres humanos ao sofrimento e a uma vida que, não tendo ainda terminado, já acabou.