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1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

A cidade que me acalma

   Quando tenho de fazer atendimentos/consultas a colaboradores da instituição já sei que o meu dia se vai prolongar até bem depois da minha hora, já esses atendimentos são feitos após o horário de trabalho para não prejudiacr o serviço. São dias longos e cansativos, de muitas horas de "escuta activa" como eu gosto de lhe chamar. Estes são daqueles dias em que, assim que saio pela porta, não vale a pena me dizerem absolutamente nada, pois após cerca de 10 horas a ouvir pessoas tudo o que eu quero e aguento é o silêncio.

   Nestes dias, e porque a localização dos nossos serviços centrais tal proporciona, gosto de regressar a casa de forma rápida, é certo (o que pela hora, raramente é possível) mas gosto de o fazer conduzindo pelo centro da cidade. Gosto de chegar junto do jardim da Coordoaria e avistar a Torre dos Clérigos a furar um céu azul ou cinzento, gosto de descer aos Aliados e apreciar as lojinhas, gosto de ver lá no cantinho a Estação de S. Bento e imaginar o frenesim de comboios e pessoas a correrem para os apanhar, enquanto outros se sentam já de livro na mão à espera da viagem, gosto de subir a Av. dos Aliados e recordar-me do jardim que aquilo já foi e das vezes em que lá dei pão às muitas pombas que lá paravam e, sobretudo, gosto de apreciar as gentes que se vão cruzando comigo, uns que regressam a casa depois de mais um dia de trabalho, outros que ainda passeiam e os turistas, porque há sempre alguém de mochila às costas e máquina fotográfica em punho que eu invejo pela sorte de estarem a descobrir um novo local.

   É isto que, ainda que por momentos, me restabelece um pouco da minha calma e paz. Dura apenas o tempo deste percurso, pois assim que passo ao lado da Câmara do Porto e encontro todos os semáforos vermelhos e nada mais que prédios e carros, toda a magia passa. Mas os minutos daquele percurso foram suficientes para me fazerem respirar fundo e recuperar a energia necessária para terminar mais um dia com um sorriso na cara.