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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Indirectamente, numa manif*

   Hoje tive o meu primeiro contacto com uma manif. Ironicamente, iamos a sair do Café Majestic, onde entrei pela primeira vez ao fim de 26 anos de nascida e criada no Porto, depois de termos pagos uns absurdos 4,50€ por um café e um carioca de limão (foi a primeira e última vez), quando nos deparamos com um aglomerado de gentes com dois ou três cartazes mais ou menos insultuosos e muita, muita festa. Ele era bombos, tambores, fanfarras e outros instrumentos musicais acompanhados por danças e palavras mais que banalizadas. Ao que parece a festa não se ficava por ali, já que um cartaz anunciava ajuntamento em praça central da cidade e "convidados especiais".

 "O povo unido jamais será vencido", gritavam eles e eles eram poucos. O povo que ali estava unido parecia-me pouco convicto das suas lutas; poucos gritavam, poucos se manifestavam. Simplesmente iam ali, aglomerados, a olhar para nós que os olhávamos, muitos de telemóvel em punho a fotografar e filmar e quem sabe publicando logo em faces e instagrams. Aquele povo que vi não me parecia revoltados, convicto ou sequer capaz de mudar algo. Já tornei pública a minha posição perante manifestações (estamos num país livre, manifestem-se sim senhora, mas não contem comigo para lançar os foguetes ou apanhar as canas), no entanto começam a ser tantos os ajuntamentos revoltosos que começo a questionar-me se os manifestantes ainda sabem os motivos porque o fazem ou se o fazem apenas porque sim, porque fica bem na fotografia, porque o país está mal e isto está mau para todos por isso vamos para a rua que é onde está toda a gente. Porque a verdade, para mim, é mesmo só uma: não vi uma manifestação. Vi um grupo de pessoas (as notícias dizem que cerca de 300) divididas em dois sub-grupos: um que fazia a festa toda (o da frente, está claro) e outro que simplesmente passava e olhava para quem os olhava. Talvez seja um sintoma dos país que temos. Ou talvez também as manifestações tenham perdido o seu significado.

   Para mim, a solução para toda esta crise e tudo o que ela arrasta consigo está no dia-a-dia, nos gestos diárias, nas aprendizagens que nos obriga a fazer, nas mudanças de hábitos e rotinas. É por isso que não contem alguma vez me voltarem a ver sair do Majestic. Cortar nestes gastos exagerados e desnecessários é a minha forma de combater a crise. É isso e controlar mensalmente as minhas despesas, estabelecer limites, dizer "não, é dinheiro a mais por isto", não comprar roupa sempre que quero e onde quero, fazer poupanças mensais...e podia continuar, mas mesmo assim alguém continuaria a chamar-me comodista, sortuda, mimada, menina do papá, vergonhosa que vais todos os anos de férias para sítios paradisíacos e falas em poupar e ainda criticas as manifestações. Não as critico. Critico sim esses portugueses que berram em plenos pulmões para porem um coelho na rua, quando não são capazes de reconhecer e ver o erros que têm nas suas próprias tocas.

 

   *Não sei se este post faz algum sentido, mas apeteceu-me dizer isto. Pronto.

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